O PRESIDENTE TRUMP QUER QUE A VENEZUELA PAGUE PELAS APREENSÕES DOS ATIVOS DAS PETROLEIRAS AMERICANAS EXPULSAS DO PAÍS
Dois dias depois de anunciar bloqueio a petroleiros que chegam ou partem da Venezuela, as forçar militares dos Estados Unidos estacionadas no Mar do Caribe explodem mais uma lancha ultra rápida carregada de drogas, matando quatro traficantes. Informações de inteligência confirmaram que a embarcação estava navegando por uma rota conhecida de narcotráfico no Pacífico Oriental e estava envolvida em operações de narcotráfico, afirmou o Comando Sul dos EUA em uma publicação no X. Desde o início de setembro, o Exército americano, sob o comando do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, tem como alvo lanchas do tráfico de drogas no mar do Caribe e no Pacífico, destruindo, com este novo ataque, pelo menos 27 embarcações e matando ao menos 99 traficantes.
O presidente Donald Trump está aumentando a pressão sobre o ditador sanguinário Nicolás Maduro a cada dia. Agora, exigiu que a Venezuela devolva os ativos que confiscou de empresas petrolíferas americanas anos atrás, justificando mais uma vez seu anúncio do bloqueio contra os petroleiros para ou a partir do país sul-americano. Trump citou a perda de investimentos americanos na Venezuela, sugerindo que as ações de seu governo são, pelo menos em parte, motivadas por disputas sobre investimentos petrolíferos, além de acusações de narcotráfico. Alguns petroleiros sancionados já estão desviando suas rotas da Venezuela, disse. “Não vamos deixar passar ninguém que não deva passar. Vocês se lembram que eles tomaram todos os nossos direitos energéticos. Eles tomaram todo o nosso petróleo não faz muito tempo. E nós o queremos de volta. Eles o tomaram ilegalmente.”
Para lembrar, as companhias petrolíferas americanas dominaram a indústria do petróleo venezuelana. A Chevron, por exemplo, foi a única a permanecer, também porque ela importa Nafta para que a Venezuela possa refinar seu petróleo pesado. As grandes petroleiras norte americanas ficaram na Venezuela até que os líderes do país decidiram nacionalizar o setor, primeiro na década de 1970 e novamente no século XXI, sob os governos dos ditadores Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez. A compensação oferecida pela Venezuela foi considerada insuficiente e, em 2014, um painel de arbitragem internacional ordenou que o governo socialista do país pagasse US$ 1,6 bilhão à ExxonMobil, o que não foi feito.
Embora o petróleo da Venezuela tenha dominado as relações com os EUA por muito tempo, o governo Trump concentrou-se nas ligações do ditador Maduro com
traficantes de drogas, acusando seu governo de facilitar o envio de drogas perigosas para os Estados Unidos. Em sua postagem nas redes sociais, Trump disse que a Venezuela estava usando o petróleo para financiar o tráfico de drogas e outros crimes. Stephen Miller, chefe de gabinete adjunto de Trump, comparou a decisão da Venezuela de nacionalizar sua indústria petrolífera a um roubo. “O suor, a engenhosidade e o trabalho árduo dos americanos criaram a indústria petrolífera na Venezuela”, escreveu Miller nas redes sociais. “Sua expropriação tirânica foi o maior roubo de riqueza e propriedade americanas já registrado. Esses bens saqueados foram então usados para financiar o terrorismo e inundar nossas ruas com assassinos, mercenários e drogas.” A Venezuela nacionalizou centenas de empresas privadas e ativos estrangeiros, incluindo projetos petrolíferos administrados pela ExxonMobil e pela ConocoPhillips.
Trump culpou seus antecessores por não terem adotado uma postura mais firme contra a Venezuela em relação às apreensões de bens. “Eles nos tiraram isso porque tínhamos um presidente que talvez não estivesse prestando atenção. Mas eles não vão fazer isso de novo. Nós queremos de volta. Eles tomaram nossos direitos de exploração de petróleo — tínhamos muito petróleo lá. Como vocês sabem, eles expulsaram nossas empresas, e nós queremos de volta.” A Chevron possui uma autorização especial do governo dos EUA para a produção de petróleo na Venezuela, e a gigante petrolífera sediada no Texas afirma que suas operações não foram interrompidas. A dívida da Venezuela com a Chevron “diminuiu substancialmente” desde que a empresa recebeu a licença para retomar as exportações de petróleo venezuelano para os EUA em 2022.
O ditador Maduro telefonou para o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres (direita), para uma conversa sobre as
tensões atuais na região, disse o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq. “Durante a chamada, o secretário-geral reafirmou a posição das Nações Unidas sobre a necessidade de os Estados-membros respeitarem o direito internacional, em particular a Carta das Nações Unidas, exercerem moderação e reduzirem as tensões para preservar a estabilidade regional”, disse Haq. O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, exigiu em uma carta ao Conselho de Segurança da ONU, que os EUA libertem imediatamente a “tripulação sequestrada do navio petroleiro” e devolvam o petróleo confiscado ilegalmente em alto-mar.

publicada em 18 de dezembro de 2025 às 13:00 






