EPE DESTACA O PAPEL DA ENERGIA NUCLEAR PARA OS PLANOS DE DESCARBONIZAÇÃO NO BRASIL
Firmeza, baixa intensidade de carbono e segurança. Essas são três características que foram consideradas pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ao desenhar o papel da energia nuclear no novo Plano Nacional de Energia (PNE) 2055. A consultora técnica da EPE, Regina Fernandes, participou hoje (23) do primeiro dia do evento Nuclear Summit 2026, no Rio de Janeiro. Durante o evento, ela reconheceu que a inserção da nuclear nos cenários de descarbonização intensiva do PNE 2055 não ocorreu de forma arbitrária.
“Isso é resultado de uma lógica de utilização do sistema elétrico dentro de um modelo que identifica na nuclear as características necessárias para compor a matriz. O modelo oferece espaço para fontes com esse perfil”, declarou a especialista.
Regina afirmou que a energia nuclear provê muita firmeza ao sistema, pois entrega capacidade e energia contínua, sendo uma fonte despachável. “Com o crescimento das fontes renováveis variáveis na matriz, surge a demanda por outros recursos que garantam o suprimento. Nesse sentido, a nuclear atua como uma fonte complementar e implementável para preencher as lacunas da intermitência”, detalhou.
Outro aspecto fundamental da energia nuclear, de acordo com a consultora técnica, é a baixa intensidade de carbono. Ela apontou que o carvão mineral e o gás natural também oferecem firmeza, mas seu alto custo emissivo traz restrições dentro da agenda climática atual. Já a fonte hidrelétrica, que também possui certa firmeza, encontra restrições geográficas e ambientais para sua expansão.
Além disso, a especialista afirmou que a energia nuclear reduz a vulnerabilidade do sistema. “Por ser uma fonte de geração contínua e de baixa emissão, ela favorece um objetivo central do sistema elétrico: a menor dependência de combustíveis fósseis e a redução da exposição à variabilidade climática e sazonal das fontes intermitentes”, pontuou.
Em linha com as ambições climáticas, o PNE 2025 prevê a viabilização de até 14 GW da tecnologia nuclear, incluindo Pequenos Reatores Nucleares Modulares (SMR). “Nesse cenário, trabalhamos com a combinação da geração nuclear convencional e dos reatores modulares. Temos essa perspectiva devido às características da fonte, que é limpa, firme e despachável”, frisou.
Por fim, Regina destacou que a inserção da nuclear no PNE está estritamente vinculada às metas climáticas. “Em todos os nossos cenários com metas de descarbonização, a fonte se destaca. Já nos cenários onde essas metas não são priorizadas, não observamos uma progressão tão ritmada”, concluiu.

publicada em 23 de março de 2026 às 19:00 




