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IRÃ NAO RESPEITA TRÉGUA E ATACA OS PAÍSES DO GOLFO. DECISÃO DE TRUMP EM SUSPENDER OS ATAQUES É DURAMENTE CRITICADA EM ISRAEL

Ao mesmo tempo em que comemoravam a decisão do Presidente Trump em aceitar um cessar fogo por duas semanas, seguindo uma sugestão do presidente do Paquistão, que negocia um acordo de paz com o Irã, os Estados do Golfo eram atacados pelos mísseis e foguetes iranianos contra as suas instalações. Omã e Arábia Saudita foram os primeiros a saudar o acordo de cessar-fogo, que prevê a suspensão dos combates pelas próximas duas semanas e o início das negociações em Islamabad, no Paquistão. Mas em Israel, a oposição ao governo de Benjamin Netahyahu fez duras críticas a aceitação da trégua de duas semanas. Ao mesmo tempo, Israel disse não considerar que os terroristas do Hezbollah, financiados pelo Irã, fazem parte do acordo e seguiu os bombardeios na parte dominada do Líbano por estes terroristas.

A Arábia Saudita exigiu a suspensão dos ataques contra instalações dos Estados do Golfo, após relatos dos disparos de mísseis iranianos que  ainda estavam em curso no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos. O Catar também saudou o acordo e exigiu que o Estreito de Ormuz seja completamente assegurado ao livre de trânsito, em conformidade com as leis internacionais vigentes relativas à salvaguarda das cadeias de abastecimento globais. Grupos terroristas apoiados pelo Irã também afirmaram ter suspendido os ataques à região, com a Resistência Islâmica do Iraque e o Hezbollah  do Líbano reconhecendo o cessar-fogo em comunicados oficiais.

O Exército do Kuwait afirmou ter interceptado 28 drones desde o início do cessar-fogo, muitos dos quais tinham como alvo instalações petrolíferas e centrais elétricas vitais para o país. Os ataques causaram danos materiais significativos em instalações petrolíferas, usinas elétricas e centros de dessalinização de água. Em tom semelhante, os Emirados Árabes Unidos disseram que suas defesas aéreas estão lidando com mísseis e drones procedentes do Irã nesta quarta-feira, horas após o anúncio da trégua. Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas ficaram feridas e um incêndio foi registrado no complexo de gás de Haabshan, em Abu Dhabi, devido à queda de estilhaços após as defesas aéreas interceptarem uma ameaça. Os sistemas de defesa aérea foram acionados novamente mais tarde naquele dia, com o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmando que se tratava de um ataque com míssil balístico. No Bahrein, duas pessoas ficaram feridas, várias casas foram danificadas por estilhaços de um drone iraniano interceptado.

A REAÇÃO EM ISRAEL

“Um Desastre político”. Foi assim que  líderes israelenses criticam duramente o cessar-fogo e divergiram sobre quem é o culpado. “Levará anos para repararmos os danos políticos e estratégicos que Netanyahu causou”, afirmou o líder da oposição  Yair Lapid, enquanto o deputado Zvika Fogel, culpa Trump por “ter se acovardado”. Lapid (direita) criticou duramente o cessar-fogo com o Irã anunciado classificando-o como uma falha de liderança política e estratégica e alertando para consequências a longo prazo para a segurança de Israel. “Nunca houve um desastre político como este em toda a nossa história”, escreveu em um comunicado, argumentando que “Israel sequer participou das discussões quando as decisões relativas à nossa segurança nacional foram tomadas”. Ele acrescentou que, embora “os militares tenham cumprido tudo o que lhes foi pedido e o público tenha demonstrado uma resiliência incrível”, o primeiro-ministro Netahyahu “fracassou politicamente, fracassou estrategicamente e não atingiu nenhuma das metas que ele mesmo estabeleceu”. O líder da oposição alertou que  “levará anos para repararmos os danos políticos e estratégicos que Netanyahu causou devido à arrogância, negligência e falta de planejamento estratégico”.

O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Knesset e membro do partido de extrema-direita Otzma Yehudit, o deputado Zvika Fogel  reagiu ao cessar-fogo anunciado por Trump com uma publicação contundente no X. “Donald, você realmente amarelou”, escreveu ele, usando a palavra hebraica para “pato” para descrever o presidente americano, que na gíria implica fraqueza ou falta de fibra moral. Embora Fogel e Lapid tenham direcionado suas críticas para lados diferentes, suas observações refletem um sentimento mais amplo compartilhado em todo o espectro político israelense, que vê o cessar-fogo em sua forma atual como um resultado negativo para Israel. O presidente do partido israelense Beytenu, Avigdor Liberman, alertou que o cessar-fogo “dá ao regime dos aiatolás um respiro e uma oportunidade de se reagrupar”, acrescentando que “qualquer acordo com o Irã, sem abrir mão da destruição de Israel, do enriquecimento de urânio, da produção de mísseis balísticos e do apoio a organizações terroristas na região, significa que teremos que retornar a outra campanha sob condições mais duras e pagar um preço mais alto”.

AMEAÇAS AO HEZBOLLAH

Além da ameaça representada pelo Irã, outros expressaram uma preocupação mais imediata com o Líbano. Israel tem afirmado consistentemente que seu objetivo no Líbano, na guerra atual, é desarmar o Hezbollah e eliminar a ameaça que representa para as comunidades do norte. E embora as Forças de Defesa de Israel (IDF) tenham sinalizado recentemente que alcançar plenamente esse objetivo pode ser irrealista,   o cessar-fogo atual é amplamente visto como um retrocesso nos esforços para reduzir significativamente as capacidades do grupo. Declarações emitidas por  comunidades na linha de frente no norte de Israel, após o anúncio de Trump, expressaram preocupação com um cessar-fogo que interromperia as atividades das Forças de Defesa de Israel no sul do Líbano.

“Se a guerra no Líbano contra o Hezbollah for interrompida, isso será um fracasso ético, moral e de segurança de primeira grandeza”, disse Moshe Davidovich, chefe do Conselho Regional da Alta Galileia. “É inaceitável que tenhamos enviado nossos melhores filhos para lutar e transformado centenas de milhares de moradores sentados na linha de confronto em defensores do Estado, apenas para parar um instante antes do momento decisivo“, acrescentou Davidovich, que também preside o Fórum da Linha de Confronto.

O gabinete de Netanyahu saudou o anúncio de Trump sobre um cessar-fogo feito nesta quarta-feira(8) pela manhã (em Tel Aviv), afirmando em um comunicado em inglês que “Israel apoia a decisão do presidente Trump de suspender os ataques contra o Irã por duas semanas“, mas ressaltou que o cessar-fogo de duas semanas não inclui o Líbano. Horas depois, o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (IDF) em árabe, Avichay Adraee, emitiu um alerta de evacuação  para um prédio na área de al-Abbasiyah, em Tiro, no sul do Líbano, em meio a relatos libaneses de ataques a vários alvos na região. O Hezbollah, por sua vez, até o momento se absteve de lançar ataques em território israelense desde o anúncio do cessar-fogo.

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