EL NIÑO PROVOCA SECAS E AFETA ROTAS MARITIMAS DE GNL, AMPLIANDO EFEITOS DA INTERDIÇÃO DO ESTREITO DE ORMUZ
Secas severas estão afetando algumas das principais rotas marítimas do mundo, aumentando a pressão sobre mercados de energia que já enfrentam os impactos das interrupções no Estreito de Ormuz, segundo os dados mais recentes do VesselTracker, da Wood Mackenzie. As condições de seca provocadas pelo El Niño estão restringindo as operações do Canal do Panamá, levando os níveis de água aos menores patamares em comparação tanto com 2025 quanto com a média dos últimos cinco anos. A falta de chuvas obrigou as autoridades a impor restrições de calado que reduzem a capacidade efetiva de transporte das embarcações, com impactos significativos sobre o transporte de GNL em um momento de forte pressão sobre o mercado.
Os mercados asiáticos de GNL estão enfrentando os efeitos da interdição do Estreito de Ormuz, que retirou aproximadamente 20% da oferta global de GNL, segundo análise da Wood Mackenzie. A seca no Canal do Panamá acrescenta uma segunda restrição, pressionando os compradores do Pacífico por duas frentes simultaneamente.
Os trânsitos diários pelo Canal do Panamá caíram de aproximadamente 325 por dia no início de maio para 271 no fim do mês, antes de uma recuperação parcial para cerca de 308 por dia ao longo de junho, segundo dados de embarcações do Wood Mackenzie VesselTracker. O comportamento indica um corredor cada vez mais restrito, em vez de uma normalização das operações.

GNL, GLP e derivados de petróleo estão entre os produtos mais diretamente expostos às restrições do canal. A rota conecta os terminais de exportação da Costa do Golfo dos Estados Unidos aos centros de demanda da bacia do Pacífico. Quando são impostas limitações de calado, os transportadores precisam operar com cargas abaixo da capacidade, disputar vagas de trânsito ou desviar pelo Cabo da Boa Esperança, o que acrescenta aproximadamente 10 a 15 dias ao tempo das viagens.
O resultado é um aumento da demanda por tonelada-milha, uma menor disponibilidade de embarcações e fretes mais elevados, mesmo sem alterações nos fundamentos de oferta e demanda. Entre as commodities energéticas, o GNL é o mais sensível devido às margens estreitas de arbitragem, seguido pelo GLP e pelos derivados de petróleo, cujas janelas de negociação podem ser inviabilizadas até mesmo por aumentos modestos nos custos de frete.
“Monitorar as interrupções nas operações do canal provocadas pelo El Niño e a logística da Costa do Golfo será fundamental para antecipar novas desorganizações nos fluxos de commodities ao longo do terceiro e quarto trimestres de 2026”, afirmou Ian Solis, associado de dados da Wood Mackenzie. “Como muitas regiões, especialmente o Pacífico, enfrentam crises de abastecimento de energia, interrupções como essa podem agravar ainda mais mercados que já estão extremamente apertados”, acrescentou.
RIO RENO REGISTRA MÍNIMAS HISTÓRICAS
Outra importante rota energética da Europa também sofreu os efeitos das condições de seca neste mês. O nível de água em Kaub, um ponto crítico para a navegação de barcaças no rio Reno, no oeste da Alemanha, caiu para apenas 15 centímetros em 11 de agosto, ante 30 centímetros em 28 de julho, atingindo o menor nível já registrado. Os dados da Wood Mackenzie mostram que a maioria das barcaças operava com aproximadamente 25% da capacidade de carga em 12 de agosto.
As tarifas de frete reagiram fortemente. O custo para transportar cargas de Roterdã a Colônia chegou a € 80 por tonelada na semana encerrada em 7 de agosto, ante € 17 por tonelada em meados de junho. No trajeto até Frankfurt, as tarifas subiram de € 29 para € 150 por tonelada no mesmo período.
A combinação de menor capacidade das barcaças e fretes mais elevados pode pressionar as margens das refinarias localizadas no interior da Europa caso as condições persistam durante agosto e setembro, historicamente os meses mais secos da bacia do Reno. O VesselTracker, da Wood Mackenzie, registrou uma melhora das condições na última semana após a ocorrência de chuvas na bacia do Reno.

publicada em 3 de setembro de 2026 às 4:00 




