ESTUDOS DA PETROBRÁS SOBRE ENERGIA NUCLEAR FOCAM EM APLICAÇÕES NO SUBSEA E NO REFINO
A Petrobrás tem avaliado o potencial de aplicação da energia nuclear em suas operações. Segundo o gerente executivo de Programas Estruturantes da Presidência da companhia, Wagner Victer, a fonte não deve ser usada para geração de energia nas plataformas de produção. Contudo, estudos iniciais conduzidos pela petroleira indicam potencial para o uso da energia nuclear em refinarias e também em sistemas submarinos. Segundo ele, a Petrobrás é uma empresa de energia e não pode se abster de verificar e acompanhar os movimentos que existem no setor.
“Não vamos colocar reatores em plataformas. Acredito que há potencial no subsea. Há grupos estudando o tema dentro do nosso centro de pesquisa. Se eu fosse avaliar, diria que temos potencial na geração de energia subsea, porque você precisa levar energia até o sistema e, gerando no subsea, o impacto seria menor do que em uma plataforma”, disse o executivo durante o evento Nuclear Communication Experience, realizado nesta terça-feira (18), no Rio de Janeiro.
“Também estamos estudando o uso da energia nuclear no refino, avaliando parâmetros técnicos e econômicos. A energia nuclear é bastante competitiva. Basta ver os resultados do último LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade, realizado em março). A energia nuclear está dentro dos patamares e até abaixo dos valores pagos no certame”, acrescentou.
Victer também ressaltou que ainda enxerga um grande desafio para o setor nuclear brasileiro, tendo em vista as incertezas em relação ao avanço do programa nuclear do país. Um dos principais pontos de preocupação é a questão do licenciamento de eventuais novos projetos. Isso porque, em suma, um empreendimento nuclear precisaria não apenas do aval da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), mas também do IBAMA.
“Os SMRs têm grande potencial para sistemas isolados, mas vamos conseguir licenciar? Vamos conseguir que o Ibama autorize? Se não houver esse entendimento, nenhum investidor vai investir, porque terá receio de não conseguir avançar com o licenciamento”, ponderou. “Acho que o grande desafio é a integração entre a ANSN e o órgão de licenciamento ambiental. Precisamos ter certeza sobre isso. Não podemos ter dúvida na implementação dos projetos. Ninguém vai caminhar nesse setor se houver tantos problemas para gerenciar”, concluiu.

publicada em 18 de agosto de 2026 às 13:00 




