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GRUPO ARARA AZUL VIVE EXPECTATIVA DE INICIAR OBRAS DE TERMINAL NO ESPÍRITO SANTO COM FOCO EM DESCOMISSIONAMENTO

De olho na futura demanda por atividades de descomissionamento offshore, o Grupo Arara Azul está preparando o início das obras de um novo Terminal de Uso Privativo (TUP) no Espírito Santo. Batizado de Nova Holanda, o empreendimento tem investimento estimado em aproximadamente R$ 800 milhões. Para iniciar a construção, que deve durar cerca de 22 meses, o grupo ainda aguarda a atualização da Licença de Instalação (LI) do projeto. “A empresa já dispõe da Licença Prévia (LP) e, no momento, está sendo realizado o ajuste e a readequação da Licença de Instalação (LI) para direcioná-la especificamente às atividades do setor de descomissionamento”, diz Marcio Pinheiro, investidor e acionista controlador majoritário do Nova Holanda.

Segundo ele, entre os diferenciais técnicos do projeto estão o fato de o terminal ser construído sobre rocha firme — característica que, de acordo com Pinheiro, torna o empreendimento único na América Latina — e o calado natural entre 10,5 e 12,5 metros em águas abrigadas. O empresário revela ainda que já possui dois contratos de confidencialidade com potenciais clientes e parceiros estratégicos e espera iniciar a operação da unidade em 2028.

Poderia falar brevemente sobre a história do grupo Arara Azul para contextualizar nossos leitores sobre a atuação da empresa?

Ilustração mostra como será o futuro terminal Nova Holanda

A história do grupo começou com meu pai, que iniciou sua carreira na Shell em 1954. Ele deixou a companhia para abrir seu primeiro posto de gasolina em 1970. Após seu falecimento, em 1997, dei continuidade aos negócios e, em 2000, inauguramos o primeiro posto Arara Azul. Ao longo dos anos, expandimos a atuação para a distribuição de gás natural comprimido (GNC), com a criação da Logás, em 2005, e firmamos parcerias importantes no setor de combustíveis, como com Shell e Vibra. Este ano, foi concluída a venda de 100% da Logás para o grupo JBS, operação que marcou minha saída do negócio e abriu espaço para novos projetos, como o Terminal de Uso Privativo (TUP), no Espírito Santo.

Como surgiu a ideia desse projeto e quais oportunidades foram identificadas para o seu desenvolvimento?

Este projeto trata-se de um Terminal de Uso Privativo (TUP), o que significa que está localizado em uma área privada de minha propriedade, a qual foi aportada na empresa Nova Holanda South Atlantic Decom. Adquirimos essa área de aproximadamente 150.000 m² no início dos anos 2000 já com foco e vocação para o setor portuário. Desde então, o projeto avançou com o licenciamento e obteve a Licença de Instalação (LI) alguns anos atrás. Atualmente, diante das novas demandas do mercado, a empresa está renovando a licença anterior para readequar o projeto com foco específico na atividade de descomissionamento de plataformas, testes de equipamentos de alta complexidade e montagens especiais.

Como está estruturada a operação e quem está à frente do projeto?

Para estruturar essa operação, a empresa conta com uma equipe altamente qualificada. Minha participação no negócio é como investidor e acionista controlador majoritário, enquanto a gestão operacional conta com profissionais de ponta: um superintendente à frente no Brasil, o Hugo Marques; um diretor de Meio Ambiente que já foi presidente do IEMA (Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), o Albertone Pereira; e, nos Estados Unidos, um braço de engenharia e negócios em descomissionamento, liderado por Bryan Aucoin. Esse pilar internacional, inclusive, abriu portas importantes para o projeto e já resultou na assinatura de dois contratos de confidencialidade (NDAs) com potenciais clientes e parceiros estratégicos.

Como essa parceria com empresas e profissionais dos Estados Unidos tem contribuído para o desenvolvimento do projeto no Espírito Santo?

A partir dessa aproximação comercial, foi organizada uma comitiva do Espírito Santo para realizar uma visita técnica aos Estados Unidos. Dois técnicos da área ambiental, indicados pelo presidente do IEMA, juntamente com o Secretário de Desenvolvimento do Estado, farão parte da visita, prevista para ocorrer entre setembro e outubro, a depender do trâmite dos respectivos vistos. O objetivo principal é proporcionar aos órgãos técnicos e ao governo estadual uma visão detalhada do funcionamento desse mercado no exterior, aproximando essas empresas internacionais do Espírito Santo e garantindo que o Estado não perca essa oportunidade estratégica. O governo estadual, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, tem sido um grande parceiro e está muito empenhado no projeto.

Em que etapa está o processo de licenciamento do empreendimento?

Em termos de prazos e valores, a expectativa é que a Licença de Instalação seja emitida entre setembro e outubro. A empresa já dispõe da Licença Prévia (LP) e, no momento, está sendo realizado o ajuste e a readequação da Licença de Instalação (LI) para direcioná-la especificamente às atividades do setor de descomissionamento. A responsabilidade pelo licenciamento é do IEMA (Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos), que atua em articulação com a Prefeitura de Vila Velha.

Qual é o cronograma previsto para a implantação e quanto será investido no projeto?

A fase de obra deve durar cerca de 22 meses, com previsão de entrada em operação no final de 2028. O investimento estimado é da ordem de US$ 156 milhões (aproximadamente R$ 803 milhões).

Quais são os principais diferenciais do projeto e o impacto esperado para a economia local?

Entre os diferenciais técnicos do projeto, destaca-se o fato do Nova Holanda ser construído sobre rocha firme (único da América Latina) e o calado natural excelente — entre 10,5 e 12,5 metros — em águas abrigadas, além de um enrocamento otimizado: a barreira de contenção para o aterro utilizará pedras cortadas da própria área, o que gera uma economia expressiva de custos e extremo cuidado com a proteção ambiental.

Na fase de operação, estima-se a geração de cerca de 257 empregos diretos e o dobro disso em indiretos, volume que poderá expandir conforme a demanda de plataformas a serem desmobilizadas e desmontadas.

Outro ponto importante: o Nova Holanda será um dos maiores geradores de impostos no Espírito Santo e, em especial, para o município de Vila Velha, alcançando montantes superiores a R$ 42 milhões por ano.

Com a emissão da Licença de Instalação, a intenção é iniciar as obras imediatamente?

Sim. A previsão é que as obras sejam iniciadas imediatamente após a emissão da licença, com uma janela de aproximadamente 22 meses para execução dessa etapa. A obtenção dessa nova LI é o verdadeiro gatilho de todo o processo. É justamente a licença que todos os parceiros e players tradicionais do mercado estão aguardando para avançar. O tema do descomissionamento está em grande evidência, e as perspectivas são excelentes porque o projeto não parte do zero; trata-se da renovação e adequação de uma licença já emitida anteriormente.

O que pode ser adiantado sobre os dois contratos em formato de confidencialidade (NDA) firmados pelo grupo?

Trata-se de acordos com grandes players globais do setor, empresas que são parceiras das gigantes do segmento. A partir do momento em que a LI for emitida, a expectativa é que as partes avancem nas negociações. O formato final do modelo de negócio ainda está sendo estruturado — se envolverá a venda de uma participação societária ou a utilização da infraestrutura do terminal como usuários —, mas o impacto para a região é garantido. A chegada desses players vai movimentar fortemente a cadeia local de metalmecânica no Espírito Santo, gerando emprego e renda.

Esta é uma oportunidade gigantesca para o Espírito Santo e para o Brasil. O projeto conta com um braço técnico nos Estados Unidos, liderado por engenheiros especialistas em descomissionamento que estão extremamente entusiasmados com o projeto. Além de tudo, é um empreendimento estratégico que transcende a política partidária: existe uma demanda represada e obrigatória de desmobilização de plataformas que envolve volumes expressivos de recursos, e o país não pode se dar ao luxo de perder essa oportunidade.

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