O BIODIESEL E OS COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS ESTARÃO NO CENTRO DOS DEBATES NO ENERGY SUMMIT, QUE COMEÇA NO RIO DE JANEIRO
O debate sobre o transporte marítimo e como uma peça-chave para o cumprimento das metas internacionais de descarbonização, ganhou corpo. Governos e empresas aceleram seus compromissos e desafios da transição energética e continua mirando o setor que é responsável por transportar mais de 80% do comércio mundial em volume. O tema estará no centro das discussões do Energy Summit, um dos principais eventos globais dedicados à inovação, empreendedorismo e futuro da energia, realizado por uma das universidades mais prestigiadas do mundo, o MIT (Massachusetts Institute of Technology), que começa nesta terça-feira(23) e vai até a próxima quinta-feira (25, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Em um cenário de crescente pressão regulatória e de mercado por cadeias produtivas de baixo carbono,
especialistas de diferentes setores se reunirão para discutir os caminhos possíveis para tornar a navegação mais sustentável sem comprometer a eficiência logística que sustenta a economia global. Amanhã, André Lavor, CEO e cofundador da Binatural, uma das principais produtoras de biodiesel do Brasil, participa do painel “O Desafio Invisível: Descarbonizar o Transporte Marítimo Global“, ao lado de Jefferson de Oliveira Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI e professor do ITA; Mario Barbosa, General Sales Manager para a América Latina da Wärtsilä; Vinicius Patel, diretor de Administração Portuária e Serviços do Porto do Açu; e Hans-Jorg Fuchsloch, Global Head of Bunker Trading da Petrobrás.
A discussão ocorre em um momento decisivo para o setor. A Organização Marítima Internacional (IMO) vem avançando em metas e mecanismos para reduzir as emissões da navegação internacional, enquanto armadores, operadores portuários e embarcadores buscam alternativas capazes de conciliar competitividade, segurança energética e redução da intensidade de carbono. A meta é zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa (GEE) do transporte marítimo global até ou próximo a 2050 Entre as soluções em avaliação estão o biodiesel, outros combustíveis renováveis e novos modelos operacionais para ganho de eficiência energética. Para o Brasil, o debate assume uma dimensão estratégica. Como um dos maiores exportadores globais de commodities agrícolas, minerais e
energéticas, o país depende fortemente da logística marítima para acessar mercados internacionais. Ao mesmo tempo, possui vantagens competitivas na produção de energias renováveis e biocombustíveis que podem contribuir para a redução das emissões ao longo das cadeias de transporte. “O desafio não é apenas encontrar combustíveis com baixas emissões, mas fazê-lo em uma escala compatível com as necessidades do comércio global. O Brasil já possui uma indústria de biodiesel madura, com escala, disponibilidade e infraestrutura capaz de apoiar a descarbonização de setores como o transporte marítimo”, afirma André Lavor, CEO da Binatural.
Além dessas vantagens, o setor ainda apresenta outros números e reconhecimentos que reforçam o quão benéfico o biodiesel pode ser para o segmento marítimo. Somente no caso da Binatural, a capacidade produtiva atual é de 600 milhões de litros por ano, com planos de expansão para o próximo biênio. A companhia também possui a certificação ISCC, o que consolida seu compromisso com sustentabilidade, e experiência prática no uso de biocombustíveis em aplicações além do mercado regulado, com cases bem-sucedidos de aplicação B100 em rotas 100% sustentáveis. Por meio desses trajetos, a Binatural transporta matérias-primas e outros insumos utilizados na produção do seu próprio biodiesel, com uma redução significativa de emissões.
Outro aspecto marcante do segmento é o apoio aos agricultores familiares. Mais de 300 mil produtores são fomentados por todo o setor, sendo que a companhia apoia 25 mil dessas famílias. O painel na Energy Summit também deve abordar os impactos das novas exigências ambientais sobre o comércio internacional. Analistas apontam que, nos próximos anos, a pegada de carbono associada ao transporte poderá influenciar decisões de compra, investimentos e acordos comerciais, tornando a descarbonização um tema não apenas ambiental, mas também econômico e geopolítico.

publicada em 22 de junho de 2026 às 18:00 




