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GALP MOSTRA INTERESSE PELA MARGEM EQUATORIAL E APOSTA EM TECNOLOGIA PARA DESTRAVAR O CAMPO DE JÚPITER

Com mais de 25 anos de presença no Brasil, a Galp tem planos concretos para expandir sua presença no país. A estratégia da companhia é combinar o aumento da produção nos ativos já em operação com a expansão para novas fronteiras exploratórias e o desenvolvimento de recursos ainda não monetizados. Em encontro com jornalistas durante a ROG.e 2026, a country manager Brasil da petroleira, Paula Pereira da Silva, afirmou que a empresa acompanha com atenção as oportunidades na Margem Equatorial, onde já possui quatro blocos na Bacia de Barreirinhas, e mantém ambições de ampliar sua presença na região. Ao mesmo tempo, a companhia trabalha com Petrobras e Shell para elevar o fator de recuperação de Tupi e Iracema, na Bacia de Santos, enquanto direciona recursos de pesquisa e desenvolvimento para encontrar soluções tecnológicas capazes de viabilizar Júpiter, um ativo com enorme volume de petróleo in place e elevado teor de CO₂. Segundo Paula, o desenvolvimento do campo poderá representar um novo marco para as empresas do consórcio e para a reposição das reservas brasileiras.

Para começar, poderia relembrar um pouco do histórico de atuação da Galp?

A nossa história no Brasil começou há mais de 25 anos. Entramos desde cedo no offshore e em águas profundas, sendo pioneiros no pré-sal: quando ele ainda não havia sido descoberto, a Galp já estava presente. O nosso crescimento tem sido fundamentado em parcerias sólidas e duradouras das quais nos orgulhamos muito, como é o caso dos nossos operadores locais Petrobras e Equinor, além de parcerias de grande orgulho nos demais ativos com Shell, TotalEnergies e outros parceiros com quem temos orgulho de trabalhar.

Atualmente, temos 13 FPSOs em produção e mais dois no pipeline em construção. Consequentemente, viemos batendo recordes de produção na Galp como grupo, atingindo picos de 160 mil barris por dia. Isso demonstra a materialidade do Brasil para a companhia — materialidade ainda mais notória considerando que 100% da produção atual da Galp vem do país. É um percurso que nos orgulha, mas olhamos para a frente buscando longevidade e formas de perpetuar nosso impacto no país. Nosso lema é, sem dúvida, crescimento. Olhamos para o futuro com rigorosa disciplina nos investimentos e foco permanente em eficiência operacional.

Como você mencionou, o lema da empresa é crescimento. Portanto, como a empresa pretende alcançar esse objetivo no país?

Temos três grandes pilares estratégicos para o crescimento. O primeiro diz respeito aos ativos em carteira. Contamos com um portfólio de classe mundial. Falamos de gigantes como Tupi e Iracema, nos quais trabalhamos para extrair mais valor. O Brasil possui um potencial geológico imenso e comprovado. Elevar o fator de recuperação desses ativos em apenas um ponto percentual pode representar 200 milhões de barris adicionais ao nosso portfólio. 

O segundo pilar é o desbloqueio de descobertas existentes. Ativos já descobertos que estão parados aguardando soluções tecnológicas. Júpiter é o exemplo ilustrativo desse pilar, sendo o terceiro maior volume in place do Brasil. Ele traz desafios tecnológicos significativos, e é por isso que a Galp direciona grande parte dos recursos da cláusula de 1% de P&D da ANP para pesquisar e desenvolver soluções capazes de destravar esse valor.

Por fim, temos a questão da exploração. Olhamos para a exploração no Brasil e em outras geografias do mundo. Vemos com bons olhos o retorno da previsibilidade nos leilões da ANP, em um país onde já possuímos uma base muito consolidada — seja em termos de organização, relacionamento com stakeholders ou parcerias —, garantindo a nossa presença e crescimento nas próximas décadas.

Aproveitando a deixa dos leilões, a Galp pretende participar dos novos leilões da ANP?

O Brasil é e sempre será um mercado no qual temos muito interesse em investir, especialmente pela solidez que temos e por tudo o que construímos ao longo destes 25 anos. Com certeza olhamos para todas as oportunidades que surgem no nosso radar, sempre conscientes de que elas competem com oportunidades em diversas geografias ao redor do mundo. Por isso é tão importante que o Brasil continue a criar e manter condições de estabilidade fiscal, regulatória e jurídica. Tendo esses ingredientes reunidos, o país garante oportunidades competitivas para atrair o investimento necessário nesses leilões.

Quais são as expectativas da Galp na Margem Sul, na Bacia de Pelotas? Vocês também têm interesse na Margem Equatorial?

Margem Equatorial

Olhamos para a Margem Equatorial com excelentes olhos. O Brasil é um país de dimensões continentais. A costa brasileira, com mais de 7 mil quilômetros, é mais extensa do que as costas de Angola, Namíbia e África do Sul somadas. Portanto, o Brasil possui um potencial geológico gigantesco e já comprovado, abrigando algumas das maiores descobertas do mundo.

Com isso, olhamos com atenção para várias bacias. Pelotas é uma delas, onde entramos no ano passado e temos ambição de ir além — temos fome de mais. E a Margem Equatorial também está no nosso radar. Hoje já possuímos quatro blocos em Barreirinhas, na Margem Equatorial, e o nosso objetivo é continuar crescendo.

Sobre o campo de Bacalhau, onde a empresa possui uma fatia de 20%, quais são as perspectivas de evolução desse ativo?

FPSO de Bacalhau

Bacalhau é um ativo extremamente importante e complexo. Há poucas unidades hoje no Brasil com 220 mil barris por dia de capacidade instalada, o que demonstra o impacto significativo desse projeto. Além disso, a Galp detém 20% de participação nesse ativo — uma fatia superior à que mantemos em outros projetos do nosso portfólio no Brasil.

Quando Bacalhau atingir o platô de 220 mil barris diários, adicionará cerca de 30% à produção total do Grupo Galp. A nossa previsão é que o platô seja alcançado ainda este ano. Estamos em fase de ramp-up, um período naturalmente crítico do ponto de vista operacional, mas estamos muito confiantes de que atingiremos esse marco.

Você mencionou anteriormente o aumento de 1 ponto percentual no fator de recuperação de Tupi e Iracema. Existe alguma meta ou data prevista?

Essa é uma ótima questão. Atuamos em parceria com a Petrobras e a Shell, e nos últimos anos houve um forte sponsorship e uma grande ambição impulsionada pela alta gestão da Galp de todas as consorciadas para extrair mais valor dessa descoberta gigantesca. Foi criado um workstream dedicado dentro da parceria, focado no trabalho das equipes técnicas para desbloquear oportunidades, acelerar poços e aprimorar a gestão de reservatório, visando extrair mais barris desses campos.

Outro ativo mencionado é Júpiter. Como a empresa está trabalhando para superar os desafios técnicos nesse ativo?

A Galp possui 20% de participação em Júpiter, e a Petrobras detém os outros 80%. Trata-se de um campo com alto teor de CO₂ e enorme volume in place. Uma vez viabilizado comercialmente, será um ativo transformador para as empresas consorciadas e para o próprio Brasil, que precisa repor suas reservas no ritmo da produção atual.

Diferentes tecnologias vêm sendo avaliadas. Não é novidade que o HISEP, utilizado e testado em Mero, sempre esteve entre as alternativas consideradas. No entanto, a grande novidade é que, por meio da cláusula de P&D (com reinvestimento de 1% das receitas em pesquisa e desenvolvimento), o consórcio passou a olhar para o desenvolvimento de Júpiter com novas lentes tecnológicas para viabilizar o projeto. Estamos trabalhando de forma muito positiva ao lado da Petrobras para tornar este ativo uma realidade.

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