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O CIBIOGÁS ESTÁ COMPLETANDO 15 ANOS DE ATUAÇÃO COM INTELIGÊNCIA TÉCNICA PARA TRANSFORMAR RESÍDUOS EM ENERGIA RENOVÁVEL

O Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (CIBiogás) estará completando 15 anos em 2026 e aproveita para fortalecer uma das bases menos visíveis, mas mais decisivas para o avanço do setor: a inteligência técnica aplicada à tomada de decisão. Neste período tem atuado em projetos de biogás enquanto seu laboratório também alcança um marco relevante: uma década de acreditação pela Coordenação Geral de Acreditação do Inmetro, a CGCRE, para o ensaio de Potencial Bioquímico de Metano, o PBM. A acreditação consolida uma trajetória de confiabilidade, imparcialidade e rigor técnico em um setor que cresce em escala, complexidade e exigência por dados qualificados. Daiana Gotardo Martinez, diretora técnica do CIBiogás e engenheira ambiental, diz que  “Quando falamos em biogás e biometano, falamos de decisões que envolvem investimento, engenharia, operação, meio ambiente e estratégia energética. A função do CIBiogás é justamente dar segurança para essas decisões, com conhecimento técnico, independência e capacidade de transformar dados em soluções aplicáveis. O laboratório é uma parte essencial dessa construção, porque ele conecta o potencial de cada resíduo à realidade de cada projeto.” A relevância dessa estrutura cresce na mesma proporção do mercado. De acordo com o Panorama do Biogás no Brasil 2025, o país atingiu 1.803 plantas de biogás cadastradas, sendo mais de 1.700 em operação, com produção estimada em 4,96 bilhões de Nm³ por ano. O levantamento também aponta crescimento composto anual de 15% no número de plantas e de 13% no volume de produção nos últimos cinco anos, sinalizando um setor mais maduro, com projetos em expansão, ganho de escala e novas rotas de aproveitamento energético

Ativo desde 2011, antes mesmo da criação formal do CIBiogás, o Laboratório de Biogás, conhecido como Labiogás, nasceu em um momento em que o setor ainda estruturava suas bases técnicas no Brasil. Ao longo dos anos, tornou-se referência na caracterização de resíduos orgânicos com potencial energético. Já são mais de 50 mil ensaios realizados, mais de 500 tipos de substratos e misturas analisadas e capacidade atual para analisar mais de 60 amostras simultaneamente. A base técnica também se ampliou internacionalmente. Além de atender projetos em diferentes regiões do Brasil, o Labiogás já prestou serviços para clientes no Uruguai, Paraguai, Chile, Colômbia e Jordânia, consolidando uma atuação que ultrapassa o mercado nacional.

O ensaio de PBM é uma das principais ferramentas desse processo. Por meio dele, é possível estimar a capacidade de geração de biogás e metano de um resíduo específico, informação decisiva para avaliar viabilidade energética, dimensionamento de sistemas, composição da alimentação de biodigestores e potencial de retorno de um projeto. O diferencial está no fato de que a acreditação não é uma exigência obrigatória para o setor, mas uma escolha técnica e institucional do CIBiogás para submeter seus processos a avaliação externa, garantindo padrões internacionais de qualidade, confidencialidade e imparcialidade. Essa condição é especialmente relevante em um mercado que envolve empresas concorrentes, cadeias produtivas diversas e projetos em diferentes fases de maturidade. A acreditação pela CGCRE/Inmetro,  assegura que os resultados sejam produzidos com rastreabilidade, controle de qualidade e proteção das informações dos clientes.

Além do PBM, o laboratório realiza análises físico-químicas em substratos e digestatos, incluindo sólidos totais, fixos e voláteis, alcalinidade e pH, FOS/TAC, demanda química de oxigênio, sulfato, amônio, nitrogênio, fósforo e potássio. Esses ensaios auxiliam desde a definição da carga de alimentação de um biodigestor até o monitoramento de estabilidade, identificação de inibidores, avaliação de desempenho operacional e recomendação de uso agrícola do digestato. Nos últimos anos, a estrutura também passou a operar reatores de bancada, serviço que permite simular, em escala laboratorial, condições reais de operação de sistemas de biodigestão. O laboratório opera modelos de mistura completa, conhecidos como CSTR, e de lagoa coberta, BLC, com possibilidade de execução de testes em paralelo, comparando controle e tratamento.

Essa abordagem vem sendo cada vez mais procurada por empresas de biotecnologia e por empreendimentos que desejam validar produtos, aditivos, combinações de resíduos ou alterações operacionais antes de levar uma mudança para a escala real. A lógica é reduzir risco técnico e econômico: testar primeiro em ambiente controlado, com acompanhamento analítico, para depois decidir se a solução deve ser aplicada em uma planta. A próxima frente em estruturação é a aquisição de um novo reator de bancada em estágio sólido, inspirado em tecnologias de rota seca e desenhado para trabalhar com resíduos de maior teor de sólidos. A iniciativa amplia a capacidade do CIBiogás de simular tecnologias ainda pouco difundidas no cenário nacional e de validar possibilidades para substratos que exigem rotas distintas da biodigestão líquida convencional.

Para Franciele Natividade(direita), gerente do Labiogás e engenheira ambiental,  “Cada amostra que chega ao laboratório carrega uma pergunta de projeto. Às vezes, o cliente quer saber se um resíduo pode gerar biogás; em outros casos, precisa entender quanto desse substrato pode entrar na alimentação de uma planta, se há risco de instabilidade ou se um produto biotecnológico realmente melhora a produção. Nosso trabalho é responder essas perguntas com método, rastreabilidade e interpretação técnica. A acreditação reforça esse compromisso, mas o valor está também na curadoria dos dados e na capacidade de traduzir resultado laboratorial em decisão de engenharia.”

A atuação do laboratório acompanha uma mudança mais ampla no perfil do setor. Se, nas primeiras fases, o biogás esteve fortemente associado à geração de energia elétrica e à gestão de resíduos, o avanço do biometano e de novas moléculas renováveis ampliou a demanda por análises mais robustas. Hoje, segundo o Panorama do Biogás no Brasil 2025, o biometano já representa 34% do volume de biogás utilizado no país, embora esteja concentrado em uma parcela menor das plantas, evidenciando a escala superior dessas unidades. O documento também destaca o avanço de rotas como gás de síntese, metanol renovável, combustíveis sintéticos e combustível sustentável de aviação, o SAF.

Essa transição aumenta a importância de estruturas capazes de conectar pesquisa, operação e mercado. Ao longo de sua trajetória, o CIBiogás participou de projetos pioneiros que ajudaram a comprovar a viabilidade técnica e econômica do biogás e do biometano no Brasil, além de apoiar iniciativas estruturantes como o GEF Biogás Brasil, a Unidade de Demonstração de Biocombustíveis da Itaipu, a Central de Bioenergia de Toledo e a Unidade de Hidrocarbonetos, voltada à produção de hidrocarbonetos renováveis a partir de biogás e hidrogênio verde. Para o mercado, o diferencial aparece na combinação entre infraestrutura, equipe técnica e banco de dados acumulado ao longo dos anos. Em muitos casos, a análise laboratorial não apenas confirma o potencial de um resíduo, mas identifica inconsistências, orienta ajustes de coleta, aponta desvios em relação a referências já conhecidas e subsidia decisões sobre investimentos, operação ou mudanças de alimentação.

Essa percepção é compartilhada por clientes que acompanham a trajetória do laboratório. Para Luis Thiago, CEO da Master Biodigestores, a parceria com o Labiogás existe desde a criação da empresa, em 2019. “Além de ser um laboratório acreditado, com equipamentos de ponta e uma equipe extremamente qualificada, o Labiogás demonstra um nível de cuidado que faz diferença. Quando enviamos uma amostra e há alguma discrepância em relação às referências e ao histórico do banco de dados do CIBiogás, a equipe prontamente nos questiona sobre as condições de coleta para garantir a segurança da análise. Esse nível de comprometimento, até o momento, só encontramos no Labiogás.

Flavio Gross, da Frimesa, diz que  o laboratório entrega mais do que um serviço analítico. “Para nós da Frimesa, é uma felicidade manter essa parceria com o CIBiogás e com o laboratório. Muito além de fornecer uma análise, o laboratório entrega confiança e consultoria para que possamos tomar a decisão correta. A confiança vem de saber que a análise é feita seguindo critérios rigorosos, e a consultoria está em entender como aquele resultado impacta a tomada de decisão nos nossos projetos.

A segurança técnica também se conecta ao posicionamento institucional do CIBiogás como ICT dedicada ao desenvolvimento da cadeia do biogás e do biometano. A instituição reúne mais de 25 projetos de P&D+I executados, mais de 50 empresas públicas e privadas atendidas, atuação em 22 estados brasileiros e mais de 5 mil profissionais capacitados, com alcance em 27 países. Essa atuação integra serviços laboratoriais, engenharia, modelagem de negócios, inteligência de mercado, capacitações, diligências técnicas, projetos básicos, operação assistida e estruturação de propostas de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

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