EMPRESAS BRASILEIRAS AVANÇAM NA CRIAÇÃO DE NOVAS TECNOLOGIAS DE BATERIAS E PAINÉIS SOLARES
Baterias de sódio produzidas com insumos nacionais, sensores portáteis para análise de biogás, redes inteligentes de recarga para veículos elétricos e painéis ultrafinos de perovskita capazes de operar sob luz ambiente fazem parte do conjunto de tecnologias em desenvolvimento pela nova geração de startups vinculadas ao Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), sediado na Unicamp. O CINE recebe apoio do Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO), que colabora na agenda voltada à transição energética. Essas empresas têm em comum a busca por reduzir dependências externas, diminuir custos produtivos e criar alternativas competitivas em áreas como armazenamento de energia, monitoramento de biogás e geração solar.
A Cath Energy desenvolve materiais ativos de cátodo para baterias de sódio como alternativa às baterias de lítio, hoje dominadas pela indústria chinesa. A proposta envolve uma rota de produção baseada em minérios brasileiros — manganês, ferro e sódio — com uso de materiais reciclados e sem geração de salmoura residual. Além de permitir redução expressiva nas emissões de CO₂ durante a fabricação, a solução apresenta vantagem econômica por usar sódio, elemento mais abundante e de menor custo, dependente de insumos locais. Isso reduz exposição cambial e logística associada às importações de lítio. A startup opera em TRL-4 e pretende instalar um piloto de 10 kg/hora até 2027, suficiente para 155 MWh/ano, com início de industrialização previsto para 2028. O modelo de negócio prevê parcerias com mineradoras e recicladoras, com foco inicial em exportações para Estados Unidos e Europa.
A Future Flow desenvolve baterias de fluxo à base de chumbo voltadas ao armazenamento estacionário, especialmente em áreas rurais das regiões Norte e Nordeste, onde há maior variação na qualidade do fornecimento de energia. O sistema opera com um único canal de fluxo e dispensa membranas separadoras — componente relevante no custo de baterias convencionais de fluxo. Isso reduz o preço, simplifica a operação e aproveita a cadeia de reciclagem de chumbo já estruturada no país. Em TRL-4, a empresa estima investimento de R$ 1,5 milhão até 2028 para chegar ao TRL-7 e iniciar a implantação em fazendas no início da próxima década.
A BF Sense desenvolveu um sensor portátil e uma plataforma digital para medir composição e pureza do biogás diretamente nas unidades de produção. O dispositivo busca ser uma alternativa mais acessível e escalável aos cromatógrafos, que têm custo elevado e uso restrito a laboratórios. A tecnologia, integrada à internet das coisas (IoT), permite que produtores monitorem continuamente a eficiência do processo e aprimorem o aproveitamento energético dos resíduos. A startup busca R$ 500 mil para concluir testes em campo e melhorar o software, com recursos de monitoramento remoto multigás e relatórios automatizados.
A Recarregue desenvolve uma rede inteligente composta por recarga rápida e armazenamento distribuído, operando inclusive em locais sem infraestrutura elétrica completa. O sistema integra baterias estacionárias, geração renovável e comunicação em rede (smart grid), com recarga por tag, sem necessidade de aplicativo. Na primeira fase, submetida à FINEP, o projeto prevê R$ 14 milhões para instalar 20 pontos de recarga entre São Luís e Salvador, formando um corredor energético autônomo. O plano de expansão prevê 400 estações e 80 MWh de armazenamento distribuído até 2035, com receita anual estimada em R$ 100 milhões.
A Soluz trabalha com painéis solares ultrafinos de perovskita, material semicondutor de nova geração capaz de gerar eletricidade a partir da luz ambiente, inclusive iluminação interna. A proposta substitui pilhas e baterias descartáveis em etiquetas eletrônicas, sensores e pequenos displays usados em supermercados, escritórios e centros logísticos. O benefício econômico está na eliminação da reposição constante de baterias, reduzindo custos operacionais e volume de resíduos eletrônicos. As perovskitas têm eficiência até três vezes maior que o silício sob luz artificial e podem ser produzidas e recicladas no Brasil, com reaproveitamento de cerca de 70% dos materiais. A Soluz prevê uma planta-piloto em 2026 e início das operações comerciais em 2028, com foco inicial no setor de automação comercial e varejo, que já adota etiquetas digitais.

publicada em 26 de novembro de 2025 às 5:00 





