ESTUDO DA CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA DEFENDE O USO DA CABOTAGEM PARA TRANSPORTE DE CARGAS
A Confederação Nacional da Indústria saiu em defesa do transporte de mercadorias feto em contêineres por cabotagem. E para isso, puxou a carta de redução das emissões de CO₂, em comparação a outros modais. De acordo com um estudo feito por ela, a intensificação da navegação doméstica ao longo dos mais de 8 mil quilômetros de litoral brasileiro é fundamental para descarbonizar o setor e reduzir o Custo Brasil. O levantamento identifica que o Brasil tem potencial para, no longo prazo, quadruplicar o transporte de contêineres por cabotagem. Para isso, serão necessários novos investimentos em infraestrutura portuária, além de melhoria das condições de acesso aos portos, estabelecimento de novas linhas regulares do serviço, redução da burocracia e mudança na cultura logística dos empresários nacionais.
Em um cenário mais conservador, que considera apenas os portos que já oferecem os serviços de cabotagem, o estudo da CNI mostra que esse volume poderia ser mais do que o dobro do atual, um aumento de 163%. Nesse caso, a estimativa é de uma redução de 4,5% nas emissões do setor de transporte de cargas. Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o país precisa aproveitar a geografia privilegiada para fortalecer a indústria nacional. “A navegação ao longo da costa brasileira pode desempenhar um papel estratégico, sobretudo diante do enorme potencial logístico de um país com grande parte de sua atividade industrial situada próxima ao litoral.“
O estudo usou simulações com base nas rotas de transporte de cargas no Brasil. A análise focou apenas em mercadorias que podem ser transportadas em contêineres e que têm potencial para sair das rodovias e ir para o transporte marítimo entre portos.
Para isso, foram considerados somente os trajetos entre regiões que ficam a até 200 km de um porto e que estão a pelo menos 900 km de distância entre si, condições que, segundo pesquisas e especialistas do setor, tornam esse tipo de transporte economicamente viável. Atualmente, o setor de
transportes é responsável por 13,5% das emissões líquidas brasileiras de gases de efeito estufa (GEE). O modal rodoviário concentra sozinho 92% desse montante, o que mostra a forte dependência do país desse tipo de transporte.

publicada em 26 de abril de 2026 às 4:00 





