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O MERCADO DO PETRÓLEO NO MUNDO SOFRE COM AS CONSEQUÊNCIAS DA GUERRA COM REPERCUSSÕES EM VÁRIOS PAÍSES

A escalada do conflito entre EUA/Israel e Irã elevou de forma relevante o risco geopolítico no Oriente Médio, região central para a oferta global de petróleo. Esse ambiente aumenta os riscos logísticos, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do fluxo mundial do petróleo. Não há mais seguro que cubra as viagens do petroleiros, que estão ameaçados por foguetes e minas marítimas iranianas. Uma solução americana e israelense, com possível apoio de outros países aliados, pode agravar   ainda mais o problema e fazer com que os Estados Unidos assumam  militarmente  a Ilha de Kharg, a 30 quilômetros da costa do Irã, local de onde parte 90% do petróleo exportado pelos iranianos. A Ilha já foi bombardeada pelos Estados Unidos, que aniquilaram as forças militares que protegia a ilha. Um desembarque de tropas americanas, elevaria ao máximo as tensões internacionais.

Como consequência, o mercado incorpora um prêmio de risco nos preços, impulsionando o Brent e elevando a volatilidade da energia durante a manutenção do cenário de choque de oferta. Esse movimento tende a contaminar expectativas inflacionárias e impactar curvas de juros globalmente. Durante a tarde o preço estava mais ou menos controlado, mas com o barril do Brent sendo cotado para maio entre US$ 96 e US$ 97. Alto, mas comportado. Nesse contexto, empresas do setor de óleo e gás, especialmente as de exploração e produção, se beneficiam diretamente da alta do petróleo, dado seu elevado grau de alavancagem operacional ao preço da commodity. A elevação do preço do barril se traduz em expansão de margens, aumento de geração de caixa e, em muitos casos, maior distribuição de dividendos.

OUTRAS CONSEQUÊNCIAS

Mike Wirth, CEO da Chevron, disse que a guerra entre EUA e Irã prejudicou os mercados globais de petróleo mais do que a guerra entre Rússia e Ucrânia. Ele acredita que levará algum tempo para reconstruir os estoques e as cadeias de suprimentos após a abertura completa do Estreito de Ormuz. As empresas petrolíferas e os maiores consumidores de energia do mundo enfrentam um desafio significativo para reconstruir as cadeias de abastecimento e os estoques globais de petróleo assim que o gargalo crítico do Estreito de Ormuz for liberado, disse o CEO da Chevron, Mike Wirth, nesta segunda-feira. “Temos muito petróleo e gás agora que não está chegando ao mercado. As cadeias de suprimentos físicas não respondem imediatamente, então, mesmo que o estreito se abra em algum momento, levará tempo para reconstruir os estoques dos tipos certos de petróleo bruto e combustível.”

Wirth alertou que os países asiáticos estão com estoques baixos de diesel e querosene de aviação. A guerra atrasou as entregas de GNL, fertilizantes e outros produtos. Parte do desafio, disse Wirth, será avaliar os danos. Não está claro quanta produção foi interrompida e quão gravemente algumas instalações foram danificadas. Ele  reiterou aos executivos do setor petrolífero que previa que a interrupção global no fluxo de petróleo e gás seria “de curto prazo”, mas incentivou as empresas a aumentarem a produção. “Os mercados fazem o que os mercados fazem. Os preços subiram para enviar sinais a todos que podem produzir mais. Por favor, produzam mais.”

EMERGÊNCIA NAS FILIPINAS

O Presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr,  declarou estado de emergência energética nacional  devido aos impactos da guerra com o Irã, ao que chamou de “perigo iminente” para o abastecimento energético do país. A declaração ocorreu em meio à agenda de greves de dois dias de trabalhadores do transporte, passageiros e grupos de consumidores das Filipinas, a partir de quinta-feira, em protesto contra o  aumento dos preços dos combustíveis e o que consideram a falha do governo em responder prontamente à situação. “A declaração de estado de emergência energética nacional permitirá ao governo implementar medidas responsivas e coordenadas, de acordo com as leis vigentes, para lidar com os riscos representados pelas interrupções no fornecimento global de energia e na economia doméstica”, disse Marcos Jr.

Foi formado um comitê para garantir a movimentação, o fornecimento, a distribuição e a disponibilidade ordenados de combustível, alimentos, medicamentos, produtos agrícolas e outros bens essenciais.  A declaração de emergência, que permanecerá em vigor por um ano, autoriza o governo a adquirir combustível e derivados de petróleo para garantir o abastecimento oportuno e suficiente e, se necessário, pagar parte do valor do contrato antecipadamente. As autoridades também estão habilitadas a tomar medidas contra o açambarcamento, a especulação e a manipulação do fornecimento de produtos petrolíferos.

A Secretária de Energia, Sharon Garin, disse em uma coletiva de imprensa que o país ainda tinha reservas de combustível para cerca de 45 dias, com base nos níveis de consumo atuais. Ela afirmou que o governo está trabalhando para adquirir 1 milhão de barris de petróleo de países dentro e fora do Sudeste Asiático para formar seu estoque regulador, mas provavelmente haverá incertezas para atingir esse nível. Os sindicatos de transportes e os senadores filipinos criticaram a resposta do governo à crise, acusando a administração Marcos de falta de uma ação unificada e coordenada para mitigar as consequências da alta dos preços do petróleo.

A Piston, uma federação de associações de transporte público, descreveu a declaração de emergência energética nacional como um “remendo superficial que ignora deliberadamente as raízes estruturais da crise dos combustíveis”. Se o governo realmente pretende proteger os trabalhadores do transporte e os passageiros desta crise geopolítica, suspenderá imediatamente o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dos produtos petrolíferos para reduzir drasticamente os preços da noite para o dia”, disse Piston em um comunicado. Como parte das medidas de mitigação do governo, estudantes e trabalhadores em algumas cidades estão recebendo acesso gratuito a viagens de ônibus, e o governo começou a fornecer um subsídio de US$ 83 para mototaxistas e outros trabalhadores do transporte público em todo o país para ajudá-los a lidar com o aumento dos preços da gasolina e do diesel.

NO BRASIL, FUP LUTA POR REESTATIZAÇÃO

No Brasil, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) participou, na noite desta terça-feira (24), da Plenária Nacional em defesa da reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias privatizadas, que reuniu lideranças parlamentares, representações sindicais e movimentos sociais para debater a retomada de ativos estratégicos do sistema Petrobrás. A atividade integrou a agenda de criação da frente parlamentar mista, coordenada pelo deputado federal Pedro Uczai, “que visa a volta do controle do Estado sobre setores considerados essenciais para a soberania energética do país.” Pelo jeito, a solução que a federaão dos petroleiros acredita: criar mais boquinhas de empregos e altos salários, como o que está acontecendo em todas as empresas estatais, com exceção  da Petrobrás, de controle do Estado, mas de capital misto.

A Acelen, produzindo muito e dando lucros

Ao contrário das análises do Dieese/FUP, a Refinaria de Mataripe (antiga Rlam, na Bahia) mostra que a privatização da empresa fez bem ao  mercado. A mesma coisa com  Refinaria Amazonas. A FUP diz o contrário.   Para a federação, o atual cenário internacional reforça a necessidade de uma Petrobrás integrada e sob controle estatal. A federação está defendendo  a reestatização da BR Distribuidora, da Liquigás e das refinarias  e diz que é fundamental para recompor a capacidade do Estado de atuar como balizador do mercado de combustíveis e assegurar o abastecimento nacional, com foco no interesse público.

Ream, apesar das dificuldades logísticas, vai bem

Sobre o aumento da capacidade de da Petrobrás refinar o petróleo produzido no Brasil, a FUP não trata do assunto. Diz apenas que  a Ream, após a privatização, em 2022, deixou de refinar e pratica os preços mais caros do país, sem considerar nenhum fator logístico e das dificuldades regionais. A realidade nua e crua é que o Brasil só tem capacidade de refinar 75% de sua necessidade. 25% do diesel e da gasolina são importados e atendem aos preços internacionais, obviamente.  Quem importa, precisa vender por um preço que lhe dê lucro e mais capacidade de importar para que o país não deixe de ter o mercado desabastecido.  O preço de refino da Petrobrás, claramente é mais barato do que o combustível importado, que obedece aos preços internacionais. Como os importadores irão concorrer com a Petrobrás.  Os preços internacionais,  comparando-se aos preços da Petrobrás, ficarão sempre acima.

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