FECHAMENTO DE ORMUZ JÁ RETIROU 20% DA OFERTA DE GNL DO MERCADO E PODE AFETAR A PRODUÇÃO ATÉ 2028
A consultoria Wood Mackenzie publicou uma nova análise com três possíveis cenários para o mercado global de gás natural liquefeito (GNL) após o fechamento do Estreito de Ormuz. Segundo o estudo, o conflito retirou mais de 80 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de GNL do mercado internacional, o equivalente a cerca de 20% da oferta global. A consultoria alerta que, quanto mais tempo o estreito permanecer fechado, maiores serão as pressões sobre os preços de petróleo, gás e eletricidade, ampliando os impactos para empresas e consumidores em todo o mundo. No cenário mais moderado, a produção só seria retomada aos níveis normais apenas em 2028.
“O fechamento do Estreito de Ormuz fez mais do que retirar GNL do mercado. Ele removeu a previsibilidade”, afirmou Kateryna Filippenko, diretora de pesquisa para mercados globais de gás da Wood Mackenzie. Segundo ela, “a volatilidade passou a ser o novo padrão. A questão para compradores, investidores e formuladores de políticas públicas não é qual cenário se mostrará correto, mas se seus portfólios e estratégias de suprimento são resilientes o suficiente para enfrentar qualquer um deles”.
A Wood Mackenzie desenvolveu três cenários distintos com base em diferentes cronogramas para o fim do conflito e para a reabertura do Estreito de Ormuz: Quick Peace (Paz Rápida), Summer Settlement (Acordo no Verão) e Extended Disruption (Disrupção Prolongada).
A escala das perdas de oferta e os efeitos permanentes sobre o mercado variam significativamente entre os três cenários. No cenário Quick Peace, as instalações de GNL do Golfo que não sofreram danos retomam as operações em junho de 2026 e voltam à plena capacidade em 2027. No cenário Summer Settlement, a retomada é adiada para setembro de 2026, com recuperação total apenas em 2028.
Já no cenário Extended Disruption, episódios recorrentes de conflito e possíveis danos adicionais à infraestrutura impedem que a oferta de GNL da região retorne aos níveis de crescimento previstos antes da guerra. Nesse caso, o projeto North Field West seria adiado indefinidamente, grandes empreendimentos enfrentariam atrasos de vários anos e novos projetos não avançariam para decisão final de investimento (FID).
A consultoria destaca que uma guerra prolongada poderia reduzir significativamente o crescimento da oferta de GNL no Oriente Médio. Ainda assim, a expansão da produção continuaria em outras regiões. Atualmente, mais de 150 Mtpa de capacidade de GNL estão em construção fora do Golfo Pérsico, principalmente nos Estados Unidos. Além disso, pelo menos outros 30 Mtpa devem alcançar decisão final de investimento até o fim de 2027.
Segundo a Wood Mackenzie, o cenário de disrupção prolongada poderia desencadear uma nova onda de investimentos em projetos fora do Oriente Médio, embora isso também represente riscos para a demanda de longo prazo.
DEMANDA E PREÇOS
Na análise da consultoria, a demanda por GNL continua crescendo nos três cenários analisados, impulsionada pela queda da produção doméstica e pela redução das importações por gasodutos na Europa e no Sul e Sudeste Asiático. No entanto, países fortemente dependentes das importações de GNL podem buscar reduzir essa dependência, pressionando negativamente o consumo da commodity.
A consultoria ressalta que existe uma ampla faixa de possíveis resultados para a demanda global e que os esforços de diversificação energética deverão ocorrer de forma desigual entre as regiões. Mudanças estruturais mais profundas na Europa e no Nordeste Asiático tendem a ocorrer apenas após 2030.
Já em relação aos preços, no cenário Quick Peace, o mercado começa a apresentar sinais de excesso de oferta a partir de 2028. A Wood Mackenzie avalia que poderá ser necessário cancelar cargas de GNL dos Estados Unidos para equilibrar o mercado, especialmente entre 2031 e 2033.
No cenário Summer Settlement, esse desequilíbrio é adiado em cerca de um ano e pode se estender até 2034, exigindo níveis semelhantes de cancelamento de cargas. Já no cenário Extended Disruption, os mercados permanecem expostos a riscos geopolíticos elevados e a forte volatilidade de preços. A restrição de oferta se mantém até 2030, seguida por um risco de excesso de oferta à medida que a produção global cresce enquanto a demanda permanece limitada por esforços de diversificação energética.
A consultoria alerta ainda que qualquer nova ameaça ao fornecimento proveniente do Oriente Médio poderá levar o mercado novamente a uma situação de aperto.
Por fim, a Wood Mackenzie projeta que os preços do gás na Europa e os indicadores de referência do GNL na Ásia deverão recuar nos três cenários após a recuperação da oferta, embora em velocidades e níveis diferentes. Nos Estados Unidos, entretanto, os preços do gás natural podem permanecer pressionados para cima no cenário de disrupção prolongada, já que preços mais baixos do petróleo tendem a reduzir a disponibilidade de gás associado de baixo custo.

publicada em 3 de junho de 2026 às 5:00 




