EM OPERAÇÃO COMERCIAL INÉDITA, A ROSATOM VENDE DUAS USINAS NUCLEARES FLUTUANTES PARA A INDONÉSIA
A estatal russa Rosatom firmou nesta sexta-feira (16) um acordo com a empresa indonésia PT Pembangkit Listrik Nuklir para fornecer eletricidade a partir de duas usinas nucleares flutuantes, em uma operação apresentada como a primeira do mundo voltada à exportação comercial de energia gerada por esse tipo de instalação. Com capacidade conjunta de 200 megawatts (MW), o projeto atenderá a região norte da ilha de Halmahera, na província de Molucas do Norte, no leste da Indonésia. Assinado durante a Semana Russa de Energia, em Moscou, o compromisso prevê a instalação de duas unidades FPU-100, desenvolvidas para operar em ambientes marítimos e regiões de clima quente. A expectativa é que o fornecimento comece em até cinco anos após a entrada em vigor das principais condições contratuais. O empreendimento será financiado pelo setor privado, em um modelo de negócio entre empresas (B2B), sem utilização de recursos do orçamento público indonésio, segundo os responsáveis pela iniciativa. A proposta busca ampliar a oferta de eletricidade em uma região onde o crescimento econômico exige novas fontes de geração. As embarcações serão equipadas com reatores RITM-200M, tecnologia derivada dos sistemas utilizados pela Rússia em sua frota de quebra-gelos nucleares. Cada estrutura terá potência de 100 MW e foi projetada para garantir abastecimento contínuo, independentemente das condições meteorológicas.
“Estamos falando de muito mais do que fornecimento de eletricidade. Estamos estabelecendo as bases para uma parceria de longo prazo“, afirmou Alexey Likhachev, diretor-geral da Rosatom. Segundo o
executivo, o acordo representa um avanço na participação do capital privado em projetos nucleares e abre perspectivas para a adoção dessa tecnologia em regiões costeiras e polos industriais com dificuldades de acesso a grandes redes de transmissão. O projeto integra a estratégia indonésia de diversificação da matriz energética e redução das emissões de carbono. Em 2025, o governo incluiu a fonte nuclear em seu Plano Nacional de Energia, com o objetivo de fortalecer a segurança do abastecimento e alcançar a neutralidade de carbono até 2060. A aproximação entre Moscou e Jacarta ganhou força em julho de 2024,
quando Prabowo Subianto, então presidente eleito da Indonésia, manifestou ao presidente russo Vladimir Putin interesse em aprofundar a cooperação nuclear. Em maio de 2026, o diretor-geral da Rosatom voltou a discutir o tema com Subianto, já na Presidência. As conversas incluíram infraestrutura, formação de profissionais e aplicações pacíficas da tecnologia. A proposta russa contempla duas etapas: inicialmente, a implantação de pequenas centrais flutuantes e, posteriormente, a construção de usinas terrestres com reatores de maior capacidade.
Para lembrar, a Rosatom já opera desde 2020 a Akademik Lomonosov, primeira usina nuclear flutuante do planeta, instalada em Chukotka, no extremo leste da Rússia. Equipada com dois reatores KLT-40S, a estrutura produziu cerca de 1,4 bilhão de quilowatts-hora (kWh) desde o início de suas atividades, de acordo com a estatal. As novas unidades destinadas à Indonésia utilizarão equipamentos da série RITM, que oferecem maior potência, dimensões reduzidas e intervalos mais longos entre as recargas de combustível. A versão FPU-100 foi adaptada para operar em climas quentes, diferentemente das instalações desenvolvidas originalmente para o Ártico.

publicada em 16 de outubro de 2026 às 15:00 




