PERDIDO PARA ENCONTRAR UMA SOLUÇÃO QUE ACABE COM A ESCASSEZ DE COMBUSTÍVEIS, GOVERNO OPTA POR CULPAR CAMINHONEIROS
O ministro dos Transportes, Renan Filho, insiste em querer minimizar o risco de uma greve dos caminhoneiros fingindo que está tudo bem. Para ele, o problema não é a guerra, o descontrole de preços, a falta de combustível no mercado pela falta de produção da Petrobrás, ou mesmo a diferença de preços entre o diesel importado e o produzido no Brasil com cotas de distribuição. Renan Filho já encontrou um culpado: ele questionou a unidade de interesses da categoria dos caminhoneiros e apontou viés político-partidário na movimentação. Pronto, resolveu o problema. “Não sinto que há um movimento espontâneo, mas sim que há gente com interesses difusos, e uma parcela desses interesses também políticos, que estimulam.” A posição do ministro só revela um divórcio litigioso com a realidade. Falta combustíveis em muitos municípios brasileiros.
A Federação das Associações dos Municípios do Rio Grande do Sul, por exemplo, está fazendo um alerta grave: mais de 140 municípios já estão sentindo a falta de
combustíveis, com repercussões nos serviços essenciais. Isto significa que 30% de todos os municípios do Estados já estão sem óleo diesel. Nessas cidades, a prioridade é o serviço de saúde. O atendimento à agricultura foi suspenso e os maquinários nas fazendas, já estão parados. Após uma negociação com o governo federal, as entidades que representam os caminhoneiros decidiram suspender uma paralisação, mas seguem em estado de alerta. Renan Filho continua achando que fiscalizando e reprimindo os serviços de frete, vai resolver o problema. Ele exige cumprimento do piso mínimo do frete e insiste em dizer que que as empresas que insistirem nas irregularidades poderão ser impedidas de contratar motoristas.
Apesar de decidirem não iniciar uma paralisação nacional na semana passada após o governo publicar uma medida provisória beneficiando a categoria, entidades ligadas à classe dos caminhoneiros ainda estão sob estado de greve, que está mantido até a conclusão das negociações sobre pontos da pauta da categoria ainda pendentes. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, vai receber representantes dos caminhoneiros nesta semana, em mais uma etapa das tratativas abertas após a publicação da medida. A decisão tomada na sede do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista), em Santos, não encerrou o movimento, mas transferiu para os próximos dias uma nova avaliação sobre uma eventual paralisação.
O principal fator de insatisfação da categoria é a alta do preço do óleo diesel, que tem reduzido a rentabilidade das operações. O preço médio do diesel 10 no Brasil atingu R$ 7,15 por litro, uma alta de 26,7% em relação aos últimos 30 dias. Dados oficiais indicam que cerca de 20% das operações fiscalizadas apresentam algum tipo de irregularidade, enquanto a maior parte permanece em conformidade. As lideranças da categoria têm sinalizado que aguardam a publicação oficial dessas medidas antes de decidir sobre a deflagração da greve.

publicada em 23 de março de 2026 às 13:00 




