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MEGA LICITAÇÃO DE BLOCOS NA ARGENTINA COLOCA VACA MUERTA NO CENTRO DAS ATENÇÕES DA INDÚSTRIA DE ÓLEO E GÁS

À medida que o conflito no Oriente Médio expõe a fragilidade das cadeias globais de suprimento construídas em torno do Estreito de Hormuz, empresas de energia e países importadores passaram a reavaliar de onde virão os próximos barris considerados confiáveis. Nesse contexto, o shale de Vaca Muerta tem sido apontado com uma das principais alternativas, tendo em vista que a Argentina está colocando à disposição 15 novos blocos exploratórios na formação para companhias nacionais e internacionais. Essa será a maior rodada de ofertas desde 2016 e mais que o dobro dos seis blocos disponibilizados no leilão provincial anterior.

Vaca Muerta é considerada a maior província comercial de shale aberta a empresas internacionais de exploração e produção fora da América do Norte. A formação já supera plays norte-americanos como Permian, Bakken e Eagle Ford em indicadores de produtividade por poço. Segundo cálculos da consultoria Rystad Energy, a produção de petróleo da bacia deverá ultrapassar 1 milhão de barris por dia até o fim da década.

A Argentina está oferecendo às companhias internacionais sua melhor oportunidade de entrada orgânica em Vaca Muerta em uma década. A bacia está amadurecendo rapidamente, a infraestrutura está sendo construída em ritmo acelerado e os termos da rodada foram desenhados para atrair operadores capazes de aplicar a experiência adquirida no shale norte-americano. Para quem perdeu a primeira onda, este é o chamado que esperavam”, afirmou Jai Singh, chefe de pesquisa de petróleo e gás dos Estados Unidos da Rystad Energy.

Os 15 blocos, ofertados por meio da companhia provincial Gas y Petróleo del Neuquén (GyP), abrangem toda a extensão da formação — desde o noroeste rico em condensado até o nordeste mais voltado ao petróleo e a fronteira sul ainda menos explorada. A maior parte das transações realizadas na bacia desde a última rodada provincial ocorreu de forma inorgânica, principalmente por meio de aquisições e acordos de farm-in, em vez da abertura de novas áreas.

O momento reflete o aumento do interesse internacional, demonstrado mais recentemente pela aquisição de 90% do bloco Los Toldos II Oeste pela Continental Resources, pioneira do shale nos Estados Unidos, além do posterior farm-in em ativos da Pan American Energy. Os preços de equilíbrio dos poços nas áreas mais promissoras variam entre US$ 32 e US$ 49 por barril, patamar considerado competitivo frente a outros polos globais de shale já consolidados.

O interesse não se limita às empresas estrangeiras. Operadoras locais também possuem forte incentivo para participar da rodada, devido às conexões já existentes de infraestrutura, ao conhecimento geológico regional e ao valor estratégico de blocos adjacentes às áreas que já operam na província de Neuquén.

Os participantes disputarão os blocos por meio de uma combinação de participação carregada para a GyP, royalties acima do mínimo de 15%, compromissos de programas de trabalho e bônus de acesso, com valor mínimo de US$ 500 mil por bloco.

As novas empresas que entrarem em Vaca Muerta também precisarão superar desafios operacionais e geológicos para reduzir riscos e desenvolver os ativos. Algumas áreas, especialmente próximas à frente de deformação e regiões estruturalmente complexas, exigirão das companhias forte compreensão das falhas geológicas locais, dos regimes de tensão e da variabilidade das zonas de aterrissagem dos poços.

Além da complexidade do subsolo, operadores provavelmente precisarão estabelecer presença operacional robusta e cadeia de suprimentos local em Neuquén, já que relacionamento regional e experiência operacional passaram a ser diferenciais cada vez mais importantes dentro da bacia.

A produtividade dos poços em Vaca Muerta já rivaliza com as melhores áreas da Bacia do Permian, nos Estados Unidos, em bases normalizadas, e a Argentina passou os últimos anos construindo silenciosamente os gasodutos e terminais de exportação necessários para transformar essa geologia em oferta global. Esta rodada marca o momento em que a principal província de shale fora dos Estados Unidos formalmente convida o mundo a entrar”, concluiu Jai Singh.

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