ENGENHEIROS DA AEPET FALAM EM COLONIALISMO E CRITICAM A PETROBRÁS POR EXPORTAR PETRÓLEO EM EXCESSO E IMPORTAR DERIVADOS DEMAIS
O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Felipe Coutinho, publicou um artigo há três anos, querendo demonstrar que o Brasil havia retomado — e aprofundado — um padrão primário-exportador típico de ciclos coloniais. Ou seja: apenas exportar petróleo cru em volumes recordes e importar derivados de maior valor agregado, com “perda de soberania energética e controle estrangeiro sobre o recurso nacional”, como ele classificou na época. Na ocasião, os dados disponíveis iam até junho de 2023. Agora, com os números consolidados de 2024 e 2025 divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), ele diz que é possível afirmar que “o recorde silencioso persiste, aprofunda-se e ganha novos contornos geopolíticos”.
Os dados mais recentes, extraídos ou processados a partir da base oficial da ANP e do MDIC, segundo Coutinho, tem um dado importante: “a participação majoritária de empresas estrangeiras — tanto estatais quanto privadas — na exportação do petróleo brasileiro.” Esses dados incluem:
- Os volumes de exportação de petróleo de 2014 a 2025;
- Os volumes de exportação e importação de Gasolina A e Óleo Diesel de 2014 a 2025;
- Os valores fechados de 2025, que confirmam novo recorde histórico de exportação de petróleo cru;
- A desagregação por país parceiro até 2025, mantendo o rigor metodológico;
- Um novo fenômeno: a consolidação da Rússia como principal fornecedora de diesel para o Brasil, mesmo sob sanções internacionais
Em 2025, foram exportados do Brasil mais de 700 milhões de barris de petróleo bruto, o maior volume da história. O valor total das exportações de petróleo alcançou US$ 44,6 bilhões no ano, ligeiramente abaixo do recorde de US$ 44,8 bilhões de 2024, mas ainda assim o segundo maior da série histórica. “É fundamental destacar, contudo, que não é o Brasil enquanto nação ou povo brasileiro que se beneficia prioritariamente dessas exportações”, diz Felipe. Na verdade, neste aspecto, o destaque que o presidente da AEPET quer dar é a informação de que quem exporta o petróleo são empresas petrolíferas, em sua maioria estrangeiras, sejam estatais, como a chinesa CNPC, a norueguesa Equinor, ou privadas, como a anglo-holandesa Shell, a norte-americana ExxonMobil, a francesa TotalEnergies, a espanhola Repsol, que operam no território nacional e enviam o recurso para seus países de origem ou para o mercado internacional. Apenas uma parcela dos royalties e impostos fica no Brasil. A maior parte do valor agregado fica com Estados ou acionistas estrangeiros.
Exportação de Petróleo (Fonte: ANP)
| Ano | Exportação média diária (bpd) |
|---|---|
| 2014 | 518.908 |
| 2015 | 736.741 |
| 2016 | 798.239 |
| 2017 | 996.569 |
| 2018 | 1.123.314 |
| 2019 | 1.172.400 |
| 2020 | 1.370.950 |
| 2021 | 1.323.070 |
| 2022 | 1.345.703 |
| 2023 | 1.594.180 |
| 2024 | 1.746.153 |
| 2025 | 1.922.850 |
Volumes anuais de exportação e importação de Gasolina A e Óleo Diesel (m³) — 2014 a 2025 (fonte: ANP)
| Ano | Gasolina A (Exportação) | Gasolina A (Importação) | Óleo Diesel (Exportação) | Óleo Diesel (Importação) |
|---|---|---|---|---|
| 2014 | 348.066 | 2.176.993 | 390.531 | 11.275.109 |
| 2015 | 609.532 | 2.469.576 | 81.284 | 6.940.100 |
| 2016 | 721.694 | 2.926.182 | 476.421 | 7.918.324 |
| 2017 | 471.223 | 4.488.505 | 500.967 | 12.955.230 |
| 2018 | 1.390.641 | 2.966.859 | 945.194 | 11.649.957 |
| 2019 | 3.018.715 | 4.828.412 | 44.805 | 13.007.765 |
| 2020 | 2.369.224 | 3.944.014 | 315.594 | 11.994.559 |
| 2021 | 1.794.574 | 2.419.964 | 36.727 | 14.436.654 |
| 2022 | 546.005 | 4.318.433 | 92.309 | 15.931.853 |
| 2023 | 1.428.786 | 3.951.592 | 308.651 | 14.495.908 |
| 2024 | 1.979.387 | 2.739.768 | 1.028.120 | 14.319.199 |
| 2025 | 1.231.815 | 3.496.727 | 728.843 | 17.092.575 |
O Brasil é historicamente importador líquido de diesel, com volumes anuais importados entre 7 e 17 milhões de m³ , enquanto a exportação é residual. Na gasolina, o país é consistentemente importador líquido, com importações anuais entre 2,2 e 4,8 milhões de m³, superando as exportações em toda a série histórica (2014-2025).
“O dado mais relevante e mais escandaloso, é a crescente participação de empresas estrangeiras nas exportações de petróleo realizadas a partir do Brasil. Não se trata apenas de exportar petróleo cru, o que já é condenável do ponto de vista do desenvolvimento nacional. Trata-se de exportar petróleo cru por empresas que não são brasileiras. Sejam estatais estrangeiras, que respondem a governos de outros países, ou privadas estrangeiras, que respondem a acionistas no exterior, e que levam os lucros para seus países de origem.”
Felipe diz que os dados históricos da Petrobrás mostram uma tendência preocupante: Em 2009, as petrolíferas estrangeiras respondiam por menos de 10% do petróleo exportado a partir do Brasil. Em 2024, a participação da Petrobrás nas exportações totais caiu para 34%, enquanto as empresas estrangeiras responderam por 66%. Em 2025, a participação da Petrobrás foi de aproximadamente 40%, com as estrangeiras respondendo por 60%.
Participação (%) relativa na exportação de petróleo a partir do Brasil (Fontes: ANP e Petrobrás)
| Ano | Exportação Total Brasil (bpd) | Exportação Petrobras (bpd) | Participação Petrobras (%) | Participação Estrangeiras (%) |
|---|---|---|---|---|
| 2014 | 518.908 | 405.000 | 78% | 22% |
| 2015 | 736.741 | 545.000 | 74% | 26% |
| 2016 | 798.239 | 543.000 | 68% | 32% |
| 2017 | 996.569 | 598.000 | 60% | 40% |
| 2018 | 1.123.314 | 618.000 | 55% | 45% |
| 2019 | 1.172.400 | 610.000 | 52% | 48% |
| 2020 | 1.370.950 | 658.000 | 48% | 52% |
| 2021 | 1.323.070 | 582.000 | 44% | 56% |
| 2022 | 1.345.703 | 538.000 | 40% | 60% |
| 2023 | 1.594.180 | 606.000 | 38% | 62% |
| 2024 | 1.746.153 | 594.000 | 34% | 66% |
| 2025 | 1.922.850 | 765.000 | 40% | 60% |
Pelo levantamento da AEPET, os dados mais recentes da Petrobrás mostram que a própria estatal, sozinha, responde por cerca de 89% da produção total de petróleo e gás no Brasil quando considerados todos os campos em que opera, incluindo consórcios. No entanto, a participação da Petrobrás nas exportações totais é muito menor porque uma parcela significativa do petróleo produzido pela estatal é refinada no país, enquanto as empresas estrangeiras exportam praticamente toda a sua produção. Em 2025, a Petrobrás exportou cerca de 765 mil barris por dia, o que representou aproximadamente 28% de sua produção total. Enquanto isso, as multinacionais, que não possuem unidades de refino no Brasil, exportam a quase totalidade do que produzem: “as empresas estrangeiras que operam no Brasil e que ganharam acesso ao pré-sal por meio de leilões acelerados nos governos Temer e Bolsonaro, levam embora a maior parte do petróleo extraído em território nacional. O Brasil fica com royalties e impostos. O valor agregado e os empregos de alta tecnologia ficam lá fora, apropriados por Estados ou acionistas estrangeiros.”
Destino das exportações de petróleo da Petrobrás (4T-2025, Fonte: Petrobrás)
| Destino | Participação |
|---|---|
| China | 53% |
| Ásia (exceto China) | 19% |
| Europa | 15% |
| Estados Unidos | 3% |
| América Latina | 6% |
| África do Sul | 2% |
Em 2025, o superávit comercial do setor de petróleo e derivados foi de aproximadamente US$ 35 bilhões. “Esse saldo positivo, no entanto, esconde uma estrutura perversa: são exportados petróleo cru de baixo valor agregado e importados derivados mais caros. A maior parte da balança comercial favorável beneficia as empresas exportadoras (em grande medida estrangeiras), não necessariamente o povo brasileiro”, diz Felipe Coutinho .
Balança comercial do setor petróleo e derivados (US$ bilhões, Fonte: IBP)
| Ano | Exportações | Importações | Saldo |
|---|---|---|---|
| 2022 | ~38,0 | ~28,5 | ~9,5 |
| 2023 | ~40,2 | ~27,8 | ~12,4 |
| 2024 | ~44,8 | ~8,5 | ~36,3 |
| 2025 | ~44,5 | ~9,5 | ~35,0 |
DIESEL E GASOLINA
Coutinho lembra que que um dos fenômenos mais notáveis do período 2023-2025 foi a substituição dos Estados Unidos pela Rússia como principal fornecedora de diesel para o Brasil, embora o papel dos agentes privados nesse processo teve muita importância. Entre 2017 e junho de 2023, importadores e distribuidoras privadas responderam por entre 65% e 76% das importações de derivados, aproveitando-se da política de preços paritários.
Origem das importações brasileiras de diesel — participação relativa (%)
Fonte: MDIC
| Ano | 1º País | % | 2º País | % | 3º País | % |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2014 | Estados Unidos | 55,2% | Coreia do Sul | 13,8% | Índia | 11,5% |
| 2015 | Estados Unidos | 53,7% | Coreia do Sul | 14,2% | Índia | 12,1% |
| 2016 | Estados Unidos | 51,4% | Coreia do Sul | 15,3% | Índia | 13,7% |
| 2017 | Estados Unidos | 48,2% | Coreia do Sul | 16,9% | Índia | 15,4% |
| 2018 | Estados Unidos | 46,5% | Coreia do Sul | 17,4% | Índia | 16,8% |
| 2019 | Estados Unidos | 44,1% | Índia | 18,2% | Coreia do Sul | 15,3% |
| 2020 | Estados Unidos | 42,3% | Índia | 19,8% | Coreia do Sul | 14,7% |
| 2021 | Estados Unidos | 38,2% | Índia | 22,5% | Coreia do Sul | 16,1% |
| 2022 | Estados Unidos | 35,4% | Rússia | 28,1% | Índia | 14,3% |
| 2023 | Rússia | 48,7% | Estados Unidos | 25,3% | Índia | 11,2% |
| 2024 | Rússia | 41,0% | Estados Unidos | 28,0% | Índia | 13,0% |
| 2025 | Rússia | 45,0% | Estados Unidos | 25,0% | Índia | 12,0% |
Destino das exportações de petróleo a partir do Brasil: China hegemônica (Fonte: MDIC):
| Ano | 1º País | % | 2º País | % | 3º País | % |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2014 | China | 38,7% | Índia | 8,9% | Portugal | 8,2% |
| 2015 | China | 47,4% | Índia | 11,7% | Portugal | 5,6% |
| 2016 | China | 47,6% | Índia | 8,9% | Portugal | 6,4% |
| 2017 | China | 49,9% | Índia | 8,1% | Chile | 6,6% |
| 2018 | China | 59,5% | Chile | 8,1% | Portugal | 5,2% |
| 2019 | China | 65,6% | Chile | 7,5% | Índia | 4,1% |
| 2020 | China | 58,4% | Chile | 9,0% | Espanha | 7,4% |
| 2021 | China | 57,2% | Chile | 9,3% | Espanha | 5,7% |
| 2022 | China | 61,5% | Espanha | 6,8% | Estados Unidos | 5,7% |
| 2023 | China | 60,7% | Espanha | 7,4% | Chile | 6,5% |
| 2024 | China | 44,0% | Estados Unidos | 13,7% | Espanha | 10,7% |
| 2025 | China | 45,0% | Índia | 8,0% | Estados Unidos | 7,0% |
Gasolina: hegemonia americana nas importações (Fonte: MDIC)
| Ano | 1º País | % | 2º País | % | 3º País | % |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 2014 | Estados Unidos | 59,8% | Coreia do Sul | 18,1% | Emirados Árabes | 12,3% |
| 2015 | Estados Unidos | 62,4% | Coreia do Sul | 16,3% | Emirados Árabes | 11,5% |
| 2016 | Estados Unidos | 58,7% | Coreia do Sul | 19,2% | Emirados Árabes | 12,1% |
| 2017 | Estados Unidos | 52,1% | Coreia do Sul | 22,4% | Emirados Árabes | 13,8% |
| 2018 | Estados Unidos | 55,3% | Coreia do Sul | 18,7% | Emirados Árabes | 14,2% |
| 2019 | Estados Unidos | 61,2% | Coreia do Sul | 13,5% | Emirados Árabes | 12,4% |
| 2020 | Estados Unidos | 58,4% | Emirados Árabes | 16,7% | Coreia do Sul | 12,1% |
| 2021 | Estados Unidos | 65,1% | Emirados Árabes | 14,3% | Coreia do Sul | 8,4% |
| 2022 | Estados Unidos | 62,3% | Emirados Árabes | 15,8% | Índia | 11,2% |
| 2023 | Estados Unidos | 54,7% | Emirados Árabes | 19,2% | Índia | 14,5% |
| 2024 | Estados Unidos | 52,0% | Emirados Árabes | 21,0% | Índia | 15,0% |
| 2025 | Estados Unidos | 50,0% | Emirados Árabes | 20,0% | Índia | 15,0% |
“É uma falácia dizer que “o Brasil não tem capacidade de refino para atender o mercado.” A guerra deflagrada em 28 de fevereiro de 2026 entre EUA/Israel e o Irã expôs de forma cruel a vulnerabilidade do Brasil. Uma vulnerabilidade que não decorre da falta de capacidade instalada, mas sim da decisão política de subutilizar o parque de refino nacional e manter a dependência externa de derivados.”
Para Coutinho, a análise histórica do Fator de Utilização de Refino (FUT) da Petrobrás é inequívoca e demonstra que o país sempre teve capacidade de produzir internamente a maior parte dos derivados que consome. Entre 2003 e 2014, o FUT manteve-se consistentemente entre 89% e 92%, com pico de 92% em 2008, lembra. Durante esses anos- diz – “o país operava seu parque de refino em altos níveis de utilização. A capacidade instalada era suficiente para atender a quase totalidade da demanda. 97,3% do diesel consumido poderia ser produzido internamente, restando uma necessidade residual de importação. O problema nunca foi a falta de capacidade de refino, mas sim a decisão política, a partir de 2016, de subutilizar essa capacidade e privilegiar a importação por meio da política de Preços de Paridade de Importação (PPI).”
Coutinho diz que a virada ocorreu com a adoção do Preço de Paridade de Importação (PPI) em outubro de 2016 e o aprofundamento do que ele chama de “desmonte do Sistema Petrobrás”. O resultado, afirma, foi imediato e devastador para o parque de refino nacional: o FUT despencou de 89% em 2015 para 81% em 2017, atingindo o fundo de 80% em 2020 — uma ociosidade de 20%, lembra. Para ele, foi o preço da abertura do mercado e da política que privilegiava a importação em detrimento da produção nacional. “As refinarias passaram a operar muito abaixo de sua capacidade, enquanto importadores privados lucravam com a política de paridade: ao vender derivados no mercado interno com preços atrelados ao mercado internacional, a Petrobrás garantia margens atraentes para os importadores privados, que podiam comprar no exterior e revender internamente sem concorrência de preços mais baixos da estatal.”
– E por que ainda hoje não conseguimos ser independentes?
– Desde o anúncio do suposto fim do PPI pela direção da Petrobrás em maio de 2023, nove reajustes mantiveram os preços alinhados ou superiores à paridade internacional. O décimo reajuste, em 14 de março de 2026, foi o primeiro a fixar o preço do diesel 18% abaixo do PPI, um fato inédito e isolado, não a consolidação de uma nova política. O problema não é técnico, é político. A subutilização do parque de refino foi uma escolha deliberada para justificar as importações e a manutenção do PPI.
– Mas agora a Petrobrás parece correr para duplicar a capacidade do RNEST, por exemplo…
– Veja, a Refinaria de Paulínia, a maior do país, alcançou em setembro de 2024 uma produção de 12,8 milhões de litros de diesel S-10 por dia, o maior volume desde o início do programa de produção do combustível. Mais relevante ainda para o momento de crise que se instaurou a partir de 28 de fevereiro de 2026: diante da necessidade urgente de proteger o mercado interno, a Petrobrás passou a operar seis de suas 11 refinarias acima da capacidade nominal instalada. A Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, chegou a operar a 109% de sua capacidade. Estes fatos demonstram que, quando a situação exige, o parque de refino nacional pode ser mobilizado para produzir muito além do que vinha produzindo nos anos de vigência plena do PPI. A capacidade existe. O que faltou foi decisão política de utilizá-la.
– Poderá haver desabastecimento?
– A principal objeção ao rompimento do PPI sempre foi a ameaça de desabastecimento: se a Petrobrás vendesse diesel abaixo do preço de importação, os importadores privados deixariam de trazer o produto, e a estatal não teria capacidade de suprir toda a demanda. O que os dados de março de 2026 mostram é que essa falácia só se sustenta enquanto se ignora o potencial de ampliação da produção nacional. Ao operar refinarias acima da capacidade nominal e mobilizar investimentos recentes em unidades de hidrotratamento, a Petrobrás demonstrou que pode, sim, aumentar significativamente sua oferta de diesel em curto prazo.
– Desde que o senhor escreveu o artigo falando sobre uma espécie de colonialismo energético, mudou alguma coisa nesta relação comercial?
– Os dados de 2024 e 2025 mostram que a estrutura colonial permanece a mesma: é exportado petróleo cru em volumes recordes. A maior parte por empresas estrangeiras, estatais e privadas e são importados derivados de maior valor agregado; A China continua como o principal destino do petróleo exportado a partir do Brasil; A Rússia consolidou-se como a principal fornecedora de diesel importado pelo Brasil; Os Estados Unidos são o principal país de origem da gasolina importada pelo Brasil; A participação estrangeira nas exportações de petróleo manteve-se em patamar elevado. A importação de derivados segue como gargalo estrutural, com destaque para o diesel.
– O que a AEPET sugere para tirar o Brasil desta rota?
– Proponho cinco medidas: Interromper os leilões de exploração em velocidade superior à demanda nacional; Alterar a política de preços, consolidando a ruptura com o PPI; Adotar altos investimentos com conteúdo nacional; Taxar permanentemente a exportação de petróleo cru e limitar a participação estrangeira e Reestatizar a BR Distribuidora e as refinarias RLAM, RPCC e REMAN. Enquanto o Brasil exportar cerca de dois milhões de barris de petróleo cru por dia, a maior parte por estrangeiros, e importar diesel russo e gasolina americana, estará sustentando o desenvolvimento alheio com seus recursos naturais estratégicos e finitos. A exportação de petróleo cru por empresas estrangeiras é a consagração do modelo colonial no século XXI. É preciso estancar as veias dilaceradas do Brasil.

publicada em 15 de abril de 2026 às 4:00 




