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ENERGIA NUCLEAR VIVE RENASCIMENTO EM 2026 ENQUANTO RITMO DE CRESCIMENTO DE RENOVÁVEIS DESACELERA

O setor elétrico global entra em 2026 em um ponto de inflexão, segundo uma nova análise publicada pela Rystad Energy nesta semana. A demanda por eletricidade segue em aceleração, impulsionada pela eletrificação de diferentes setores da economia, pela expansão de data centers e pelo crescimento do transporte elétrico. Ao mesmo tempo, o ritmo de crescimento da capacidade instalada de fontes renováveis começa a perder força, pressionado por entraves regulatórios, maior maturidade de alguns mercados e desafios no financiamento de novos projetos. Enquanto isso, a energia nuclear passa por um novo ciclo de expansão em 2026. A tecnologia deve adicionar cerca de 14 gigawatts (GW) de nova capacidade de geração ao longo do ano, o maior acréscimo líquido registrado em quase três décadas.

Nos Estados Unidos, 2026 pode marcar o primeiro caso de retomada de operação de uma usina nuclear anteriormente desativada. A usina de Palisades, com capacidade de 800 megawatts (MW), pode voltar a operar após ter sido desligada e descomissionada. Caso o processo seja concluído, será a primeira reativação desse tipo no país, o que pode abrir caminho para extensões de vida útil de outros reatores, alternativa considerada mais econômica do que a construção de novas unidades”, escreveu o chefe de pesquisa energética da Rystad, Carlos Torres Diaz.

Os pequenos reatores modulares (SMRs) também seguem ganhando atenção, com investimentos e contratos de compra de energia assinados ao longo de 2025. Ainda assim, a Rystad avalia que é improvável a tomada de decisões finais de investimento para novos projetos de SMR ao longo de 2026.

O setor nuclear deve adicionar cerca de 14 gigawatts (GW) de nova capacidade de geração ao longo do ano, o maior acréscimo líquido registrado em quase três décadas. A maior parte dessa capacidade será comissionada na China, mas países como Índia, Bangladesh, Turquia e Coreia do Sul também devem contribuir para o crescimento”, acrescentou Torres.

DESACELERAÇÃO DAS RENOVÁVEIS 

Após mais de duas décadas de expansão contínua, o crescimento da capacidade instalada de geração renovável deve desacelerar pela primeira vez desde o início dos anos 2000. Em 2025, foram comissionados 703 GW de capacidade renovável no mundo, impulsionados principalmente pela energia solar fotovoltaica na China.

O país asiático respondeu por cerca de 300 GW de nova capacidade solar no ano passado, mais da metade de toda a expansão global. Esse movimento foi influenciado por mudanças na política de preços da energia renovável, que entraram em vigor em junho de 2025, levando desenvolvedores a anteciparem a entrada em operação de projetos.

Os efeitos dessas mudanças devem se estender para 2026. A expectativa é que a China comissione 235 GW de capacidade solar fotovoltaica e 98 GW de energia eólica ao longo do ano. Com isso, a adição global de capacidade renovável deve recuar de 703 GW em 2025 para cerca de 650 GW em 2026.

Mesmo com a desaceleração no ritmo de novas instalações, a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis continuará crescendo. De acordo com a Rystad Energy, a produção combinada de hidrelétricas, solar, eólica, geotérmica e outras fontes renováveis passou de 2.886 terawatt-hora (TWh) em 2000 para aproximadamente 10.742 TWh em 2025, com a maior parte desse avanço vindo da solar e da eólica.

Para 2026, a expectativa é que a geração renovável alcance cerca de 11.900 TWh, superando o carvão como principal fonte de geração de eletricidade no mundo. O carvão, que chegou a responder por quase 40% da matriz elétrica global em 2000, apresenta um cenário de estagnação, já que praticamente toda a nova demanda vem sendo atendida por fontes renováveis.

Segundo a análise, esse movimento marca uma mudança estrutural no setor elétrico global, com implicações diretas para investimentos, políticas públicas e planejamento energético nos próximos anos.

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