MARCO RUBIO VAI SE REUNIR COM CÚPULA DOS PAÍSES ÁRABES DO GOLFO CONTRÁRIOS A ÍTENS IMPORTANTES DO ACORDO COM O IRÃ
O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, viaja para Golfo Pérsico para promover o acordo com o Irã em meio a muitas preocupações regionais entre os países árabes aliados. Espera-se que os líderes árabes do Golfo pressionem Rubio em relação ao um projeto que, segundo eles, pode remodelar a segurança regional e aumentar o poder de Teerã. Será uma missão delicada esta semana ao apresentar o acordo de paz com o Irã proposto por Washington à esses líderes, que temem que as concessões excessivas fortaleçam os iranianos e alterem o equilíbrio de segurança e o fluxo de petróleo da região. Rubio se reunirá ainda hoje (23) antes de viajar para o Kuwait e o Bahrein, onde se encontrará com autoridades do Conselho de Cooperação do Golfo, um grupo de monarquias que também inclui a Arábia Saudita, o Catar e Omã. Só para destacar, o preço do barril do Brent esta manhã, está cotado a US$ 76,96, um dos menores patamares, desde o início da guerra contra o Irã.
Em questão estão elementos de um projeto de acordo que incluem a ausência de limites para os mísseis balísticos do Irã, uma proposta de fundo de reconstrução de US$
300 bilhões e disposições que poderiam expandir a influência regional de Teerã e o controle sobre rotas marítimas cruciais para transporte de petróleo. Todas as seis nações do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) são aliadas estratégicas dos EUA que ofereceram algum grau de apoio logístico a Washington durante a guerra EUA-Israel com o Irã, que começou há quatro meses, e todas foram atingidas por ataques aéreos iranianos como consequência. Alguns desses países estão se sentindo, em particular, desapontados com um acordo provisório que poderia abrir caminho para a normalização das relações entre os EUA e o Irã, um país predominantemente xiita que a maioria dos estados sunitas do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) considera seu principal adversário.
Os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, o Catar, o Kuwait e o Bahrein abrigam bases militares que, por sua vez, constituem a espinha dorsal da arquitetura de segurança dos Estados Unidos no Oriente Médio. Caso algum desses países repense sua relação de segurança com os EUA, mesmo que de forma sutil, isso poderá ter um impacto significativo na estratégia militar americana na região. Para Rubio, pessoalmente, a viagem exige um ato de equilíbrio. Embora o principal diplomata americano precise apaziguar os aliados regionais, ele deve fazê-lo sem parecer criticar o memorando de entendimento entre os EUA e o Irã. O presidente Donald Trump, que assinou o acordo na semana passada, continua firmemente a apoiá-lo, apesar das críticas de alguns de seus colegas republicanos no Congresso, que acusaram o governo de ceder a Teerã.
Andrew Peek(direita), ex-secretário adjunto de Estado para o Iraque e o Irã, que atuou no Conselho de Segurança Nacional de
Trump durante seus dois mandatos, argumentou que Rubio poderia tranquilizar quaisquer aliados nervosos, destacando que Trump tem um histórico de postura firme em relação à República Islâmica. “Acho que basta lembrá-los de que o presidente tem conduzido políticas extremamente agressivas em relação ao Irã – e se este memorando de entendimento fracassar, ele não hesitará em voltar a atacá-los.” Os líderes de todos os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que acolheram Rubio
ou que estão presentes nas conversações desta semana defenderam publicamente uma solução diplomática antes do início da guerra, em fevereiro. A maioria também defendeu uma saída diplomática durante o conflito, mesmo que, na prática, tenham facilitado o esforço de guerra dos EUA.
Uma das preocupações diz respeito aos mísseis balísticos. Ao longo da guerra, o governo Trump afirmou que destruir a capacidade de mísseis balísticos do Irã era um objetivo central. Esse objetivo estava alinhado aos interesses dos estados sunitas do Golfo, já que, diferentemente dos EUA, todos estão dentro do alcance balístico do Irã e foram alvos de mísseis iranianos. O memorando de entendimento, no entanto, não menciona mísseis iranianos em momento algum, e o próprio Trump afirmou recentemente que negar tais armas a Teerã seria “injusto”.
O memorando de entendimento também prevê um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para Teerã, o que, segundo os países vizinhos da região, pode permitir que
a República Islâmica fortaleça sua capacidade militar, ao mesmo tempo que aumenta o apoio a grupos regionais que poderiam desestabilizar governos em toda a região. A liderança do Bahrein, predominantemente sunita, em particular, está preocupada com a possibilidade de um Irã bem financiado fomentar uma revolta entre a população majoritariamente xiita da ilha, dizem analistas. Durante a Primavera Árabe, a nação de aproximadamente 1,65 milhão de habitantes foi palco de protestos de rua massivos e recorrentes. nO Irã negou qualquer tentativa secreta de incitar distúrbios, mas já expressou publicamente apoio a ativistas xiitas do Bahrein.
O acordo, tal como está redigido, parece também admitir que o Irã poderá ter um papel fundamental no controle do Estreito de Ormuz no futuro, uma grande preocupação para o Kuwait, o Catar e a Arábia Saudita, que dependem do estreito para exportar petróleo e gás. De forma mais ampla, autoridades americanas começaram a falar sobre uma reformulação mais abrangente das relações com Teerã, uma transformação potencial da qual a maioria dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) se mostra cautelosa. No sábado, o vice-presidente JD Vance afirmou que os EUA estavam dispostos a “transformar fundamentalmente” seu relacionamento com Teerã. Todos acreditam que a maior parte dos fundos que Teerã deverá obter nas próximas semanas provavelmente será destinada principalmente ao fortalecimento da posição militar, e não à melhoria das condições de vida ou da economia iraniana.
“Quando a implementação de um cessar-fogo e o fim da guerra se tornam difíceis, podemos resolver a questão tanto por meio de mísseis quanto
por meio de negociações”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi(direita) aos repórteres ao deixar a Suíça. As conversações técnicas entre os EUA e o Irã, na Suíça, foram concluídas com sucesso e permitirão que ambos os lados avancem para negociações em níveis mais elevados, disse. A próxima etapa das negociações será supervisionada principalmente por altos funcionários de ambos os lados, incluindo o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf (esquerda), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi(esquerda), e o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance.
O encerramento da primeira sessão de negociações foi anunciado inicialmente em uma declaração conjunta pelos mediadores do Catar e do Paquistão. Segundo os dois países, as conversações decorreram num “ambiente positivo e construtivo“, apesar de a delegação iraniana ter abandonado as negociações no domingo à noite em protesto contra as ameaças do Presidente Trump de retomar os ataques caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto. Hoje, o embaixador iraniano informou às Nações Unidas em Genebra que houve “algum progresso positivo nas negociações entre os EUA e o Irã na Suíça”. O embaixador também enfatizou que “o Líbano é parte integrante do acordo de paz do Memorando de Entendimento. Não devem ocorrer mais ataques contra o Líbano, e o acordo inclui a retirada das tropas israelenses.”
Estados Unidos e Irã trabalham para estabelecer um comitê de supervisão política durante futuras negociações. “Quando a implementação de um cessar-fogo e o
fim da guerra se tornam difíceis, podemos resolver a questão por meio de mísseis ou por meio de negociações”, disse Ghalibaf. “Eu disse a Vance(direita): Estamos aqui em negociações e, de acordo com o entendimento assinado, a primeira cláusula afirma que não deve haver ameaças ou coerção. No entanto, hoje, seu presidente fez ameaças. Entenda que nunca negociamos sob ameaças ou pressão.’” Tanto o Irã quanto os EUA concordaram em estabelecer um Comitê de Alto Nível para supervisão política durante futuras negociações, afirmou o comunicado conjunto. Os negociadores-chefes apresentarão relatórios regulares ao comitê sobre o andamento das negociações, que concordou em estabelecer um roteiro para chegar a um acordo final em 60 dias.
PILOTO AMERICANO
O Piloto de F-15 que foi abatido, revelou que avistou formação de drones iranianos em formato de “água-viva” quando jato foi abatido durante a Operação Fúria Épica. Ele foi abatido em abril e descreveu ter observado uma formação coordenada de drones iranianos de acordo com múltiplas fontes citadas sobre a declaração do ploto. O piloto do F-15 relatou a oficiais de inteligência que observou “múltiplos drones iranianos movendo-se como um só, durante um interrogatório após o resgate realizado pelas Forças Especiais dos EUA. “Vários drones interligados e se movendo como um só, com drones menores abaixo dos maiores, como se fossem pernas… coisa de alienígena mesmo.” Outra fonte afirmou que o piloto descreveu a situação como um “campo minado de drones”.
A causa da queda do F-15 ainda está sob investigação, mais de dois meses após o incidente. No entanto, relatos iniciais
indicam que a formação de drones pode ter permitido ao Irã abater a aeronave, segundo duas fontes da CNN. Um F-15 tem uma tripulação de duas pessoas, geralmente composta por um piloto e um navegador, ou oficial de sistemas de armas. O abate do jato em abril foi a primeira vez que o Irã derrubou um caça americano.
O piloto foi resgatado horas depois de uma operação espetacular. Eles se ejetaram da aeronave. Enquanto o oficial de sistemas de armas se escondeu nas montanhas para evitar a captura pelos iranianos por mais de um dia antes de ser resgatado. Surgem também questionamentos dentro da comunidade de inteligência dos EUA sobre como interpretar o que o piloto viu. Uma das preocupações é que o piloto tenha sofrido uma concussão durante o acidente. Além disso, esta foi a
segunda vez que ele foi abatido durante a Operação Fúria Épica, pois fazia parte da tripulação do voo que foi derrubado em um incidednte de fogo amigo pelas forças armadas do Kuwait logo no início da guerra, que começou no dia 28 de fevereiro. O relatório citou uma fonte que disse que um oficial perguntou ao piloto: “Tem certeza de que viu o que está dizendo que viu?”
A inteligência dos EUA teme que a formação de drones iranianos possa sinalizar maiores capacidades e ameaças. Autoridades de inteligência estão preocupadas porque vários drones se movendo em uníssono dentro de uma formação representariam um avanço alarmante nas capacidades de drones iranianos. Um especialista em guerra com drones disse que os militares dos EUA “gastariam muito, muito dinheiro, derramariam muito sangue e gastariam muito tesouro, protegendo-nos de algo que consegue se coordenar dessa maneira. Se conseguir se coordenar em uma forma reconhecível e manter essa forma, se tiver explosivos a bordo e se mantiver recursos em reserva para atacar o que o primeiro disparo não destruiu, essa é uma abordagem muito eficaz.“
O ex-primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, afirmou que Israel contrabandeou receptores de internet Starlink para o Irã para ajudar os manifestantes
antigovernamentais, mas alegou que a iniciativa foi posteriormente interrompida pelo governo atual. No entanto, o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não conseguiu dar seguimento aos planos, acrescentou Bennett. Ele fez esta declaração à uma plateia na Cúpula de Políticas Internacionais da JNS, em Jerusalém, que havia iniciado um “processo de aquisição e contrabando para o Irã de dezenas de milhares de receptores Starlink que permitiriam a continuidade da internet e das redes sociais”. A Starlink, empresa da SpaceX de Elon Musk, fornece conexões de internet via satélite. O Irã já acusou Israel e os Estados Unidos de contrabandearem esses dispositivos para minar sua segurança. A Starlink não possui licença para operar no Irã, mas Musk já afirmou que o serviço está ativo no país.

publicada em 23 de junho de 2026 às 11:00 








