NOVA ANÁLISE DA EPE AFIRMA QUE RIO DE JANEIRO, NORDESTE E SUL SÃO ÁREAS DE MAIOR DESTAQUE PARA PROJETOS EÓLICOS OFFSHORE
A costa brasileira apresenta três grandes áreas de destaque para o aproveitamento do recurso eólico offshore (no Nordeste, no Rio de Janeiro e no Sul), com velocidades médias de vento entre 7 m/s e 10 m/s. O levantamento (disponível aqui) foi realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em uma nova nota técnica, que analisou bases de dados públicas e identificou 20 agrupamentos (clusters) com características próprias de vento ao longo do litoral.
Mais do que apontar as regiões com ventos mais intensos, o estudo mostra que o recurso eólico offshore brasileiro apresenta diferenças importantes de comportamento conforme a localização. Sazonalidade, variação ao longo do dia, direção predominante e dispersão das velocidades também mudam entre as regiões e podem influenciar a contribuição que a fonte poderá oferecer ao Sistema Interligado Nacional (SIN). O estudo foi coordenado pelo diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo da Cruz Garcia (foto).
De acordo com a EPE, há uma tendência geral de ocorrência de ventos mais fortes no segundo semestre do ano. Na escala diária, as menores velocidades são observadas com frequência durante o período diurno, principalmente no início da tarde. Apesar dessas características comuns, cada cluster apresenta amplitudes e padrões sazonais próprios.
A análise também identificou diferenças na direção dos ventos. Em grande parte da costa brasileira, o fluxo tende a acompanhar a linha costeira. No Nordeste, entretanto, a influência dos ventos alísios faz com que a direção seja particularmente constante dentro dos clusters, predominantemente entre o Nordeste e Sudeste. À medida que se avança para o Sul do país, as direções tornam-se mais variáveis.
NORDESTE CONCENTRA OS VENTOS MAIS FORTES, RIO TEM MENOR VARIAÇÃO DIÁRIA
O primeiro hotspot identificado pela EPE reúne os Clusters 4 a 8, entre os estados do Piauí e do Rio Grande do Norte. A região combina os pontos de maiores velocidades médias observadas no estudo com uma elevada probabilidade de ocorrência de ventos mais constantes, tanto em velocidade quanto em direção.
Essa característica indica maior previsibilidade do recurso eólico offshore. A região também apresenta uma sazonalidade bem definida e de grande amplitude. Entre agosto e outubro, as velocidades médias chegam a aproximadamente 11 m/s, enquanto entre março e maio caem para cerca de 6 m/s.
O segundo hotspot está localizado no litoral nordeste do Rio de Janeiro e corresponde ao Cluster 15. A área também apresenta ventos fortes, com predominância da direção Nordeste.
Segundo a análise, os ventos são mais dispersos em relação à frequência de ocorrência das diferentes faixas de velocidade. Em contrapartida, a região apresenta pouca variabilidade em um mesmo dia. A velocidade média mensal varia de aproximadamente 7 m/s entre março e junho para cerca de 10 m/s de julho a fevereiro.
SUL TEM MENOR SAZONALIDADE
O terceiro hotspot identificado pela EPE corresponde ao Cluster 20 e se estende do sul de Santa Catarina por todo o Rio Grande do Sul. As velocidades médias ficam majoritariamente entre 8 m/s e 9,5 m/s e aumentam conforme os pontos se afastam da costa.
Essa região apresenta, porém, uma característica que a diferencia dos outros dois hotspots. É onde há maior probabilidade de ocorrência de faixas de velocidade mais afastadas da média do cluster, resultando em um recurso mais disperso e potencialmente mais difícil de prever, tanto em relação às velocidades quanto às direções do vento.
Por outro lado, o perfil diário médio do Cluster 20 está entre os mais constantes de todos os agrupamentos analisados. A sazonalidade também é relativamente fraca: os ventos são mais fortes entre julho e novembro e mais fracos entre janeiro e abril, com uma variação de aproximadamente 2 m/s ao longo do ano médio.
“A análise realizada teve como objetivo consolidar as informações disponíveis e iniciar o preenchimento de lacunas de conhecimento sobre recurso eólico offshore no Brasil, indicando a importância na elaboração de novos estudos a respeito da contribuição desta fonte para o setor elétrico brasileiro”, apontou a EPE.

publicada em 20 de agosto de 2026 às 5:00 





