DITADURA CUBANA PRENDE MENINO DE 16 ANOS COMO SABOTADOR POR PROTESTAR. MARCO RUBIO DIZ OBSERVAR SE PETRÓLEO RUSSO AJUDARÁ A POPULAÇÃO
Após dias de incerteza em torno do petroleiro russo sancionado Anatoly Kolodkin, carregado com 100 mil toneladas de petróleo bruto enviadas por Moscou ao regime ditatorial cubano, o navio chegou à ilha e aguarda para ser descarregado no porto de Matanzas. Este é o primeiro navio-tanque a chegar a Cuba desde 9 de janeiro e, embora sua carga seja insuficiente para resolver o colapso da ilha, ele permitirá que vejamos quais são as prioridades do regime e a quais setores ele destinará o petróleo recebido. Nesse contexto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, admitiu que a chegada do navio a Cuba havia sido discutida previamente em contatos com
interlocutores dos EUA. “A Rússia acredita ser seu dever não se omitir e fornecer a assistência necessária aos nossos amigos cubanos. Não podemos permanecer indiferentes à situação desesperadora que o povo cubano está vivenciando hoje .” Embora a chegada do petroleiro russo ofereça um alívio mínimo ao regime, ela não representa uma melhoria significativa na escassez crônica de combustível em Cuba, visto que o país precisa de aproximadamente 100 mil barris por dia para abastecer suas usinas termelétricas e atender à demanda regular de veículos e aeronaves. Desse montante, cerca de 40% provém do petróleo bruto nacional, consumido pela maior parte das usinas termelétricas do país.
Jorge Piñón, pesquisador não residente do Instituto de Energia da Universidade do Texas, disse que “ o embargo de petróleo dos Estados Unidos não foi a causa dos recentes apagões em massa na Ilha. O projeto de interconexão do sistema de geração de energia termoelétrica é a única causa dos sete apagões totais que Cuba sofreu nos últimos 16 meses. Sim, é verdade que a falta de diesel para os geradores agrava a situação, mas essa não foi a causa técnica das duas paralisações totais nas últimas semanas. Essas usinas operam com petróleo bruto cubano. Não consegui encontrar nenhuma declaração oficial da União Nacional de Eletricidade indicando que uma dessas unidades foi desligada por falta desse combustível“, explicou. O fato de o país continuar paralisado após a chegada deste navio, parece mesmo desmantelar a narrativa do regime Castrista de que todos os problemas da ilha se devem à falta de combustível.
FOI APENAS UMA PEQUENA ABERTURA
A porta-voz do presidente Trump e secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que a reversão não representava uma mudança de política dos
Estados Unidos em relação a Cuba. Foi apenas uma janela humanitária e de observação para se saber o que o regime ditatorial da Ilha irá fazer com o petróleo que recebeu e se vai mesmo beneficiar a população. O Secretário de Estado dos EUA, voltou a dizer que “a economia de Cuba precisa mudar e não mudará a menos que seu sistema de governo mude. É simples assim.” Rubio, que, segundo Trump, é responsável pelos contatos com a elite do poder cubana para preparar o terreno para as negociações, comentou, em referência à crise de combustíveis que assola a ilha, que “ a razão pela qual Cuba não tem petróleo ou combustível é porque eles querem de graça. Cuba é um desastre porque seu sistema econômico não funciona.” Como e quando os cubanos sentirão o efeito do petróleo proveniente da Rússia? Esta é a grande pergunta que o governo dos Estados Unidos está se fazendo e observando o que será feito com o petróleo recebido como doação. Os setores de transporte e produção de eletricidade serão revitalizados com geração distribuída, bombeamento de água ou com a operação de indústrias vitais? Isto será observado.
O Kolodkin é o primeiro navio transportando petróleo bruto russo a chegar a Cuba desde dezembro de 2025. Jorge Piñón disse que o petróleo dos Urais transportado pelo navio russo não é adequado para consumo direto, mas precisa passar por um processo de refino. “Ao adicionar a produção de querosene de aviação à produção de diesel, esse petróleo bruto poderia produzir aproximadamente 250.000 barris de diesel, o que equivale a cerca de 12 dias e meio da demanda nacional total, estimada entre 20.000 e 22.000 barris por dia, de acordo com dados oficiais. O uso de combustíveis para o setor elétrico, transporte e agricultura provavelmente seria priorizado, ou seria armazenado em reservas estratégicas para momentos mais críticos?”
As refinarias cubanas foram projetadas para processar petróleo bruto russo desde os tempos da URSS, “têm uma estrutura de
rendimento de produtos deficiente, produzindo 54% de óleo combustível com alto teor de enxofre e apenas 34% de produtos de alto valor agregado, como diesel, querosene de aviação e gasolina”. Da mesma forma, a refinaria de Cienfuegos é a única que recebeu uma modernização significativa com investimento da Venezuela durante a presidência de Hugo Chávez, “não conseguem processar com eficiência petróleos pesados e com alto teor de enxofre. Isso as obriga a depender de tipos mais caros de petróleo leve ou médio, como o Mesa 30 (Venezuela), o Istmo/Olmeca (México) ou o Urals (Rússia). Isso reduz a flexibilidade operacional e diminui as margens de lucro.”
Para lembrar, o país não recebia combustível desde 9 de janeiro de 2026. Um carregamento vindo do México atracou em Havana naquele dia, o último a ser descarregado em Cuba antes de Donald Trump ameaçar impor tarifas aos países que enviassem petróleo bruto para a ilha. O fornecimento regular de petróleo bruto barato da Venezuela, principal fonte de hidrocarbonetos de Cuba, cessou no final de 2025, quando o embargo dos EUA à “frota fantasma” de navios que transportavam petróleo de Caracas impediu os embarques para a ilha. Posteriormente, o governo liderado por Delcy Rodríguez não conseguiu retomar esses embarques. Apesar da autorização de Washington para que o setor não estatal importe gasolina dos Estados Unidos, esses carregamentos são mínimos considerando as necessidades do país, cuja economia está paralisada. A crise levou a um aumento generalizado nos preços dos combustíveis, uma redução drástica no transporte público e a suspensão de voos de longa distância para a ilha, resultando em um colapso do turismo. Desde o início de 2024, Cuba sofreu sete apagões em todo o país, dois deles no último mês, devido a falhas em usinas termelétricas, o que provocou protestos em diversas cidades do país.
VIOLÊNCIA E REPRESSÃO E UM MINI HERÓI
O cubano Jonathan Muir, de apenas 16 anos, está sendo acusado pela ditadura de Miguel Dias-Canel, com apoio da família Castro de ser um – acredite – sabotador do
governo cubano por protestar contra o regime. O menor está sendo acusado de outro crime pelo Ministério Público Militar, de acordo com informações fornecidas à família pelo investigador policial. O atual Código Penal em Cuba estabelece penas de sete a 15 anos de privação de liberdade para o crime de sabotagem, em seu regime sancionatório básico, quando não há circunstâncias agravantes. Quando o crime envolve, por exemplo, risco à vida humana, a pena pode variar de dez a 30 anos de prisão, prisão perpétua e até mesmo pena de morte. Pelas acusações, o menino pode passar pelo menos sete anos na prisão, por participar dos protestos que eclodiram em 13 de março em Morón e Ciego de Ávila, durante um longo apagão Embora as acusações contra Muir Burgos estejam sendo tornadas públicas, uma petição por sua libertação já havia acumulado mais de duas mil assinaturas na plataforma Change.org.
O adolescente cubano, que foi preso três dias após a manifestação e permanece detido desde então, será acusado de outro crime pela Procuradoria Militar, segundo o investigador policial responsável pelo caso, que conversou com a família. Isso aumenta os temores de que o menor seja julgado em um tribunal militar. No entanto, o advogado Raudiel Peña, membro do grupo de assessoria jurídica Cubalex, considerou improvável que o menor fosse levado a um tribunal militar e que o regime estivesse, em vez disso, tentando intimidar a família. “Não vou especular sobre isso, porque pode ser apenas uma forma de intimidação contra a família, uma ameaça”, disse o advogado ao veículo de comunicação americano. “Acho melhor esperar para ver quais serão as acusações formais. Acredito que o curso de ação mais lógico seja o Ministério Público apresentar a denúncia e o caso ser julgado em um tribunal cível“, acrescentou.
Seu pai, o pastor Elier Muir Ávila, conhecido por suas denúncias públicas contra o regime cubano, disse ao veículo de mídia
independente El Toque que a criança “parece muito nervosa e com medo”. Ele também relatou que as autoridades não lhe forneceram o tratamento necessário para a desidrose — condição de pele que se manifesta através de pequenas bolhas cheias de líquido, geralmente nas palmas das mãos, laterais dos dedos e, em alguns casos, nas solas dos pés. Essas bolhas, com diâmetro entre 1 e 2 milímetros, costumam causar
coceira intensa e desconforto. Devido a essa condição, ele desenvolveu uma infecção por estreptococo beta-hemolítico e estafilococo, que no passado, já o levou a um quadro grave e potencialmente fatal. Sua permanência em uma prisão do regime cubano, marcada pelas condições deploráveis que têm sido frequentemente denunciadas, só agrava sua doença e o torna ainda mais vulnerável, já que “o especialista que o trata está preocupado porque essa condição pode causar febre reumática na criança“, denunciou recentemente o ativista Yoaxis Marcheco Suárez.
O caso de Muir Burgos faz parte de uma onda de repressão desencadeada após o protesto de 13 de março, que resultou
em ataques com pedras contra a sede do Partido Comunista de Cuba (PCC) e outros estabelecimentos em Morón, causado por apagões prolongados, escassez de alimentos e deterioração das condições de vida no país. O que começou como uma manifestação pacífica tornou-se violenta depois que policiais supostamente atiraram e feriram alguns dos manifestantes e usaram cães para reprimi-los. “Entre 13 e 16 de março de 2026, foram documentadas dezenas de ações repressivas dirigidas contra manifestantes, jornalistas, ativistas, familiares de presos políticos e membros da oposição”, afirmou recentemente o Observatório Cubano de Direitos Humanos.

publicada em 31 de março de 2026 às 12:00 




