IRÃ ESPALHA ATAQUES PELOS VIZINHOS DO GOLFO, PROVOCA MAIS INSTABILIDADE NO PREÇO DE PETRÓLEO E CRIA MAIS INIMIGOS CONTRA ELE
Espalhando brasa. O Irã está fazendo o que ensina para o Hamas, Hezbollah e os Houthis: espalhando terror na região do Golfo Pérsico. A ditadura iraniana dos Aiatolás determinou intensificar os ataques contra os países vizinhos, visando instalações de petróleo e gás, influenciando uma alta nos preços do petróleo e angariando mais inimigos. Será que alguém duvida que se tivesse uma bomba atômica, a cúpula da ditadura iraniana não autorizaria a usa-la? As forças militares estão atacando alvos civis no Bahrein, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. O Ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan Al Saud (direita), afirmou
que, agora, seu país se reserva o direito de agir militarmente contra o Irã e que qualquer confiança com Teerã foi destruída. Os ataques aéreos iranianos desde quarta-feira causaram grandes danos à maior usina de gás do mundo, no Catar, atingiram uma refinaria na Arábia Saudita, forçaram os Emirados Árabes Unidos a fechar instalações de gás e provocaram incêndios em duas refinarias no Kuwait. A retaliação de Teerã contra os ataques israelenses às suas instalações de gás representa uma nova escalada na guerra que já dura quase três semanas. Com isso, o preço do petróleo Brent, saltou para US$ 119 e o WTI, para US$ 96,65, os maiores índices desde o início do conflito.
Nesta quinta-feira (19), um drone caiu sobre a refinaria SAMREF da Aramco-Exxon, informou o Ministério da Defesa saudita, acrescentando que os danos estavam sendo avaliados. O drone também interceptou um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, cidade portuária que atualmente é o único ponto de escoamento do petróleo bruto da Arábia Saudita e onde a refinaria está localizada. Também hoje, uma das unidades operacionais das refinarias Mina al-Ahmadi e Mina Abdullah da Kuwait Petroleum Corporation foram alvos de drones, resultando em incêndios em ambos os locais, informou a agência de notícias estatal do Kuwait. A gigante petrolífera estatal do Catar, QatarEnergy, afirmou que os ataques de mísseis iranianos contra Ras Laffan, local das principais operações de processamento de GNL do país, causaram “danos extensos”, enquanto os Emirados Árabes Unidos fecharam instalações de gás após interceptarem mísseis na madrugada de hoje.
Os ataques iranianos, que provocaram uma resposta furiosa do presidente dos EUA, Donald Trump, ocorreram horas depois de Teerã ter emitido alertas de evacuação para várias instalações petrolíferas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, na sequência de ataques à sua própria infraestrutura energética em South Pars e Asaluyeh. A QatarEnergy, segunda maior exportadora mundial de GNL, afirmou em comunicado que sua equipe de resposta a emergências foi imediatamente mobilizada para conter os incêndios causados pelo ataque. Todos os incêndios em Ras Laffan (direita) estavam sob controle, sem relatos de feridos, segundo o Ministério do Interior do Catar.
Ras Laffan, localizada a 80 km ao norte de Doha, é um centro da indústria de energia e abriga diversas empresas internacionais, incluindo a Shell, a maior comercializadora de GNL do mundo. “Estamos avaliando o potencial impacto em qualquer ativo operado ou utilizado pela Shell na Cidade Industrial de Ras Laffan e forneceremos mais informações oportunamente“, disse um porta-voz da Shell. A gigante do setor energético detém uma participação de 30% em uma instalação de GNL com capacidade para 7,8
milhões de toneladas métricas por ano e investimentos em plantas de GNL ainda em fase de implantação em Ras Laffan. Ela também é proprietária integral da planta de conversão de gás em líquidos Pearl, localizada no polo energético, com capacidade para processar até 1,6 bilhão de pés cúbicos por dia de gás natural extraído de poços.
A QatarEnergy afirmou que a instalação de conversão de gás em líquidos Pearl sofreu danos extensos. Diversas instalações de GNL foram atingidas por ataques de mísseis na madrugada de quinta-feira, causando “incêndios consideráveis” e mais danos, segundo a empresa. A Shell afirmou posteriormente que a instalação Pearl GTL sofreu danos, mas que o incêndio foi rapidamente extinto e que agora se encontra em condições seguras. A avaliação dos danos está sendo realizada em estreita colaboração com as autoridades e a QatarEnergy.
INSTALAÇÕES DESATIVADAS NOS EMIRADOS
Nos Emirados Árabes Unidos, as autoridades disseram estar respondendo a incidentes nas instalações de gás de Habshan (direita) e no campo petrolífero de Bab, causados pela queda de destroços de mísseis interceptados. As instalações de gás foram fechadas e não houve relatos de feridos, informou o Gabinete de Imprensa de Abu Dhabi. O complexo de Habshan, operado pela gigante petrolífera estatal de Abu Dhabi, ADNOC, é uma das maiores instalações de processamento de gás do mundo, compreendendo cinco plantas com uma capacidade total de 6,1 bilhões de pés cúbicos padrão por dia (bscfd), de acordo com a ADNOC. Além disso, a refinaria SAMREF da gigante petrolífera Saudi Aramco, no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, foi alvo de um ataque aéreo nesta quinta-feira. O impacto foi mínimo, após outros ataques as instalações de energia no Catar e nos Emirados Árabes Unidos em resposta aos ataques conjuntos EUA-Israel contra instalações energéticas iranianas.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu um alerta de evacuação para diversas instalações petrolíferas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Catar, incluindo a SAMREF, uma joint venture entre a Saudi Aramco e a Exxon Mobil. O alerta veio na sequência de um ataque ao campo de gás de South Pars, no Irã, uma escalada significativa na guerra com os Estados Unidos e Israel. Desde que o Irã fechou efetivamente o Estreito de Ormuz após o início da guerra no final do mês passado, Yanbu tem sido um dos dois principais pontos de exportação de petróleo bruto dos países árabes do Golfo. O Estreito, uma via navegável estreita entre o Irã e Omã, normalmente transporta um quinto do suprimento mundial de petróleo.
O outro principal porto de exportação é o de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, que sofreu uma série de ataques que suspenderam as operações. Não ficou imediatamente claro se os carregamentos estavam ocorrendo hoje. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído quatro mísseis balísticos lançados em direção a Riade, e os Emirados Árabes Unidos suspenderam as operações em suas instalações de gás de Habshan após a interceptação por um drone. Esta manhã, o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan Al Saud, disse que seu país se reserva o direito de agir militarmente contra o Irã e que qualquer confiança com Teerã foi destruída.
REAÇÃO NO GOLFO
Na sequência desses ataques, os Estados do Golfo solicitaram um debate urgente no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, em Genebra, sobre os ataques do
Irã contra civis e infraestrutura energética em todo o Oriente Médio, conforme mostram os documentos. Uma nota diplomática enviada pelos estados do Golfo, descreve os ataques com mísseis balísticos e drones contra Bahrein, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos como uma “situação de séria preocupação para a paz e a segurança internacionais”, com graves implicações para os direitos humanos. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã e os ataques a instalações de energia em toda a região fizeram disparar os preços da energia e alimentaram os temores de um aumento da inflação global. Os “ataques não provocados” contra os países do Golfo, apesar das garantias dadas a Teerã de que seus territórios não abrigariam lançamentos contra o Irã, exigem atenção imediata, diz a nota diplomática. O projeto de resolução proposto pelos Estados do Golfo condena veementemente e exige que o Irã cesse imediatamente os ataques contra infraestrutura civil e embarcações comerciais no Estreito de Ormuz, além de buscar reparações pelos danos causados a civis, infraestrutura e ao meio ambiente. O Conselho recebeu o pedido e está analisando uma data para realizar o debate, afirmou uma carta de seu presidente, Sidharto Reza Suryodipuro (foto).

publicada em 19 de março de 2026 às 11:00 





