IRÃ QUER DINHEIRO PARA ABRIR MÃO DO URÂNIO ENRIQUECIDO ENTERRADO E SE JUNTA AOS TERRORISTAS HOUTHIS PARA ATACAR ISRAEL.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Donald Trump, conversaram por telefone nesta segunda-feira(8) para manter um cessar fogo com o Irã. Mas, pelo lado dos iranianos, enquanto Israel estiver querendo eliminar o Hezbollah no Líbano, manterá seus ataques. A ligação ocorreu antes de Trump publicar no Truth Social que Israel e o Irã estavam buscando um cessar-fogo imediato. O Irã disparou mais de 20 mísseis balísticos contra Israel, enquanto as Forças de Defesa de Israel alertaram que o conflito renovado poderia durar vários dias e se intensificar ainda mais. Às 11h30 (horário local), o Irã havia disparado três
salvas com 24 mísseis, contra Israel, enquanto os terroristas Houthis, no Iêmen, dispararam mais dois mísseis. Um dos mísseis Houthi não atingiu o território israelense, enquanto o outro foi abatido pela defesa aérea israelense. Dos 24 mísseis iranianos, 23 foram abatidos e um deles caiu em um lugar isolado. O revide de Israel se deu, até o momento, em duas ondas
de ataques da força aérea, que atingiu nove sistemas diferentes de defesa aérea e radares da República Islâmica, bem como um complexo petroquímico, incluindo três instalações distintas. Apesar desta turbulência, o petróleo se manteve estágio, abaixo dos US$ 100, sendo cotado a US$ 94,75 o barril do Brent para entrega em julho.
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, conversou três vezes com o chefe do Comando Central dos EUA (CENTCOM), almirante Brad Cooper( direita), desde o início deste último conflito com o Irã. As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram que, embora os militares dos EUA estejam se mantendo fora de ataques ofensivos contra o Irã, já auxiliaram na derrubada de mísseis disparados contra Israel. Alguns oficiais das Forças de Defesa de Israel
acreditam que, enquanto essas novas rodadas de combates não terminarem, o regime iraniano simplesmente não está pronto para assinar um acordo nos moldes da proposta atual dos EUA. As Forças de Defesa de Israel criticaram grande parte da mídia internacional por apresentar a atual rodada de conflitos como se o Irã e Israel fossem provocadores em pé de igualdade. Em vez disso, as Forças de Defesa de Israel declararam que têm lutado contra o Hezbollah, mas não atacaram o Irã desde 7 de abril. Para os israelenses, o mundo precisa entender claramente que foi o Irã que rompeu unilateralmente o cessar-fogo bilateral entre os países. Fontes das Forças de Defesa de Israel indicaram que, embora houvesse planos prontos para qualquer cenário com o Irã,
muitos altos funcionários claramente não acreditavam que a República Islâmica violaria o cessar-fogo como fez, o que atrasou a resposta israelense por algumas horas, além do tempo de voo de três a quatro horas.
Mesmo não tendo nenhum resultado do ponto de vista de destruir o inimigo, os iranianos prometem continuar os ataques, se o sul do Libano continuar sendo bombardeado. É lá que se reúne os terroristas do Hezbollah, financiado pelos iranianos. Caso a “agressão e as atrocidades continuem, medidas muito mais severas e repressivas serão tomadas“, ameaçou o exército iraniano. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian(esquerda), afirmou em uma publicação no X que a prioridade do Irã é a segurança nacional e a paz de seu povo. “Defenderemos os direitos da nação com autoridade e não recuaremos diante de nenhuma ameaça. Diplomacia e defesa são os dois pilares do poder nacional. Não abandonamos o campo de batalha nem a mesa de negociações. Se Deus quiser, com união e racionalidade, o Irã sairá vitorioso também desta provação.”
PROJETO NUCLEAR
Um projeto de resolução dos EUA para a Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA – exige que o Irã revele informações sobre instalações nucleares
bombardeadas e estoques de urânio. Altos funcionários israelenses e americanos disseram que estão com os olhos fixos em Isfahan, Fordow e Natanz, onde enormes montes de entulho cobriram o urânio, depois dos ataques israelenses e americanos que visaram destruir todas as centrífugas iranianas onde o urânio era enriquecido. Eles chegaram a 60%, bem perto dos 90% para uso militar. Os EUA estão pressionando outros países do Conselho de Governadores da Agência Internacional para que apoiem um projeto de resolução que ordena ao Irã que informe à agência o destino de suas instalações nucleares, que Israel e os EUA bombardearam em junho de 2025 e novamente no início de 2026, especificamente em relação ao urânio enriquecido que está sob os escombros.
O texto da proposta de resolução dos EUA, que circulou antes da reunião trimestral desta semana do conselho de 35 nações, pode tanto pressionar o Irã a um novo acordo nuclear, quanto levar o regime islâmico a se manter firme em sua posição, já que se irrita com resoluções contrárias a ele na AIEA. Uma tática que o Irã não pode usar desta vez, como fez no passado após algumas condenações, seria aumentar seu enriquecimento de urânio. Após os ataques israelenses e americanos, o país atualmente não possui centrífugas em funcionamento para enriquecer urânio. Na semana passada, o diretor-geral da agência nuclear da ONU, Rafael Grossi(esquerda), continuou a reiterar uma mensagem que vem transmitindo há anos, e com mais intensidade desde junho de 2025, de que o Irã deve restaurar o acesso de seus inspetores às instalações nucleares.
Na verdade, o fator imediatamente anterior ao ataque de Jerusalém e Washington a Teerã em junho de 2025 foi um longo período de vários anos em que o Irã ignorou
suas obrigações perante a AIEA e ocultou dos inspetores seu progresso nuclear, o que levou o Conselho da AIEA a emitir uma condenação pública. Além disso, em setembro de 2025, as partes do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015 declararam que a República Islâmica do Irã estava em violação material do acordo, o que levou ao restabelecimento das sanções globais da ONU contra o país. Apesar de todos esses acontecimentos, Teerã resistiu, até o momento, a firmar um novo acordo com o governo Trump, na esperança de sair das negociações paralisadas com um ganho financeiro inesperado decorrente do fechamento do Estreito de Ormuz durante a recente guerra. O Irã chegou ao ponto bizarro de criticar a AIEA por responsabilizá-lo por anos de violações nucleares, acusando Grossi de ser uma ferramenta política do Ocidente, em vez de admitir os anos em que o regime ignorou os apelos do diretor-geral para firmar um novo acordo nuclear antes dos ataques de junho de 2025.
Embora o Irã esteja correto ao afirmar que seria um desafio para a AIEA conseguir acessar fisicamente o urânio enriquecido a 60%, que foi coberto pelos escombros de suas instalações nucleares bombardeadas, tanto a agência quanto os EUA têm capacidade para fazê-lo, desde que haja tempo suficiente. A maioria dos analistas nucleares afirma que o Irã tem evitado os inspetores da AIEA para ocultar
do mundo qualquer novo progresso nuclear que possa alcançar ou para esconder a gravidade dos danos sofridos por seu programa, de modo a continuar incitando o medo nuclear em todo o mundo como moeda de troca para obter o alívio das sanções nucleares ou uma combinação de ambos.
As violações do programa nuclear iraniano foram expostas em 2018, quando o Mossad apreendeu cópias originais de seus arquivos nucleares secretos, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu as revelou ao mundo em um discurso televisionado da sede do Ministério da Defesa de Israel, em Tel Aviv. Isso dificultou a continuidade da negação do programa de armas nucleares do Irã e, essencialmente, forçou a AIEA a exigir acesso mais completo e respostas mais detalhadas do Irã em relação ao programa nuclear, o que o regime continua a recusar.

publicada em 8 de junho de 2026 às 11:00 





