ENFORCAMENTO MARCADO NO IRÃ ELEVA AMEAÇA AMERICANA. BASE NO CATAR ENTRA EM ALERTA E PETRÓLEO SOBE PARA US$ 66,3
Os Estados Unidos alertaram seus militares da base do Catar após o Irã prometer revidar com uma resposta militar se os americanos atacarem alvos iranianos. Al Udeid é a maior base militar americana no Oriente Médio e abriga cerca de dez mil soldados. Alguns militares foram aconselhados a deixar a Base Aérea até a noite desta quarta-feira (14), segundo o jornal israelense Jerusalem Post, em meio a alertas de Washington de que poderia intervir para proteger manifestantes no Irã. “Trata-se de uma mudança de postura, um alerta, e não de uma evacuação ordenada“, disse um dos diplomatas ao jornal. Um alto funcionário iraniano disse que o Irã alertou aos países da região de que atacaria
bases militares americanas em seus territórios em caso de um ataque dos EUA. “Teerã informou aos países da região, Arábia e Emirados Árabes Unidos e à Turquia, que as bases americanas nesses países serão atacadas se os EUA atacarem o Irã”, pedindo a esses países que impeçam Washington de atacar o Irã. Trump também alertou o Irã contra retaliações contra os EUA, afirmando que, caso isso ocorresse, os EUA responderiam com níveis de força “nunca vistos antes”. A fonte oficial iraniana também confirmou que as comunicações diretas entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (direita), e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, foram suspensas.
O Presidente Trump instou o regime iraniano a cancelar a execução de um manifestante de 26 anos, que está marcada para ainda hoje (14), condenado sem um julgamento. O governo iraniano deu dez minutos para ele se despedir da família. Erfan Soltani (esquerda) foi preso em sua casa no dia 8 de janeiro. Embora haja milhares de mortos nos protestos, Soltani é o primeiro a ser condenado à morte. As ONGs Iran Human Rights (IHRNGO) e National Union for Democracy in Iran (NUFD) informaram que ele será executado por enforcamento. A Relatora Especial sobre a situação dos direitos humanos na
República Islâmica do Irã, Mai Sato (direita), disse que “Mesmo que a execução planejada não seja realizada hoje, tanto a declaração de intenção de usar a pena de morte quanto a condenação de um manifestante por moharabeh (inimizade contra Deus) não são apenas ilegais, mas também sinais claros de desrespeito à liberdade de reunião e expressão. A pena de morte não é a resposta de um país onde a liberdade de reunião e expressão são respeitadas.”
Por que as ações do Presidente Donald Trump para defender a população iraniana indigna mais o governo brasileiro e boa parte de analistas da mídia tradicional brasileira do que as milhares de mortes que estão acontecendo no país persa? Trump está sendo atacado nas mídias por defender a população iraniana. Esta é uma grande questão a ser respondida. Depois de um silêncio profundo desde o dia 28 de dezembro, quando começaram os protestos em Teerã, e as mortes provocadas pelo aparato oficial do regime dos Aiatolás iranianos, o governo Lula se manteve em silêncio. Ontem (13), divulgou uma nota magra, de poucas linhas, expressando mais a preocupação com o crescimento das “manifestações populares” do que propriamente contra os assassinatos da população reprimida pela Guarda Revolucionária. O governo Lula apoia o Irã, mesmo sabendo que os Aiatolás incentivam, financiam e armam grupos terroristas, como Hamas, Hezbolah e Houthis, e tem conhecimento do nível de repressão imposta contra mulheres e jovens iranianos, que participam dos protestos.
O presidente Trump prometeu apoio a população iraniana e foi bem claro: “Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas. Tomaremos medidas muito duras se fizerem algo assim.” Especialistas militares e ex-funcionários do governo americano disseram que as forças armadas podem escolher alvos específicos, incluindo a infraestrutura militar e da Guarda Revolucionária iraniana, centros de comando e controle, além de depósitos de armas e suprimentos usados pelo regime e suas milícias. O presidente americano também já sinalizou, que os ataques aéreos americanos poderia atingir o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
A primeira medida americana, não parece ter arrefecido a ira iraniana contra seu próprio povo. A imposição de tarifas de 25% sobre qualquer país que fizer negócios com o Irã, não parece ter surtido efeito. O Brasil é um dos parceiros do regime que podem ser afetados pela nova cobrança. A contagem do número de mortes está variando. Oficialmente, informado pelo regime dos Aiatolás, é de duas mil pessoas. Mas há centenas corpos empilhados nas 31 províncias iranianas que aderiram às manifestações. Uma ONG do próprio Irã aponta que pode passar de 12 mil pessoas. Outras falam em pelo menos 3 mil. Não há um informe que seja definitivo.
A violência fez países europeus e a própria União Europeia convocarem diplomatas iranianos como uma represália à nação persa. A lista inclui Dinamarca, Reino Unido, Espanha, Alemanha e França, que criticaram a repressão aos protestos e afirmaram ter convocado os representantes diplomáticos iranianos para explicações. O secretário-geral da Otan, o holandês Mark Rutte, afirmou que os acontecimentos no Irã são repulsivos.
Toda esta tensão se reflete no mercado do petróleo. Os futuros do bruto Brent subiram para cerca de US$ 66,3 por barril na manhã desta quarta-feira (14), ampliando os ganhos por uma quinta sessão consecutiva e atingindo o nível mais alto desde o início de outubro, à medida que os riscos geopolíticos no Oriente Médio dominavam as negociações. Os preços foram sustentados pela crescente preocupação com a agitação no Irã e a possibilidade de envolvimento dos EUA, após relatos de que alguns funcionários dos EUA foram aconselhados a deixar uma base aérea no Catar, que já foi alvo do Irã. A instabilidade aumentou os temores de que a produção diária de petróleo bruto do Irã, de aproximadamente 3,3 milhões de barris, possa ser interrompida, apertando o fornecimento global. Essas preocupações superaram os sinais baixistas de inventário, já que dados da indústria mostraram um aumento de 5,3 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto dos EUA, juntamente com aumentos na gasolina e destilados.

publicada em 14 de janeiro de 2026 às 10:30 






