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NECTA PREPARA NOVOS INVESTIMENTOS, COM EXPANSÃO DA REDE DE GNV, AUMENTO NO NÚMERO DE CLIENTES E APOSTA EM BIOMETANO

Na entrevista desta sexta-feira (26) da série especial Perspectivas 2026, vamos conhecer os planos e próximos passos da Necta, distribuidora de gás canalizado no Noroeste do estado de São Paulo. O ano de 2025 foi muito importante para a empresa, tendo em vista o inicio do ciclo tarifário até 2029 e a elaboração de um novo plano de negócios. Já para o próximo ano, uma das metas é ampliação da rede de abastecimento de gás natural, aumentando de 12 para 20 o número de postos de combustível em rodovias na região Noroeste com bombas de abastecimento de gás natural veicular (GNV). “Nossa expectativa é alcançar a marca de 2 mil caminhões movidos a gás natural e biometano circulando na área de concessão da Necta até 2030”, projetou o CEO da companhia, José Eduardo Moreira. O executivo também revelou que o planejamento da Necta prevê sair de cerca de 40 municípios atendidos para 105 e triplicar o número de clientes até 2029 – passando de cerca de 50 mil para 150 mil. Por fim, Moreira reforçou a aposta da distribuidora no biometano — a empresa planeja investir em infraestrutura de rede para conectar as plantas de produção do energético na região.

Como foi o ano de 2025 para sua empresa e seu setor?

O ano foi marcante para a Necta, com o início do 6° ciclo regulatório tarifário da concessão (2025 a 2029) e a estruturação de um novo Plano de Negócios, orientado pelas diretrizes do Plano Estadual de Energia (PEE) 2050, que subsidia o pedido de prorrogação da concessão por mais 20 anos (até 2049).

A companhia é responsável pela distribuição de gás canalizado no Noroeste do estado de São Paulo, atendendo a 43 municípios, com cerca de 1.500 km de rede e ultrapassando 50 mil clientes nos segmentos residencial, comercial, industrial e veicular.

Para garantir o atendimento deste mercado, a Necta realizou uma chamada pública para a aquisição de suprimento de gás e/ou biometano. Essa chamada abriu espaço para a contratação de até 300 mil m³/dia em condições mais competitivas, visando diversificar seu portfólio de suprimento e reduzir o preço da molécula, com foco na distribuição para os setores residencial, comercial, industrial e veicular.

O biometano foi o nosso principal ativo. A área de concessão da Necta está em região estratégica, com grande concentração de usinas de cana-de-açúcar com potencial de geração de até 7 milhões de m³ de biometano por dia em 135 usinas que estão em operação. A localização privilegiada facilita economicamente a implementação de projetos com menor custo logístico e maior previsibilidade de fornecimento, como a construção do primeiro sistema de distribuição de gás canalizado do país abastecido exclusivamente por biometano, localizado na região de Presidente Prudente. O município está interligado à usina Cocal, que fica em Narandiba, por uma rede de 50 km que foi construída pela Necta em 2021 para atender indústrias. Recentemente a Necta concluiu a segunda fase de expansão no município, possibilitando ao biometano alcançar mais de 5 mil clientes residenciais, comerciais, industriais e postos de combustível. Ribeirão Preto encerra o ano como a segunda cidade a ser abastecida com o biometano, após a conexão da usina Santa Cruz, do Grupo São Martinho, à rede de distribuição da companhia.

A Necta também acompanhou e participou intensamente das discussões no ambiente regulatório, a fim de assegurar a viabilidade econômica do biometano. Aguardamos a deliberação sobre a consulta pública da ARSESP para os critérios e procedimentos para a interconexão de plantas de biometano à rede de distribuição e nos envolvemos em discussões relacionadas a melhorias nas normas de qualidade, nos protocolos de medição e na integração entre as políticas climáticas e o planejamento energético.

Se fosse consultado, que sugestões daria (ao governo ou ao mercado) para melhorar o ambiente de negócios em seu setor?

Se consultado, destacaria a importância de avançarmos ainda mais em uma agenda de cooperação e previsibilidade jurídica e regulatória para estimularmos a expansão do gás natural e do biometano como um dos pilares da transição energética.

No âmbito estadual, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL) tem se mostrado engajada com o setor de distribuição de gás canalizado, em prol do desenvolvimento do biometano. O fortalecimento dessa articulação entre Poder Público e o mercado é essencial para viabilizar investimentos e acelerar a transição energética no Estado, em conformidade com o PEE 2050 e com a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC).

Nacionalmente, a consolidação de políticas públicas que estimulem o uso do gás natural e do biometano como vetores da descarbonização da frota seria de grande relevância. O incentivo ao uso desses combustíveis na frota pesada, atualmente em análise pelo Ministério dos Transportes, pode gerar benefícios ambientais no curto e médio prazo. De acordo com a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) realizada pela ACV Brasil e auditada, o consumo de gás natural e de biometano registra 25% e 87% menos emissões, respectivamente, quando comparado ao consumo de óleo diesel em veículos pesados. Com uma sinalização clara ao mercado, a tendência é fomentar um ambiente de negócios mais favorável e atrativo para novos projetos em toda a cadeia, desde a produção do insumo renovável, até a utilização em segmentos que promovem maior ganho ambiental associado.

Por último, quais são as perspectivas de sua empresa para 2026?

Em 2026, continuaremos comprometidos com a transição energética e impulsionando o desenvolvimento do Noroeste Paulista, atuando como agente estruturante para o cumprimento das metas de descarbonização estabelecidas pelo Governo do Estado de São Paulo.

Para isso, ao longo do 6º ciclo tarifário (2025 a 2029), o plano Necta prevê sair de cerca de 40 municípios atendidos para 105, triplicar o número de clientes até 2029 – passando de cerca de 50 mil para 150 mil – e ampliar a malha atual de 1.500 km para quase 5.000 km. Para o biometano, pretendemos investir em infraestrutura de rede para conectar as plantas de produção na região, ampliando a oferta de biometano para o Estado de São Paulo. Atualmente, são 3 usinas em operação que somam 160 mil m³/dia de produção.

Ainda no primeiro semestre de 2026, vamos ampliar a rede de abastecimento de gás natural: o número de postos de combustível em rodovias na região Noroeste com bombas de abastecimento de gás natural veicular (GNV) passará de 12 para 20, sendo a maioria deles localizados em rodovias estratégicas para o agronegócio e para a logística de escoamento regional. Novos corredores estão em negociação com prefeituras e setores como papel e celulose, vidro e cerâmica. Nossa expectativa é alcançar a marca de 2 mil caminhões movidos a gás natural e biometano circulando na área de concessão da Necta até 2030.

A prorrogação do contrato de concessão é um requisito indispensável para que o Noroeste Paulista acelere a expansão das redes de gás canalizado em sintonia com o anseio dos municípios de desenvolvimento regional e atração de investimentos. O plano de negócios da Necta é ousado e, como em todo setor de infraestrutura, exige investimentos de longo prazo de maturação. Contudo, a previsibilidade e segurança jurídica e regulatória são essenciais para que os investimentos possam ter o ritmo adequado com as expectativas do mercado e a estratégia dos investidores, provendo uma infraestrutura resiliente e assegurando a prestação de um serviço competitivo e adequado, alinhado às diretrizes de planejamento energético e de descarbonização do Poder Executivo nas diferentes esferas.

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