INDÚSTRIAS QUÍMICAS TEMEM QUE COM O PROLONGAMENTO DO FECHAMENTO DE ORMUZ FALTE FERTILIZANTES NO BRASIL
A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) divulgou um comunicado informando que está acompanhando com atenção a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e seus potenciais desdobramentos sobre a economia e a indústria química brasileira. Embora não haja, no momento, ruptura operacional nas cadeias de suprimento de produtos químicos que atendem ao Brasil, o impacto ocorre principalmente por vias indiretas e sistêmicas, principalmente fertilizantes e
petroquímicos básicos. Para a Abiquim, qualquer restrição prolongada ao tráfego pelo estreito de Ormuz pode pressionar o preço do barril Brent, afetando diretamente a nafta petroquímica, principal insumo da indústria química brasileira. O Brasil é importador líquido de derivados, como diesel, GLP e nafta. Uma elevação sustentada do Brent tende a impactar custos industriais, fretes internacionais e inflação doméstica. No caso específico da indústria química, a associação esclarece que a vulnerabilidade ocorre em quatro frentes principais:
PETROQUÍMICOS BÁSICOS
A alta do petróleo eleva o preço da nafta importada, base para a produção de eteno e propeno via craqueamento. Caso o Brent suba US$ 20, o custo variável dos petroquímicos aumenta de forma relevante, podendo reduzir o spread petroquímico entre 10% e 25%, dependendo das condições de mercado. Como o Brasil não dispõe da mesma competitividade em gás natural observada nos Estados Unidos (shale gas) ou no Oriente Médio, a indústria nacional perde competitividade relativa em cenários de choque energético.
FERTILIZANTES NITROGENADOS
O Irã é importante exportador de ureia e amônia. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. Eventual
restrição das exportações iranianas tende a elevar o preço da ureia nitrogenada, impactando diretamente o agronegócio, pressionando alimentos e encarecendo insumos nitrogenados utilizados pela própria indústria química.
ESPECIALIDADES
O Irã é também grande exportador de metanol e intermediários como formaldeído, resinas termofixas, MTBE e ácido acético. Havendo restrição da oferta desses produtos, os preços globais tendem a subir, pressionando custos de produtores de resinas e especialidades no Brasil.
CÂMBIO E INVESTIMENTOS
Conflitos no Oriente Médio costumam gerar movimento de proteção para ativos considerados mais seguros, como dólar e Treasuries, resultando em desvalorização do real e maior volatilidade. Um câmbio mais depreciado favorece exportadores de commodities, mas encarece importações industriais e investimentos em CAPEX com equipamentos importados.
POSSÍVEIS CENÁRIOS
Cenário 1 – Conflito limitado (mais provável)
Alta temporária do petróleo, volatilidade cambial moderada e impacto inflacionário controlável.
Cenário 2 – Bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz
Brent acima de US$ 100, pressão inflacionária global, aperto monetário mais longo no Brasil e impacto elevado sobre fertilizantes e nafta.
Cenário 3 – Escalada regional ampla
Choque energético persistente, redesenho das cadeias de suprimento e impacto severo sobre a indústria química global.
AGENDA ESTRATÉGICA
O atual cenário reforça a centralidade de pautas estratégicas para o País e para o desenho de eventuais políticas industriais voltadas à redução da vulnerabilidade energética em cadeias essenciais, bem como à diminuição da dependência de insumos importados — como a nafta petroquímica — e de produtos químicos estratégicos, a exemplo dos fertilizantes nitrogenados. Ao mesmo tempo, a Abiquim disse que seguirá monitorando atentamente os desdobramentos do conflito, defendendo soluções diplomáticas e ressaltando a importância de políticas estruturantes capazes de ampliar a resiliência, a competitividade e a segurança produtiva da indústria química brasileira.

publicada em 3 de março de 2026 às 13:13 





