CRESCIMENTO DAS RENOVÁVEIS NO BRASIL SERÁ RECORDE EM 2022, PREVÊ AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA

Fatih BirolO crescimento da capacidade de geração de energia renovável no Brasil deve bater um novo recorde em 2022, puxado especialmente pela expansão dos projetos de geração distribuída solar fotovoltaica. Essa é uma das constatações da Agência Internacional de Energia (AIE), que lançou nesta semana um novo relatório sobre o mercado de energias renováveis. O estudo lembra, no entanto, que os incentivos para sistemas solares distribuídos serão menores a partir de 2023, conforme aprovado no marco legal da geração distribuída, podendo reduzir um pouco a velocidade de crescimento apurada nos últimos anos.

Especialmente sobre o Brasil, a AIE prevê uma adição total de 12 GW de energias renováveis em 2022, sendo que a fonte solar fotovoltaica será responsável por mais de 8 GW, enquanto que a fatia restante virá de eólicas, hidrelétricas e outras fontes. Para 2023, o crescimento da geração limpa deverá alcançar um patamar um pouco menor, atingindo um total de cerca de 11 GW.

solarA AIE lembra que o mundo adicionou um recorde de 295 GW de nova capacidade de energia renovável em 2021, superando os desafios da cadeia de suprimentos, atrasos na construção e altos preços das matérias-primas. Agora, a agência espera que as adições de capacidade global devem aumentar este ano para 320 gigawatts – o equivalente a uma quantidade que chegaria perto de atender toda a demanda de eletricidade da Alemanha.

O relatório aponta também que a energia solar fotovoltaica está a caminho de responder por 60% do crescimento global de energia renovável em 2022, seguido por energia eólica e hidrelétrica. “Os desenvolvimentos do mercado de energia nos últimos meses – especialmente na Europa – provaram mais uma vez o papel essencial das energias renováveis na melhoria da segurança energética, além de sua eficácia bem estabelecida na redução de emissões”, avaliou o diretor executivo da AIE, Fatih Birol.

eolicaNa União Europeia, as adições anuais de energias renováveis aumentaram quase 30% para 36 gigawatts em 2021, finalmente superando o recorde anterior do bloco de 35 gigawatts estabelecido há uma década. A capacidade adicional de energias limpas encomendada para 2022 e 2023 tem o potencial de reduzir significativamente a dependência da União Europeia do gás russo. No entanto, a contribuição real dependerá do sucesso de medidas paralelas de eficiência energética, para manter a demanda energética da região sob controle.

As adições globais de capacidade solar fotovoltaica estão a caminho de quebrar novos recordes neste ano e no próximo, com o mercado anual atingindo 200 GW em 2023. O crescimento da solar na China e na Índia está acelerando, impulsionado pelo forte apoio político a projetos de grande escala, que podem ser concluídos a custos mais baixos do que as alternativas de combustíveis fósseis.

solarIncertezas políticas, bem como regulamentos de licenciamento longos e complexos, estão impedindo um crescimento muito mais rápido para a indústria eólica. Tendo caído 32% em 2021, após instalações excepcionalmente altas em 2020, as adições de nova capacidade eólica onshore devem se recuperar ligeiramente neste ano e no próximo.

Enquanto isso, as novas adições de capacidade eólica offshore devem cair 40% globalmente em 2022, depois de terem sido impulsionadas no ano passado por um grande salto na China, à medida que os desenvolvedores corriam para cumprir um prazo de subsídio. Mas as adições globais ainda devem ser mais de 80% maiores este ano do que em 2020. Mesmo com sua expansão mais lenta este ano, a China ultrapassará a Europa no final de 2022, tornando-se o mercado com a maior capacidade eólica offshore total do mundo .

Reduzir a burocracia, acelerar as permissões e fornecer os incentivos certos para uma implantação mais rápida de energias renováveis são algumas das ações mais importantes que os governos podem tomar para enfrentar os desafios atuais de segurança energética e mercado, mantendo viva a possibilidade de alcançar nossas metas climáticas internacionais”, finalizou Birol. O relatório completo, em inglês, pode ser lido neste link.

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