DESCARBONIZAÇÃO DE 11 SEGMENTOS INDUSTRIAIS PODE GERAR MERCADO DE 700 GW PARA PEQUENOS REATORES MODULARES
O mercado de pequenos reatores modulares (SMRs) pode contribuir para a descarbonização de pelo menos 11 segmentos industriais que, juntos, respondem pela maior parte da demanda de energia da indústria na América do Norte e na Europa até 2050. Isso representaria um potencial de mercado de 700 GW no período. O dado Um estudo da LucidCatalyst concluiu que o Um estudo da LucidCatalyst, encomendado pela fornecedora de serviços de enriquecimento de urânio Urenco. O levantamento vai além de data centers e examina onde SMRs podem gerar impacto concreto no suprimento energético industrial, quantificando como mudanças nos modelos de entrega e nos fatores de mercado podem ampliar o acesso dessa tecnologia. O relatório contou com apoio da World Nuclear Association.
“Data centers, indústria química e a substituição de usinas a carvão (isto é, a transição de carvão para nuclear) devem impulsionar a demanda no curto prazo, enquanto combustíveis sintéticos para aviação representam a principal oportunidade no longo prazo”, afirma o estudo. “Sem SMRs, esses setores industriais podem enfrentar limites ao crescimento ou serem obrigados a recorrer a alternativas intensivas em carbono pela falta de energia limpa e confiável. Apesar do amplo potencial, apenas 7 GW seriam instalados até 2050 considerando as tendências atuais”, detalhou.
O documento apresenta quatro cenários de oferta: o Cenário Atual, baseado em uma implantação limitada pelas capacidades hoje disponíveis; o Cenário Programático, que projeta um crescimento moderado com apoio contínuo de governos e melhor gestão de projetos; o Cenário de Expansão, que considera produção em estaleiros para entregar projetos escaláveis, previsíveis e de menor custo; e o Cenário de Transformação, que prevê uma reengenharia completa da tecnologia nuclear para produção em massa — cerca de 2.300 reatores de 300 MW — com todo o processo de entrega orientado para fabricação e montagem.
Para cada cenário de oferta, quatro cenários de demanda são avaliados, variando conforme políticas públicas e o grau de reconhecimento do valor da energia nuclear pelos clientes. Esses cenários analisam como diferentes preços futuros do gás (Cenário de Custo da Energia), prêmios de segurança energética (Cenário de Segurança) e níveis distintos de apoio regulatório e metas climáticas (Cenários de Compromissos Anunciados e Net Zero) influenciam o tamanho do mercado acessível para SMRs.
O estudo aponta que SMRs têm forte compatibilidade técnica com as necessidades energéticas dos setores analisados e poderiam suprir até cerca de 15.000 TWh, ou 2.200 GW, dessa demanda. O levantamento também conclui que a inovação em manufatura é decisiva para destravar o potencial completo desse mercado. Melhorias nos métodos atuais de construção — o Cenário Programático — poderiam resultar em 120 GW instalados até 2050. Já uma evolução para produção totalmente em massa — o Cenário de Transformação — permitiria quase 700 GW, representando uma oportunidade de investimento entre US$ 0,5 trilhão e US$ 1,5 trilhão.
“Esses 700 GW de mercado acessível equivalem a quase o dobro da capacidade nuclear global atual e ultrapassariam a meta de triplicar a capacidade convencional até 2050”, diz o relatório. “Os cinco maiores mercados potenciais, que juntos representam mais de 75% desse volume, incluem combustíveis sintéticos para aviação (203 GW), conversão de usinas a carvão (110 GW), combustíveis sintéticos marítimos (90 GW), data centers (75 GW) e indústria química (55 GW). Setores como alimentos e bebidas (43 GW), siderurgia (33 GW), upstream de óleo e gás (33 GW) e aquecimento distrital (33 GW) também apresentam oportunidades relevantes, sendo o aquecimento distrital especialmente significativo na Europa.”
O documento acrescenta que atender a esse mercado potencial de 700 GW exigirá a transformação do modelo de entrega nuclear, passando de projetos sob medida para modelos baseados em construção programática ou manufatura. Essa mudança amplia tanto a demanda efetiva quanto a capacidade de oferta.
Segundo o estudo, melhorias simultâneas em seis fatores críticos podem impulsionar essa transição e ampliar a adoção de SMRs: inovação no modelo de entrega por meio de manufatura baseada em produto; evolução regulatória voltada ao licenciamento de produtos; viabilidade econômica por meio de políticas de suporte; disponibilidade de sites via programas de pré-qualificação; acesso a capital por financiamento convencional; e amadurecimento do ecossistema de desenvolvedores com histórico comprovado de entrega.
“A distância entre os 7 GW atuais e os 700 GW projetados é possível de ser vencida”, conclui o estudo. “A tecnologia existe. A demanda industrial é urgente. O impulso político está crescendo. Os modelos de entrega estão surgindo… A oportunidade é ampla. O caminho está claro. A transformação é viável. O momento de agir é agora.”
O CEO da Urenco Group, Boris Schucht (foto principal), afirmou que descarbonizar a indústria é um desafio significativo que precisa ser enfrentado para alcançar o net-zero até 2050 ou antes. “Acreditamos que o mercado de SMRs representa parte da solução: tecnologias flexíveis e seguras que podem fornecer energia limpa de forma contínua e acessível. Este estudo mostra que, ao focar na viabilização da entrega, o potencial dos SMRs pode ser plenamente aproveitado, ampliando a contribuição do setor nuclear para a segurança energética e as metas climáticas”, avaliou.
Já a sócia-gerente da LucidCatalyst, Kirsty Gogan (foto acima, à esquerda), acredita que o mundo está observando uma transformação na forma como soluções nucleares podem ser oferecidas a clientes industriais. “As inovações em manufatura, licenciamento e seleção de sites mencionadas pelo estudo já começam a aparecer no mercado. Com políticas adequadas e coordenação setorial nesses seis pontos críticos, SMRs podem oferecer uma solução net-zero para indústrias intensivas em energia que precisam de calor e eletricidade confiáveis, competitivos, escaláveis e livres de emissões”, declarou.

publicada em 17 de novembro de 2025 às 5:00 




