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ESTUDO APONTA QUE COMBINAÇÃO DE RENOVÁVEIS E BATERIAS TEM PREÇOS COMPETITIVOS NA COMPARAÇÃO COM FONTES FÓSSEIS

A energia solar e eólica combinada com sistemas de armazenamento em baterias já é capaz de fornecer eletricidade confiável e competitiva durante 24 horas por dia, segundo um novo relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA). O estudo concluiu que, em regiões com alta incidência solar e bons recursos eólicos, soluções híbridas associadas a baterias conseguem entregar energia contínua a custos inferiores aos dos combustíveis fósseis. A análise da IRENA mostra que os custos dessas soluções vêm caindo rapidamente devido à redução dos preços da energia solar fotovoltaica, da geração eólica e do armazenamento em baterias. Desde 2010, os custos totais instalados caíram 87% para solar fotovoltaica e 55% para eólica onshore. Já os custos das baterias recuaram 93%.

De acordo com a IRENA, os custos de sistemas solares com baterias caíram de mais de US$ 100 por MWh em 2020 para cerca de US$ 54 a US$ 82 por MWh em 2025 em regiões de alta irradiação solar e fortes corredores de vento. O relatório projeta novas reduções de aproximadamente 30% até 2030 e de cerca de 40% até 2035, levando os custos abaixo de US$ 50 por MWh nos melhores locais até 2035. Em comparação, novas usinas a carvão na China apresentam custos entre US$ 70 e US$ 85 por MWh, enquanto novas usinas a gás superam US$ 100 por MWh em nível global.

A pior crise energética em décadas expôs o verdadeiro custo da dependência de combustíveis fósseis”, afirmou António Guterres (foto ao lado), secretário-geral das Nações Unidas. “Mas outro caminho agora é possível. A energia renovável está se tornando cada vez mais a opção mais acessível, confiável e segura. Precisamos acelerar a transição, investir em infraestrutura energética e fortalecer a cooperação internacional para finalmente entregar energia limpa e produzida localmente para as pessoas em todo o mundo”, acrescentou.

O diretor-geral da IRENA, Francesco La Camera (foto principal), afirmou que o argumento de que as renováveis não são confiáveis já não se sustenta. “Hoje, elas podem fornecer energia contínua e confiável. Enquanto os mercados de petróleo e gás seguem expostos a choques geopolíticos, incluindo as interrupções em andamento no Estreito de Hormuz, precisamos proteger nossas economias com sistemas renováveis resilientes”, disse.

Segundo ele, a economia do sistema energético mudou significativamente com a queda dos custos das baterias e os avanços em armazenamento. “A vantagem das renováveis não é apenas econômica, mas também estratégica, fortalecendo resiliência, estabilidade e segurança energética em períodos de crise”, ponderou.

O relatório destaca ainda que sistemas híbridos renováveis otimizam o uso de conexões limitadas à rede elétrica, deslocam a produção para horários de maior valor e reduzem a exposição à volatilidade de preços. Essas soluções também são vistas como adequadas para consumidores com alta demanda contínua de energia, como centros de dados e aplicações de inteligência artificial.

Os prazos de construção também diminuíram. Segundo a agência, projetos costumam ser concluídos entre um e dois anos após a obtenção das licenças e conexão à rede, prazo inferior ao de novas térmicas a gás na maioria dos mercados. A expectativa é que ganhos tecnológicos, aumento de escala industrial e integração das cadeias de suprimentos continuem reduzindo os custos de plantas solares e eólicas, bem como de baterias.

Os sistemas eólicos com armazenamento também estão se tornando mais competitivos. As estimativas da IRENA para 2025 indicam custos entre aproximadamente US$ 59 por MWh na Mongólia Interior e entre US$ 88 e US$ 94 por MWh no Brasil, Alemanha e Austrália. A projeção é que esses custos caiam para algo entre US$ 49 e US$ 75 por MWh até 2030. Segundo o relatório, os custos podem cair ainda mais quando a geração eólica é combinada com solar fotovoltaica, aproveitando perfis complementares de geração para reduzir a necessidade de armazenamento e o custo total do sistema.

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