FUTURO NOVO PRESIDENTE DA NORSUL AFIRMA QUE CONSOLIDAÇÃO DE OPERAÇÕES NA AMAZÔNIA SERÁ UMA DAS PRIORIDADES EM 2026
A Norsul encerrou 2025 com a consolidação de projetos e movimentos considerados estratégicos, em um cenário em que a cabotagem manteve o ritmo de expansão dos últimos anos. Em entrevista para a série especial Perspectivas 2026, o diretor financeiro e de novos negócios, Rodrigo Cuesta (foto), afirmou que o grande marco do período foi o closing da compra da operação de cabotagem da Hidrovias do Brasil na Amazônia, que colocou a empresa no comando integral da rota de bauxita entre Porto Trombetas e Barcarena. Ao analisar o setor, o executivo mencionou desafios estruturais, como a formação de mão de obra marítima e a renovação da frota. “Tecnologias mais eficientes e menos emissoras já existem, e políticas públicas que reconheçam esse ganho ambiental podem ajudar na tomada de decisão de longo prazo”, disse. Para 2026, a companhia projeta uma agenda positiva, baseada em diversificação, novas parcerias e inovação. “A consolidação das operações na Amazônia seguirá como uma das nossas prioridades. A integração da rota de bauxita, da equipe e das embarcações que incorporamos este ano nos dá uma base sólida para trabalhar com ainda mais eficiência, segurança e previsibilidade naquela região”, concluiu. Nesta semana, a Norsul anunciou que a partir de 2 de janeiro de 2026 Rodrigo Cuesta assumirá a posição de diretor-presidente, sucedendo Angelo Baroncini, que ocupa o cargo há 13 anos e agora será presidente do Conselho de Administração da empresa.
Como foi o ano de 2025 para sua empresa e seu setor?
O ano de 2025 foi de consolidação de projetos e movimentos estratégicos importantes para a Norsul. O setor de cabotagem manteve o ritmo de crescimento médio que vínhamos observando, com o segmento de contêineres ganhando tração e o de granéis sustentado por agro, mineração e indústrias de base. De acordo com a EPE, em 2024 nosso mercado movimentou cerca de 110 milhões de toneladas de granéis líquidos, sólidos e gasosos, seguindo uma trajetória de crescimento médio anual de 2,4%, evoluindo de forma consistente, ainda que moderada, impulsionado pela combinação de eficiência, custos mais competitivos e demanda por soluções logísticas de menor emissão.
Para nós, o grande marco foi o closing da compra da operação de cabotagem da Hidrovias do Brasil na Amazônia. Com isso, passamos a operar integralmente a rota de transporte de bauxita entre Porto Trombetas e Barcarena, absorvemos uma equipe altamente especializada e incorporamos duas embarcações projetadas para a realidade amazônica, a Tambaqui e a Tucunaré. Esse movimento ampliou nossa presença numa região estratégica para o país e aumentou nosso volume total transportado para quatro milhões de toneladas de granel por ano, reforçando a nossa capacidade de resposta em granéis sólidos e trazendo contratos de longo prazo que dão previsibilidade ao negócio.
No campo da eficiência e da sustentabilidade, demos passos concretos. Projetos de IA e IoT que estavam em fase piloto no ano anterior entraram em operação plena, com resultados expressivos em planejamento de viagem, consumo de combustível e previsibilidade operacional. Além disso, tivemos um marco tecnológico relevante: o Babitonga Bay se tornou o primeiro navio comercial da América Latina a receber o revestimento eletrostático anti-incrustante PPG SIGMAGLIDE® 2390, fruto de uma parceria com a PPG, líder global em soluções de revestimentos. A tecnologia é mais sustentável, já que não utiliza biocidas em sua composição, e possui diferenciais estratégicos, reduzindo o atrito, emissões e consumo de combustível. Esse avanço não surge do zero; ele é a evolução natural de um trabalho que já vínhamos fazendo com soluções anti-incrustantes em parceria com a Bioren. Agora, demos um novo passo a partir de um método que melhora ainda mais a eficiência e traz benefícios ambientais de forma mensurável.
Foi um ano muito positivo para integrar operações, fortalecer a presença no mercado, capturar ganhos de eficiência e seguir a nossa estratégia de crescimento e diversificação dos negócios de forma contínua e sustentável.
Se fosse consultado, que sugestões daria (ao governo ou ao mercado) para melhorar o ambiente de negócios em seu setor?

Mudança: A Norsul anunciou nesta semana que Rodrigo Cuesta será o novo diretor-presidente, substituindo Angelo Baroncini
Em termos de sugestões, abordaria dois pontos estratégicos e urgentes: o âmbito regulatório e o de infraestrutura logística. No cenário regulatório, o mercado vive um momento importante no sentido de demandar mais previsibilidade à BR do Mar, com regras mais claras e aplicáveis sobre afretamento, definição de embarcações sustentáveis, cláusulas para contrato de longo prazo e parâmetros de tonelagem, por exemplo, assim como incentivos à indústria naval. Com isso, acreditamos que os investimentos privados fluam com menor risco.
Do lado da infraestrutura logística, o país avança, mas ainda convive com gargalos conhecidos. Nosso extenso território, combinado com uma costa de mais de 8 mil km e 34 portos públicos, traz enorme potencial para a transformação do setor. A navegação costeira desponta como uma eficiente alternativa para transportes de longas distâncias, conectando produção com consumo.
Em um país onde a maioria das cargas são transportadas por caminhões, a cabotagem é uma solução extremamente relevante, seja por motivos financeiros ou ambientais. No que diz respeito à emissão de gases de efeito estufa, navios emitem até quatro vezes menos CO2, conforme dados do Observatório do Clima.
Dragagens, modernização de equipamentos e digitalização de processos também são pontos que destravam a capacidade portuária. Além disso, as parcerias público-privadas — as chamadas PPPs, em que o governo e a iniciativa privada dividem investimento e gestão de projetos — têm sido um caminho eficiente para acelerar obras e entregar resultados mais estáveis ao longo do tempo.
Há, ainda, dois temas que considero estruturais. O primeiro é a formação de mão de obra marítima. A demanda por profissionais cresce, e precisamos ampliar e modernizar a oferta de capacitação — um desafio que não é só da Norsul, é setorial. O segundo é a renovação da frota. Tecnologias mais eficientes e menos emissoras já existem, e políticas públicas que reconheçam esse ganho ambiental podem ajudar na tomada de decisão de longo prazo.
Por último, quais são as perspectivas de sua empresa para 2026?
Em 2026, seguimos com uma agenda positiva nos negócios, tendo como pilares estratégicos a diversificação do portfólio, novas parcerias, compromisso com a inovação constante e crescimento sustentável. Permaneceremos acompanhando setores que mostram demanda consistente e reforçaremos ainda mais a nossa capacidade de atender aos clientes em todas as suas necessidades, de forma personalizada, entendendo cenários e conectando serviços que podem ir além do transporte em si.
A consolidação das operações na Amazônia seguirá como uma das nossas prioridades. A integração da rota de bauxita, da equipe e das embarcações que incorporamos este ano nos dá uma base sólida para trabalhar com ainda mais eficiência, segurança e previsibilidade naquela região.
Também continuamos avançando na digitalização das operações. O uso de dados, IoT e inteligência artificial permanecerão evoluindo na nossa rotina, trazendo resultados concretos em planejamento, consumo e desempenho da frota.
A agenda de descarbonização permanece no centro das decisões, em linha com o nosso compromisso com a sustentabilidade. Vamos ampliar o uso de tecnologias e nos manter atentos a novas parcerias que tragam redução no arrasto das nossas embarcações, economia no consumo de combustível e emissões, como os revestimentos anti-incrustantes e as otimizações de propulsão, além do monitoramento contínuo de performance ambiental.
Por fim, temos projetos robustos em andamento para 2026 que, certamente, contribuem para o aumento da capacidade logística brasileira, mas que ainda não podemos antecipar. A Norsul permanecerá evoluindo seus negócios pautada pela eficiência, inovação, responsabilidade ambiental e crescimento sustentável, contribuindo com soluções para a cadeia logística de nossos clientes de forma ampla, sólida e estratégica.

publicada em 5 de dezembro de 2025 às 5:00 





