O PORTO DE PARANAGUÁ ALCANÇOU EM SETEMBRO A MAIOR MOVIMENTAÇÃO MENSAL DE SUA HISTÓRIA COM MAIS DE 152 MIL CONTÊINERES
O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) alcançou em setembro a maior movimentação mensal de sua história, com 152.347 TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. O resultado superou em 2,5% o recorde anterior, registrado em outubro de 2025, e foi acompanhado por novas máximas diárias de movimentação. O desempenho faz parte de um crescimento observado ao longo do ano. Entre janeiro e setembro, a TCP movimentou 1,279 milhão de TEUs, volume 4% superior ao mesmo período de 2025. Nas operações terrestres, 489 mil transações de contêineres passaram pelos acessos rodoviários do terminal, avanço de 3% na comparação anual. Para empresa, o aumento reforça o papel de Paranaguá nas cadeias de exportação e importação e amplia a necessidade de que a eficiência alcançada dentro do terminal seja acompanhada por toda a estrutura responsável pela chegada e saída das mercadorias. Para as transportadoras, fatores como acessos rodoviários, agendamento, capacidade dos pátios, horários de atendimento e compartilhamento de informações interferem diretamente na produtividade das operações.
Para Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), o crescimento representa novas oportunidades para o setor, mas também exige maior coordenação entre
os diferentes elos da cadeia. “O recorde confirma a competitividade de Paranaguá e representa mais demanda e oportunidades para as transportadoras. Ao mesmo tempo, quanto maior o volume, menor a margem para improviso. O desafio é garantir que a eficiência conquistada dentro do terminal se estenda a toda a cadeia, do portão do porto até o cliente final“, afirma. Entre os pontos que precisam acompanhar esse novo patamar de movimentação, Nery destaca os sistemas de agendamento, os acessos rodoviários e a estrutura dos pátios de triagem. Também chama atenção para a necessidade de maior alinhamento dos horários entre terminais, depots de contêineres vazios, recintos, embarcadores e demais agentes envolvidos na operação.
A previsibilidade também tem impacto direto sobre os custos das empresas. Enquanto o veículo permanece parado aguardando atendimento, despesas como depreciação, seguro, capital investido, salários e encargos continuam sendo contabilizadas. Além disso, o período de espera consome a jornada do motorista e reduz a quantidade de viagens que o caminhão consegue realizar. “Agendamento só gera eficiência quando existe compromisso de todos os lados. Também precisamos avançar nos acessos, especialmente nos trechos em que o tráfego pesado convive com a circulação urbana de Paranaguá, e garantir pátios compatíveis com esse volume, com condições adequadas de segurança, alimentação, sanitários e descanso para os motoristas“, explica. “Caminhão parado representa custo sem geração de receita. Cada hora de espera afeta a rentabilidade, a capacidade de atendimento e o planejamento da jornada. Quando essas ineficiências se repetem, acabam sendo incorporadas ao custo da operação”, ressalta o vice-presidente.
Para o SETCEPAR, o avanço da movimentação portuária deve ser acompanhado por melhorias nos acessos ao porto e na BR-277, fortalecimento dos pátios de regulação e dos pontos de parada e descanso, além de maior integração tecnológica. Plataformas de agendamento, gates automatizados, documentação digital e compartilhamento de informações em tempo real podem contribuir para reduzir deslocamentos desnecessários e aumentar a previsibilidade. “A capacidade portuária cresce e a infraestrutura terrestre precisa ser planejada para acompanhar esse movimento. Muitas vezes, ganhar previsibilidade com tecnologia e integração gera retornos importantes sem depender apenas de grandes obras. Porto e rodovia precisam evoluir juntos“, conclui Nery.

publicada em 21 de outubro de 2026 às 15:00 




