O DOMÍNIO IRANIANO DO ESTREITO DE ORMUZ VAI BALISAR MERCADO DO PETRÓLEO GLOBAL A PARTIR DE AMANHÃ
Os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã representa um risco de grave interrupção no fornecimento de petróleo no Oriente Médio, o que, na pior das hipóteses, poderia desencadear uma recessão econômica global. É o que dizem os analistas. A produção de petróleo do país foi paralisada desde ontem (28/2), por precaução. O Irã é o quarto maior produtor de petróleo da OPEP, com pouco mais de 3 milhões de barris por dia em janeiro. A República Islâmica compartilha uma costa com o Estreito de Ormuz, a via navegável mais importante do mundo para o comércio global de petróleo. E ontem a mesmo a marinha iraniana fechou o estreito por
onde passa 1/3 da produção mundial do petróleo global. As companhia donas dos petroleiros suspenderam a travessia e as companhia de seguro, suspenderam as apólices. O presidente Trump prometeu aniquilar a marinha iraniana. Fala-se que o mercado abrirá amanhã entre US$ 100 e US$ 120 dólares o barril. Será? Mais algumas horas e descobriremos.
O mercado de petróleo há muito tempo ignora o risco de uma interrupção no fornecimento de petróleo no Oriente Médio. Os operadores estão subestimando a ameaça que uma retaliação iraniana ao ataque dos EUA representa para o mercado, disse Bob McNally, ex-conselheiro de energia da Casa Branca durante o governo do ex-presidente George W. Bush. “Isto é para valer”, disse McNally, fundador e presidente da Rapidan Energy. Os preços futuros do petróleo bruto provavelmente subirão de US$ 5 a US$ 7 por barril quando as negociações começarem às 18h (horário do leste dos EUA) de domingo, à medida que o mercado precifica algum risco, afirmou ele. Na sexta-feira, o preço do petróleo Brent fechou a US$ 72,48 o barril, uma alta de US$ 1,73, ou 2,45%,
enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA encerrou o pregão a US$ 67,02 o barril, uma alta de US$ 1,81, ou 2,78%. O Irã intimidou o presidente Trump e tornou o Estreito de Ormuz inseguro para o tráfego comercial, o que pode elevar os preços do petróleo acima de US$ 100 por barril, disse McNally. O mercado não leva em consideração o fato de Teerã possuir grandes estoques de minas e mísseis de curto alcance que poderiam interromper seriamente o tráfego marítimo, afirmou ele.
Mais de 14 milhões de barris por dia passaram pelo Estreito em 2025, o que representa um terço do total das exportações mundiais de petróleo bruto por via marítima, segundo dados da consultoria energética Kpler. Cerca de três quartos desses barris foram destinados à China, Índia, Japão e Coreia do Sul. A China, segunda maior economia do mundo, recebe metade de suas importações de petróleo bruto pelo Estreito. “O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz é garantia de recessão global”, disse McNally.
Mais de 20 milhões de barris de petróleo bruto foram carregados hoje para exportação no Golfo Pérsico, provenientes da Arábia
Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar, afirmou Matt Smith, analista de petróleo da Kpler. Alguns petroleiros foram observados desviando de suas rotas ao atravessar o estreito, acrescentou Smith. A capacidade excedente de petróleo do mundo provém dos países do Golfo e não conseguiria passar pelo estreito em caso de fechamento, isolando-o efetivamente do mercado, afirmou McNally. Cerca de 20% das exportações mundiais de gás natural liquefeito também passam pelo estreito, principalmente do Catar, e não poderiam ser substituídas, acrescentou.“O que se veria seria uma corrida ao estoque, especialmente por parte de países asiáticos que eram grandes importadores de petróleo e gás, quando percebessem que o Canal de Ormuz estava fechado. Veríamos a mãe de todas as guerras de lances.”

publicada em 1 de março de 2026 às 13:06 




