FRUSTRAÇÃO, DECEPÇÃO E PREOCUPAÇÃO: OS SENTIMENTOS MAIS EXPRESSADOS APÓS O ANÚNCIO DO ACORDO COM O IRÃ PARA O FIM DA GUERRA
Ainda há muitos detalhes a serem finalizados em relação ao acordo de paz preliminar entre os Estados Unidos e o Irã. Quem afirma isso é o próprio vice-presidente dos Estados Unidos JD Vance. Há muitas frustrações e decepções, principalmente pelos principais interessados: iranianos e israelenses. Até a próxima sexta-feira, dia marcado para a assinatura do acordo, muita água vai passar sob uma ponte que não está com os pilares muito firmes. Vance também mencionou que os Estados Unidos preveem que o Estreito de Ormuz permanecerá aberto sem pedágio. O acordo, anunciado visa estender o cessar-fogo entre os EUA e o Irã por 60 dias e estabelecer uma estrutura para futuras negociações sobre questões críticas. No entanto, o texto do acordo preliminar ainda não foi divulgado. “É esse tipo de coisa que vamos resolver nessas negociações técnicas. Você sabe que há muitos detalhes importantes a serem resolvidos, e que vamos nos sentar à mesa, discutir juntos e encontrar um caminho a seguir“, disse ele. Entre os detalhes ainda a serem definidos está a conclusão do Programa Nuclear Iraniano.
Vance deixou claro que, embora o Irã tenha “se comprometido a destruir e descartar seu estoque de material altamente enriquecido“, o processo para
fazê-lo não foi detalhado. “E o que dissemos foi: ‘Ok, vamos discutir exatamente como vamos conseguir isso. Eles querem acesso a uma economia sem sanções. Já conversamos sobre isso. OK, estamos abertos a essa possibilidade, mas isso exigiria um compromisso de longo prazo com o regime de inspeção e verificação.” O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragachi deverá participar, da assinatura do acordo, assim como o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf. Ao discutir o envolvimento de Israel no acordo, Vance observou: “Acho que há setores em Israel que gostam do acordo. Israel certamente terá um lugar à mesa de negociações no novo Oriente Médio”.
REGIME DOS AIATOLÁS SOBREVIVE
O regime sanguinário dos Aiatolás iraniano sobreviveu e Israel se preocupa com isso. Os iranianos são os maiores financiadores de grupos terroristas do planeta. Teerã ameaçou retaliar Israel depois de um ataque ao sul do Líbano que causaram as mortes de alguns líderes do Hezbollah. Esta ação apressou o presidente dos EUA. Ele entendeu que uma resposta israelense a uma retaliação iraniana poderia comprometer as negociações sobre um memorando de entendimento entre Teerã e Washington. Como resultado, ele aumentou a pressão sobre o Irã, juntamente com o Catar e o Paquistão, para chegar a um acordo. Em troca, chegou-se a um acordo que previa a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, em vez da reabertura gradual inicialmente planejada, bem como restrições às operações israelenses no Líbano.
Permanece incerto se Israel terá permissão para agir apenas em resposta a ataques iranianos ou também contra o fortalecimento
militar do Hezbollah. Mais importante ainda, o Irã obteve algo que não tinha antes da guerra: a suspensão temporária das sanções à venda de petróleo e produtos petroquímicos. Por enquanto, Trump não abandonou sua exigência de que o Irã renuncie ao seu programa de armas nucleares. No entanto, uma questão fundamental permanece: se o presidente americano não estava disposto a arriscar uma guerra 90 dias antes das eleições de meio de mandato nos EUA, estará disposto a fazê-lo 30 dias antes delas, quando termina o prazo de cessar fogo?
O primeiro ministro Benjamin Netanyahu procurou tranquilizar o público, afirmando que Trump havia deixado claro que nenhum acordo seria finalizado sem abordar o programa nuclear do Irã, sua rede de aliados regionais e seu arsenal de mísseis balísticos. No entanto, a julgar pelas declarações de vitória emitidas pela administração dos EUA nas últimas horas,
Washington parece acreditar que a fase mais difícil já passou. Na visão do governo, um acordo de paz histórico foi alcançado e as negociações sobre as questões restantes podem agora começar, sob o entendimento de que o Irã não obterá armas nucleares. A principal conquista, da perspectiva do governo, já foi assegurada.
Autoridades israelenses também reconhecem que, enquanto as negociações entre os EUA e o Irã continuarem, e especialmente se um acordo formal for alcançado, a liberdade de ação de Israel contra o Irã, inclusive em relação ao seu programa de mísseis balísticos, ficará significativamente limitada. Consequentemente, o foco atual mudou para o Líbano: será permitido que as forças militares israelenses ajam apenas em resposta a ataques do Hezbollah ou também contra os esforços da organização para reconstruir e fortalecer suas capacidades militares?
Nesta manhã (15), altos funcionários israelenses se sentem frustrados. Há fortes críticas à administração dos EUA e uma crescente preocupação de que uma guerra que
começou com o objetivo declarado de derrubar o regime iraniano possa terminar, pelo menos por enquanto, com esse regime intacto, estável e, mais uma vez, se beneficiando de um fluxo de recursos financeiros. “A ajuda está a caminho”, disseram Nethanyahu e Trump, ao povo iraniano no início do conflito, no final de dezembro do ano passado. No entanto, por enquanto, a opinião pública iraniana permanece à margem. O regime do aiatolá emerge da guerra vivo, respirando e ainda firmemente no poder. A grande maioria das Forças de Defesa de Israel (IDF) e do Mossad se opõe ao atual acordo, considerando-o insuficiente diante da dinâmica de poder entre as partes. Embora essa visão não seja unânime e as principais autoridades israelenses entendam a necessidade de acatar a cúpula política de Israel e o governo Trump em certas questões, ela é quase unânime, e as autoridades estão expressando suas opiniões em fóruns privados.
E OS IRANIANOS?
‘Estamos todos chocados.’ Os iranianos que se opõem ao regime reagiram ao acordo. Uma pessoa ligada a uma ONG internacional de Direitos Humanos, que está em constante contato com as vítimas da violência dos Aiatolás dentro do Irã afirmou que os dissidentes no Irã ficaram surpresos com o resultado do envolvimento do governo Trump, disse a fonte. “Ele veio colher o que os israelenses haviam plantado quando a árvore ainda era uma muda, e arruinou a semeadura”, disse a fonte, acrescentando: “Ainda há um número considerável de linha-dura dentro do regime. Os reformistas da Guarda Revolucionária Islâmica têm promovido uma espécie de expurgo nos últimos meses. isolaram os linha-dura.” Dissidentes temem que o regime iraniano tenha enganado o governo Trump.
A preocupação é que, dentro do Irã, o regime veja um acordo emergente, aparentemente mediado pelo Paquistão e pelo
Catar, como uma vitória para Teerã. “Na TV estatal iraniana, descreveram-no como a vitória do eixo da resistência contra os EUA”, observa a fonte. “Estamos todos chocados. Eu estava conversando com um amigo no Irã há algumas horas. Eles não conseguem acreditar que o acordo foi fechado.” A preocupação entre aqueles que se opõem ao regime no Irã é que os EUA tenham sido convencidos a fechar esse acordo. Os opositores do regime estão preocupados com o fato de os EUA terem sido convencidos a fechar esse acordo, disse a fonte, acrescentando que o governo Trump foi enganado pelo regime. “Pensávamos que os linha-dura no Irã não permitiriam que os moderados e reformistas fechassem o acordo com os EUA”, disse a fonte.
“Os moderados dentro da Guarda Revolucionária Islâmica, e aqueles que trabalham com eles, entendem a linguagem da diplomacia ocidental”, disse a fonte. “Eles sabem como enganar os governos ocidentais, como assumir o papel de ‘vítima’ e como moldar a opinião pública internacional para que pareça que a República Islâmica foi tratada injustamente.” Dissidentes iranianos estão preocupados com a possibilidade de o regime e seus aliados, como os houthis e o Hezbollah, terem vencido. Há uma sensação de que o povo iraniano merecia algo melhor do que o que aconteceu. Eles foram massacrados em protestos em janeiro, e a guerra que começou em 28 de fevereiro não resultou na queda do regime. Pelo contrário, o regime pode se sentir fortalecido, disse a fonte.

publicada em 15 de junho de 2026 às 13:00 




