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ORDEM PARA QUE OS AMERICANOS DEIXEM A EMBAIXADA EM ISRAEL PODE SER SINAL DE ATAQUE IMEDIATO CONTRA O IRÃ

O primeiro sinal forte de que os Estados Unidos podem atacar o Irã a qualquer momento vem de uma ordem do Departamento de Estado dos EUA, que autorizou os funcionários da missão diplomática americana em Israel a deixar o país com rapidez.  No aviso, o destaque para que a situação de segurança em Israel, incluindo Tel Aviv e Jerusalém, “é imprevisível.” O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, também enviou uma mensagem por e-mail aos funcionários da missão diplomática alertando que, se desejam deixar o país, devem fazê-lo “imediatamente“, diante do possível início de um conflito na região. A decisão do governo americano ocorre após uma nova rodada de negociações com o Irã em Genebra e várias reuniões e chamadas telefônicas realizadas durante toda a noite por Huckabee, com a participação do Departamento de Estado dos EUA, nas quais os funcionários concordaram que a segurança do pessoal da embaixada era prioridade. O mercado já sabe que um ataque americano se refletirá nos preços do petróleo, porque o estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo do mundo, será alvo da Marinha Iraniana.

O porta-aviões americano USS Gerald Ford, o maior do mundo, já está na costa israelense como parte do destacamento militar dos EUA no Oriente Médio, visando um possível ataque ao Irã. Trump disse que “Eles já desenvolveram mísseis que podem ameaçar a Europa e nossas bases no exterior, e estão trabalhando para construir mísseis que em breve atingirão os Estados Unidos da América. Não permitiremos que o regime mais perigoso do mundo obtenha as armas mais perigosas do mundo”. A mensagem central de Israel  é “este é um problema seu tanto quanto nosso.” O discurso de Trump sugere que esse cálculo enquadra os programas nucleares e de mísseis do Irã como uma ameaça direta também aos EUA e não simplesmente como uma questão de instabilidade regional, uma preocupação de um aliado, mas como um perigo para as cidades e forças americanas.

Essa mudança é importante porque não aconteceu isoladamente. Essa transformação foi impulsionada, nos últimos dois anos, por uma série de acontecimentos que não puderam ser ignorados. A marcha acelerada do Irã rumo ao status de potência nuclear,  sua obsessão com a produção de mísseis balísticos, o uso cada vez mais claro de grupos aliados que cultivou em toda a região o caos criado pelos Houthis no transporte marítimo internacional,  afetando diretamente os interesses econômicos americanos e globais. Em conjunto, esses acontecimentos ilustraram que o Irã não era meramente uma ameaça teórica na visão de Israel, mas uma força desestabilizadora ativa com consequências globais.

Durante anos, cada uma dessas questões foi vista em Washington como preocupante, mas controlável. Elas também foram compartimentadas. O dossiê nuclear era tratado separadamente do dossiê dos mísseis balísticos. A questão dos mísseis era dissociada da rede de influência externa. As violações dos direitos humanos eram tratadas separadamente de tudo o mais. Cada uma era grave. Nenhuma, por si só, parecia urgente o suficiente para redefinir a política americana. Agora, porém, elas se fundiram em um único desafio coerente que o governo Trump reconhece como um perigo real e imediato para os interesses dos EUA. A geografia costumava amenizar a urgência. Vastos oceanos e terras que separam os EUA do Irã criam uma distância tanto psicológica quanto física.

O Primeiro Ministro Benjamin Netaniahu, acompanha os fatos diretamente

Mas os mísseis reduzem essa distância. O mesmo acontece com informações de inteligência sobre possíveis rupturas. E também com os repetidos ataques indiretos contra as forças americanas na região. Quando as tropas americanas são alvejadas por milícias apoiadas pelo Irã,  ou quando o Irã ameaça atacá-las, a questão deixa de parecer distante.

Trump, em seus comentários relativamente breves sobre o Irã durante seu discurso sobre o Estado da União, refletiu essa urgência. O público americano agora ouve seu presidente apresentar um possível ataque ao Irã não como um favor a Israel, mas como uma questão de segurança nacional americana. Por isso, a abordagem de Trump no discurso sobre o Estado da União foi significativa. Ao definir as capacidades nucleares e de mísseis do Irã como uma ameaça americana,  explicitamente e sem mencionar Israel,  ele eliminou a alegação de que o confronto com Teerã seria travado “em nome de Israel”.

Estreito de Ormuz será alvo da Guarda Revolucionária Iraniana

Trump está fazendo com que os americanos sintam esse perigo de forma imediata. A forma como Washington decidirá eliminar a ameaça, por meio de intervenção militar, o mais provável,  ou algum tipo de acordo, é o que está se desenrolando diante dos olhos ansiosos do mundo e era o tema da mesa de negociações na quinta-feira, quando os dois lados se reuniram novamente em Genebra para a terceira rodada de conversas. Para Jerusalém, ouvir o Irã ser definido como uma ameaça direta à segurança americana é mais do que uma questão de palavras. No confronto com o Irã, isso poderia inclinar a balança da diplomacia para o uso da força.

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