GREENYELLOW AVANÇA NO SETOR DE MINERAÇÃO NO BRASIL COM PROJETOS DE SOLAR E BATERIAS
A dificuldade de ampliar a oferta de energia em regiões afastadas da rede elétrica está abrindo espaço para novos projetos híbridos no setor de mineração brasileiro. De olho nesse potencial, a GreenYellow aposta no segmento e está concluindo, no Mato Grosso, seu primeiro empreendimento no setor no país. Trata-se de uma usina solar de 3 MWp combinada a um sistema de baterias de 5 MWh para atender à operação da Mineração Dois Irmãos (MDI). Em entrevista ao Petronotícias, o diretor comercial da GreenYellow, Fernando Oliveira, detalha que, além do empreendimento mato-grossense, a companhia está finalizando um projeto de 2,5 MW para a Misa Carbomil, no Ceará, e negocia uma segunda planta de aproximadamente 2 MW para o mesmo cliente. Segundo a empresa, as iniciativas fazem parte de uma aposta crescente em um setor que enfrenta desafios relacionados à disponibilidade, aos custos e à previsibilidade do fornecimento de energia. O executivo também destaca a atuação da GreenYellow na vertical de eficiência energética, que inclui projetos de ar comprimido, refrigeração e água gelada, além da implantação de uma subestação em Minas Gerais.
Como vê a futura demanda por projetos híbridos no Brasil e quais são os principais motivos para isso?
O que vejo hoje é uma demanda represada bastante significativa. O Brasil apresenta certo déficit no atendimento de cargas no interior, especialmente nos setores de agronegócio e mineração. Por estarem mais afastados da rede elétrica, esses clientes enfrentam dificuldades no fornecimento e suprimento de energia.
Diante disso, observamos o avanço dos projetos híbridos em microgrid. É um mercado em expansão, com diversos projetos já saindo do papel e seguindo uma curva natural de adoção. Inicialmente, entram os early adopters, clientes que buscam implementar a solução de forma antecipada ou que enfrentam prejuízos maiores sem ela. Em seguida, vem a etapa da prova social, quando outros agentes passam a aderir à solução ao constatarem o sucesso das primeiras aplicações.
Além disso, temos as soluções híbridas de solar com bateria para clientes já conectados à rede elétrica. Nesse caso, o principal interesse costuma ser a arbitragem de energia. Esse segmento também tende a crescer, principalmente em função das mudanças regulatórias que extinguiram o incentivo no horário de ponta. Com isso, novas cargas tendem a ser mais penalizadas pelos custos tarifários desse período, aumentando o interesse pelo uso de baterias.
Pensando nesses potenciais de mercado, quais segmentos industriais ou econômicos específicos a GreenYellow está monitorando com mais atenção para a geração de novos negócios?
O setor de mineração é um dos que estamos olhando com bastante atenção. Inclusive, devemos inaugurar ainda no final deste ano um projeto híbrido de grande porte para um cliente minerador. É um perfil que depende muito da prova social, ou seja, gosta de observar os resultados obtidos pelos pares antes de realizar o investimento. Por isso, apostamos fortemente nesse nicho.
A GreenYellow também aposta bastante no varejo alimentar, que possui uma dinâmica muito intensa, com abertura frequente de novas lojas, trocas de CNPJ e operações de fusões e aquisições (M&A). Quando ocorre a alteração de CNPJ, há uma atualização do contrato de demanda (CUSD), e o novo contrato já nasce sem o desconto no horário de ponta, tornando a bateria uma solução extremamente atraente.
No setor industrial, vemos oportunidades para empresas que sofrem perdas específicas decorrentes de problemas na qualidade da energia. Por fim, olhamos com muita atenção para o segmento de Shopping Centers, que reúne grandes consumidores comerciais com volume expressivo de consumo no horário de ponta.
Poderia detalhar um pouco mais as especificações técnicas e operacionais desse projeto desenvolvido para o setor de mineração?
O cliente é a Mineração Dois Irmãos (MDI), localizada no Mato Grosso e voltada à extração de ouro. A empresa possuía um suprimento de rede insuficiente para suportar a operação pesada de seus moinhos e precisava arcar com custos elevados de geradores a diesel. Como não possui entrega da rede local, não havia janela de carregamento suficiente para implementar um sistema BESS isolado para arbitragem.
Para resolver essa limitação, estruturamos um projeto híbrido com uma usina fotovoltaica de 3 MWp. A geração solar fornece a energia necessária para carregar o BESS de 5 MWh e também atende à demanda do cliente ao longo do dia. Durante a noite, o BESS descarrega a energia armazenada, garantindo o suprimento contínuo e atuando na arbitragem tarifária.
O projeto foi desenvolvido em parceria com a WEG e com o EPCista local, a Zarzenon. Os transformadores já foram entregues, e os equipamentos do BESS devem chegar ao site no próximo mês, para o início da operação.
Essa atuação no setor de mineração representa uma nova vertente de negócios para a GreenYellow no Brasil?
Este é o nosso primeiro projeto no setor minerário no Brasil, embora a GreenYellow já possua experiência nessa indústria em outros países. Vemos um potencial gigantesco para esse segmento no país. Em primeiro lugar, pela vocação natural do Brasil na extração e exportação de recursos minerais. Em segundo, pelo cenário macroeconômico atual: em momentos de volatilidade no mercado global, a cotação do ouro atinge patamares elevados, estimulando os produtores a aumentar a oferta.
Além da Mineração Dois Irmãos, estamos finalizando a entrega de outro projeto expressivo, de 2,5 MW, para a Misa Carbomil, mineradora de carbonato de cálcio em Limoeiro do Norte (CE). Também estamos em negociações avançadas para a implantação de uma segunda planta, de aproximadamente 2 MW, para o mesmo cliente em Quixeramobim (CE).
Olhando para o cenário macroeconômico, qual é a relevância do mercado brasileiro para as operações globais da GreenYellow e quais são as projeções de crescimento da empresa no país?
A GreenYellow atua no Brasil desde 2014, o que torna o país um mercado maduro e de extrema relevância estratégica para o grupo. Seguimos apostando fortemente no setor elétrico brasileiro, direcionando nossa atuação de forma focada para o segmento do comércio e da indústria. Realizamos uma pivotagem estratégica importante ao sair do mercado corporativo de geração distribuída para concentrar nossos esforços exclusivamente no atendimento aos grandes clientes industriais e comerciais. Nossa meta de crescimento consolidado no mercado brasileiro é de pelo menos 20% ao ano.
Esperamos uma trajetória de maior estabilidade econômica no país, com redução nas taxas de juros e aceleração no ritmo do PIB. Como a demanda por energia é um insumo fundamental para a produção, o setor elétrico naturalmente apresenta expansão contínua. Contudo, o avanço do PIB desempenha um papel crucial para tracionar novos investimentos em infraestrutura energética com ainda mais velocidade.
Para encerrar, haveria algum outro vetor de atuação ou solução da GreenYellow que você gostaria de destacar?
Um ponto fundamental que precisamos ressaltar — e que vai além das soluções de energia solar e baterias — é a nossa vertical de eficiência energética. Hoje, a GreenYellow investe diretamente em oito utilidades industriais e comerciais.
Recentemente, estruturamos nosso primeiro projeto voltado para a implantação de subestação, desenvolvido no estado de Minas Gerais. Este é um segmento em franca expansão, impulsionado pela necessidade de maior qualidade de energia e pela ampliação do suprimento da rede elétrica, já que muitas indústrias só conseguem expandir suas linhas de produção se migrarem para níveis de tensão superiores.
Além disso, mantemos uma presença extremamente forte em projetos de ar comprimido (compressores), soluções de água gelada (CAG) para Shopping Centers, refrigeração comercial para o varejo, iluminação e bombas de calor.
A eficiência energética deveria ser sempre a primeira medida adotada por qualquer empresa. Antes de avaliar a contratação ou geração de energia em R$/MWh, o passo mais inteligente é reduzir o consumo absoluto em megawatt-hora. Por isso, essa vertical permanece como um dos pilares mais estratégicos do nosso negócio.

publicada em 18 de setembro de 2026 às 4:00 




