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FENASUCRO, AGROCANA E FENABIO ENCERRAM OS DIAS DE DEBATE NO MELHOR ENCONTRO INTERNACIONAL SOBRE BIOCOMBUSTÍVEIS

A Binatural,  uma das principais produtoras de biodiesel do Brasil, defendeu a ampliação do uso do biocombustível em diferentes setores da economia durante a Fenasucro, realizada no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho (SP). Considerada a maior feira do mundo exclusivamente dedicada à cadeia de bioenergia, a edição de 2026 reúne mais de 600 marcas expositoras, cerca de 3 mil produtos e visitantes de mais de 80 países. A companhia foi representada pelo diretor comercial, Manuel Viveiros, na Fenabio, conferência dedicada à bioenergia realizada dentro da programação da Fenasucro. O espaço reuniu especialistas, executivos e tomadores de decisão para discutir inovação, tendências, desenvolvimento sustentável e os caminhos da transição energética. Durante sua participação, Viveiros destacou que a indústria brasileira de biodiesel já reúne escala, tecnologia, capacidade instalada e disponibilidade de matérias-primas para ampliar sua contribuição para a descarbonização.

Entre as oportunidades apontadas pelo executivo estão setores como transporte marítimo e ferroviário e geração termelétrica, que podem avançar na redução de emissões a partir de uma solução disponível hoje. Para Viveiros, a discussão sobre a transição energética precisa considerar não apenas tecnologias que ganharão escala nos próximos anos, mas também alternativas capazes de entregar resultados imediatamente. “O biodiesel já é produzido em escala no Brasil e temos capacidade industrial para avançar. Quando olhamos para setores que precisam reduzir suas emissões, temos uma solução disponível agora, que aproveita uma cadeia produtiva consolidada no país e ainda gera benefícios econômicos e sociais. Ampliar esses usos é uma oportunidade de transformar descarbonização em desenvolvimento.O transporte marítimo foi um dos segmentos destacados pelo executivo. Responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa e consumidor de aproximadamente 300 bilhões de litros de combustíveis marítimos por ano, o setor enfrenta o desafio de reduzir progressivamente sua intensidade de carbono até atingir emissões líquidas zero por volta de 2050, conforme as metas estabelecidas pela Organização Marítima Internacional (IMO). Viveiros destacou que  biodiesel permite a sua incorporação à infraestrutura e às operações existentes, como uma vantagem para acelerar a descarbonização enquanto outras tecnologias seguem avançando em desenvolvimento e escala.  “O transporte marítimo não precisa esperar até 2050 para começar a reduzir suas emissões. O biodiesel permite iniciar esse movimento agora. É uma solução que já existe, é produzida em escala e pode ser incorporada às operações atuais. Cada litro de combustível fóssil que conseguimos substituir hoje representa uma redução que começa a ser contabilizada imediatamente.

A programação do terceiro dia da Fenasucro & Agrocana 2026, combinou debates sobre as novas oportunidades para a bioenergia com reflexões sobre tecnologias e desenvolvimento humano.  Sobre a  navegação, Carlos Alberto Meirelles Marçal, diretor de Transição Energética da Petrobrás, destacou que uma das soluções mais imediatas para reduzir as emissões é o uso de misturas de combustíveis fósseis com biocombustíveis, que não exigem grandes adaptações nos navios nem nos portos. Durante o painel “Biobunkers: oportunidades para as bioenergias”, ele citou como exemplo o B24, mistura de combustível fóssil com 24% de biodiesel que já está em comercialização e permite uma redução de cerca de 20% nas emissões de carbono. A expectativa, segundo Marçal, é avançar para o B30, com 30% de biodiesel.

Já nos painéis relacionados ao biogás, os destaques ficaram para os avanços tecnológicos, escala de fabricação, custos e infraestrutura para conectar a produção ao mercado consumidor. Segundo os especialistas, a capacidade produtiva do Brasil é estimada em 44 bilhões de metros cúbicos de biometano. Quase 50% desse potencial está associado ao setor bioenergético, o que pode representar cerca de R$ 320 bilhões em investimentos nos próximos anos. As oportunidades incluem a substituição de combustíveis fósseis e a transformação de resíduos em fontes de receita. “Esse setor já não é mais uma promessa, é uma realidade. A gente precisa trabalhar as políticas públicas, fomentar o investimento e continuar demonstrando atratividade”, afirmou Hernan Zwaal, da Galileo Technologies.

 As mudanças na economia mundial também foram discutidas durante o painel “O papel das bioenergias em um mundo que ainda luta por petróleo”, com Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica do Banco Safra, e Roberto Dumas Damas, estrategista econômico da Sicoob-COCRED. Levy defendeu investimentos em inteligência artificial e tecnologia para agregar valor ao agronegócio, ao etanol e à agricultura.

Segundo Paulo Montabone, diretor da feira, a diversidade dos assuntos demonstra a abrangência do evento e seu diálogo com diferentes áreas da bioeconomia e da sociedade. “As discussões aproximaram tecnologia, investimentos, novos mercados e desenvolvimento humano. Esses são temas fundamentais para preparar a cadeia da bioenergia e suas lideranças para as oportunidades que já estão surgindo no Brasil e no mundo.” A Fenasucro & Agrocana 2026 chegou ao último dia nesta sexta-feira(14), A programação terá a palestra “Automação assistida, inteligência artificial e cibersegurança”. Já o LIDE Agro promoverá o tema “Liberdade na Transição Energética e o Futuro do Petróleo“, com Jean-Paul Prates, sócio da Altiva Inteligência Estratégica, diretor do LIDE Energia e chairman do CERNE; e Henrique Araújo, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Copersucar.

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