DIESEL MANTÉM TRAJETÓRIA DE ALTA E ACUMULA AVANÇO PERTO DE 25%, QUE JÁ SE REFLETE NA CADEIA LOGÍSTICA DO PAÍS
O preço do barril de petróleo nesta sexta-feira (27) está oscilando na faixa dos US$ 100. O Brent, referência internacional, opera cotado em torno de US$ 101,26 a US$ 103,45 para entrega no final de maio 2026, impulsionado por tensões no Oriente Médio. O petróleo WTI, referência americana, situa-se próximo a US$ 91,21 – US$ 96,92. Mas o preço do diesel no mercado brasileiro está ainda mais volátil. O preço médio dos combustíveis vendidos pelas distribuidoras aos postos de combustíveis segue em trajetória de alta nesta terceira semana de março, com destaque para o diesel, que consolida o movimento de aumento observado desde o início do mês. Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), com base em mais de 257 mil notas fiscais eletrônicas, indicam que o avanço deixou de ser pontual e passou a configurar um ciclo consistente de pressão sobre os custos energéticos no país. Na primeira semana de março, o diesel já apresentava elevação relevante, com altas médias próximas de 9%. Na segunda semana, esse movimento se intensificou, superando 19% em algumas variações. Agora, no consolidado até o dia 23, o Diesel S10 comum acumula alta média nacional de aproximadamente 24,98%, com acréscimo superior a R$ 1,25 por litro nas distribuidoras, evidenciando uma escalada contínua ao longo do mês. O comportamento reforça que o aumento não está mais associado a eventos pontuais, mas a uma recomposição estrutural de preços no setor.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, Coordenador de estudos e presidente do Conselho Superior do IBPT, o cenário já configura um impacto sistêmico na economia. “O
diesel se consolidou como o principal vetor de pressão inflacionária neste mês. Como ele está diretamente ligado ao transporte de cargas, qualquer variação relevante tem efeito imediato sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde o agronegócio até o consumidor final.” A análise regional mostra que o aumento segue disseminado em todo o território nacional, com destaque para Centro-Oeste e Nordeste, que lideram as variações mais expressivas. No Centro-Oeste, o Diesel S10 comum chegou a subir mais de 30% no período, enquanto no Nordeste as altas também se aproximam desse patamar, reforçando o caráter generalizado da pressão.
Além disso, os dados indicam que o preço praticado pelas distribuidoras vem sendo rapidamente repassado aos postos. Em diversas regiões, o diesel já ultrapassou a marca de R$ 8,00 por litro no varejo ao longo do mês, evidenciando que a pressão de
custos já alcançou o consumidor final. Para o Diretor do IBPT, o comportamento do mercado indica uma dinâmica de repasse praticamente integral. “O que observamos é uma transmissão direta da alta do atacado para o varejo. Mesmo com alguma compressão de margem em determinados momentos, especialmente no diesel, o repasse ocorre porque os custos não são mais absorvíveis ao longo da cadeia.”
A gasolina também mantém trajetória de alta, embora em ritmo inferior ao diesel. Após subir cerca de 2% na primeira semana e ultrapassar 5% na segunda, o combustível registra agora avanço médio próximo de 9% no acumulado do mês, com picos superiores a 13% em regiões como o Nordeste. O movimento indica um efeito de contágio, ainda que concentrado principalmente no diesel, que segue como principal vetor de pressão. Diferentemente das semanas anteriores, quando o etanol apresentava queda ou estabilidade, o combustível também passou a registrar leve alta no consolidado do mês, com variação média de 1,39% no Brasil. Embora ainda represente o combustível com menor volatilidade, o etanol deixa de atuar como principal válvula de escape para o consumidor, reduzindo alternativas de mitigação do impacto. O levantamento do IBPT também indica que medidas como a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel tiveram efeito limitado. O reajuste de preços ao longo da cadeia, somado à volatilidade internacional do petróleo, acabou neutralizando os impactos da desoneração. “O mercado reagiu de forma mais intensa do que as medidas de alívio fiscal. Isso mostra que o problema não está apenas na carga tributária, mas na dinâmica estrutural de formação de preços e na dependência externa do setor“, avalia Amaral.

publicada em 27 de março de 2026 às 17:00 




