COM O ACORDO ENTRE EUA E IRÃ, AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENEGIA PREVÊ RECUPERAÇÃO GRADUAL DE PRODUÇÃO DE ÓLEO NO GOLFO
O acordo inicial de paz entre Estados Unidos e Irã foi oficializado na quarta-feira (17) pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian. O ato de assinatura do memorando de entendimento aconteceu no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, na esteira da cúpula do G7. Agora, os dois países começam uma nova etapa de negociações, que devem durar 60 dias, para alcançar um acordo final e definitivo. A assinatura do memorando cria uma grande expectativa sobre os efetivos desdobramentos e quais serão os efeitos práticos no mercado mundial de óleo e gás. Na avaliação da Agência Internacional de Energia (AIE), se o acordo se mantiver efetivamente, as exportações e a produção do Golfo deverão apresentar uma recuperação gradual — até porque as exportações de petróleo do Irã poderão ser totalmente retomadas assim que o bloqueio dos EUA for suspenso.
Os embarques pelo Estreito já vinham subindo acentuadamente no início de junho, apoiados por transferências de navio para navio (ship-to-ship) no Golfo de Omã, elevando o fluxo total de uma mínima de 9,6 milhões de barris por dia em maio para cerca de 12 milhões de barris por dia. No entanto, uma recuperação total não será imediata, pois minas precisarão ser removidas das principais rotas de navegação e as cadeias de suprimentos levarão tempo para se normalizar.
A AIE faz as seguintes previsões para os próximos meses no mercado global de petróleo:
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Oferta Global: Espera-se que a oferta global de petróleo caia em média 3,9 milhões de barris por dia em 2026, situando-se em 102,4 milhões de barris por dia.
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Compensação Geográfica: As perdas de oferta no Golfo serão parcialmente compensadas pelos ganhos contínuos de produtores fora da OPEP+.
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Fluxo do Atlântico: O crescimento robusto nas Américas, juntamente com liberações acentuadas das Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR) dos EUA, impulsionou as exportações de petróleo bruto da Bacia do Atlântico para os mercados a leste de Suez em 3,5 milhões de barris por dia desde o início da guerra.
Em contrapartida, as importações de petróleo bruto para a China e o Japão, especificamente, registraram quedas acentuadas, recuando cerca de 40% cada — ou quase 6 milhões de barris por dia combinados. O menor processamento de petróleo em refinarias na China, no Oriente Médio, na Eurásia e em outras partes da Ásia (com queda de mais de 5 milhões de barris por dia em termos anuais no segundo trimestre de 2026) transmitiu esse choque de oferta para o mercado de derivados.
A demanda global de petróleo deve diminuir 1,1 milhões de barris por dia em termos anuais em 2026. Isso representa uma revisão para baixo de 700 mil barris por dia em comparação com o nosso Relatório de Maio, já que as entregas do segundo trimestre de 2026 despencaram 5 milhões de barris por dia em termos anuais diante dos preços mais altos dos combustíveis e das interrupções na disponibilidade de produtos. A AIE prevê que o crescimento se recuperará para 2 milhões de barris por dia em 2027, à medida que a normalização dos fluxos comerciais, os preços mais baixos do petróleo e uma melhora nas perspectivas econômicas contribuam para a recuperação.
ESTOQUES EM NÍVEIS CRÍTICOS
Apesar das reduções significativas na demanda por petróleo bruto e produtos refinados, as margens de segurança (buffers) no sistema continuam a se desgastar em um ritmo recorde. Os estoques globais observados de petróleo caíram, em média, 3,8 milhões de barris por dia desde o início da guerra, com uma retirada expressiva de 143 milhões de barris (-4,6 milhões de barris por dia) em maio, segundo dados preliminares.
Novas quedas nos próximos meses ainda poderão levar os estoques mundiais de petróleo a mínimas históricas antes que o equilíbrio do mercado mude para um superávit em direção ao fim do ano.

publicada em 18 de junho de 2026 às 5:00 





