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BARRIL DO PETRÓLEO BRENT PARA ENTREGA EM JUNHO SEGUE NA CASA DOS US$ 94,5 APESAR DA APREENSÃO DO NAVIO MERCANTE IRANIANO

Fuzileiros navais dos Estados Unidos abordaram um navio comercial de bandeira iraniana no Mar da Arábia, após um impasse de seis horas. O comandante do navio se recusou a cumprir a ordem do comandante do bloqueio naval americano quando se dirigia a um porto iraniano. Os soldados desceram  de rapel a partir de helicópteros lançados do navio de assalto anfíbio USS Tripoli, anunciou o Comando Central dos EUA (CENTCOM) na manhã desta segunda-feira (20). A operação ocorreu depois que o destróier de mísseis guiados USS Spruance desativou a propulsão do navio pelo comandante do navio mercante não ter atendido aos repetidos avisos, segundo um comunicado. O principal comando militar conjunto do Irã, Khatam al-Anbiya, acusou os EUA de violarem o cessar-fogo ao dispararem contra um navio comercial iraniano no Golfo de Omã, prometendo retaliar, informou a agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica. Apesar deste incidente, ao contrário do alarmismo de alguns veículos da mídia tradicional, a cotação do barril do petróleo Brent, que já esteve a US$ 115 dólares, continua no patamar dos US$ 94,5 esta manhã para entrega em junho.

O navio iraniano sofreu danos significativos e foi apreendido pelos fuzileiros navais dos EUA após tentar ultrapassar o bloqueio naval. Segundo uma publicação do presidente dos EUA, Donald Trump, na Truth Social, o navio chamava-se Touska e recebeu um aviso prévio antes de ser atacado por um navio da Marinha dos EUA. “A tripulação iraniana se recusou a ouvir, então nosso navio da Marinha os deteve imediatamente, abrindo um buraco na casa de máquinas“, disse ele. Trump também mencionou que Touska está sob sanções do Departamento do Tesouro dos EUA devido ao seu “histórico de atividades ilegais”.

O Comando Central dos EUA confirmou o ataque contra o navio iraniano, afirmando que foi realizado pelo destróier de mísseis guiados USS Spruance, que interceptou a embarcação enquanto ela navegava pelo norte do Mar da Arábia rumo a Bandar Abbas, no Irã. O navio teve um prazo de seis horas para se adequar às exigências dos EUA, após o qual o destróier americano desativou o sistema de propulsão do Touska. Posteriormente, fuzileiros navais americanos embarcaram no navio e assumiram a custódia. O primeiro vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref (direita), afirmou que “a escolha é clara” em relação à situação de segurança no Estreito de Ormuz. “Ou um mercado de petróleo livre para todos, ou o risco de altos custos para todos. A estabilidade dos preços globais dos combustíveis depende de um fim garantido e duradouro à pressão econômica e militar contra o Irã e seus aliados.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi (esquerda), considera as recentes ameaças dos EUA como “prova da falta de seriedade dos Estados Unidos na diplomacia“, informou a agência de notícias semioficial Tasnim. “As ameaças aos portos, costas e embarcações iranianas, a retórica ameaçadora, as exigências descabidas e as constantes contradições são sinais claros da má vontade dos Estados Unidos”, disse Araghchi. Seus comentários foram feitos durante uma conversa telefônica com o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar, na qual Araghchi alertou que o regime islâmico “usará todas as suas capacidades para proteger os interesses e a segurança nacional do Irã”.

A empresa de navegação francesa CMA CGM confirmou no domingo que um dos navios que foi alvo de disparos no Estreito de Ormuz no sábado (18) fazia parte de sua frota, descrevendo o incidente como “tiros de advertência”. A empresa acrescentou que a tripulação está em segurança. “O Irã decidiu disparar tiros no Estreito de Ormuz, uma violação total do nosso Acordo de Cessar-Fogo!“, escreveu Trump nas redes sociais, acrescentando que um navio francês e um britânico estavam entre os alvos. Transmissões de rádio revelaram que duas embarcações adicionais com bandeira indiana,  também atacadas pelo Irã no estreito no sábado, foram as primeiras a receber permissão para transitar pelo canal, de acordo com uma empresa de inteligência marítima.

Ontem (19) as forças armadas iranianas disseram ter forçado dois petroleiros a retornar após emitirem advertências, informou a agência de notícias semioficial Tasnim, afirmando que isso ocorreu como resultado do bloqueio marítimo contínuo dos EUA ao Irã. Os navios, navegando sob as bandeiras do Botswana e de Angola, foram forçados a mudar de rumo após o que o relatório descreveu como “trânsito não autorizado” pela via navegável estratégica. Uma  análise da empresa de  transporte marítimo Kpler,   aponta que mais de 20 embarcações atravessaram o Estreito de Ormuz no sábado, o maior número de navios cruzando a hidrovia desde 1º de março. Entre os navios que conseguiram passar, cinco deles carregavam cargas provenientes do Irã, que variavam de derivados de petróleo a metais. Três deles são navios-tanque de gás liquefeito de petróleo, um com destino à China e outro à Índia.

O navio-tanque Crave, com bandeira do Panamá e carregado com GLP dos Emirados Árabes Unidos, está a caminho da Indonésia. Dois dos três navios-tanque – Akti A e Athina – carregados com produtos refinados provenientes do Bahrein, estão a caminho de Moçambique e da Tailândia, respectivamente. O navio-tanque Navig8 Macallister, com bandeira da Libéria, está transportando cerca de 500.000 barris de nafta dos Emirados Árabes Unidos para Ulsan, na Coreia do Sul. Além disso, o navio petroleiro de grande porte Fpmc C Lord, de bandeira liberiana, transporta cerca de 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita,  segue para o porto de Mailiao, em Taiwan; o navio Desh Garima, de bandeira indiana, carregado com cerca de 780.000 barris de petróleo bruto dos Emirados Árabes Unidos, está a caminho do Sri Lanka; o navio Ruby, transportando fertilizantes do Catar, segue para os Emirados Árabes Unidos; e o navio graneleiro Merry M transporta coque de petróleo da Arábia Saudita para Ravenna, na Itália.

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