PETRÓLEO PASSA DE 109 DÓLARES COM OS ATAQUES DOS TERRORISTAS HOUTHIS, APOIADOS PELO IRÃ, CONTRA O SUL DA ARÁBIA SAUDITA
O terrorismo imposto pelos Houthis, financiados, apoiados e treinados pelo Irã, ganha uma nova dimensão na guerra do Oriente Médio. O avanço dos terroristas abre uma nova frente na campanha de pressão do Irã contra os estados do Golfo. A tomada do litoral iemenita do Mar Vermelho pelos houthis está remodelando o equilíbrio de poder no Golfo, fortalecendo a posição do Irã e colocando a Arábia Saudita e seus vizinhos diante de uma escolha difícil: absorver os custos crescentes ou buscar um
acordo com Teerã. Ao garantir uma posição com vista para o Estreito de Bab el-Mandeb, uma das mais importantes vias navegáveis do mundo, o grupo alinhado ao Irã abriu um segundo ponto de pressão, ameaçando as exportações de petróleo sauditas desviadas do Estreito de Ormuz, já explodido um oleoduto saudita no final da semana passada.
O cálculo, segundo autoridades e analistas regionais, é simples: ao ameaçar a navegação no Mar Vermelho, enquanto o Irã bloqueia o Estreito de Ormuz, Teerã e os houthis podem aumentar os preços do petróleo e alimentar a inflação, reduzindo as chances da região de contar com Washington para resolver a crise. Na manhã desta segunda-feira, a cotação do Brent no
mercado internacional já está a US$ 109,15 o barril. Nunca as petroleiras ganharam tanto em tão pouco tempo. A estratégia, segundo eles, visa impor uma escolha drástica aos Estados do Golfo: suportar as crescentes dificuldades econômicas decorrentes da redução das exportações de petróleo e dos ataques iranianos, ou dialogar com o Irã para proteger o comércio, o fluxo de energia e a estabilidade econômica.
O analista do Oriente Médio Fawaz Gerges(direita), diz que a captura pelos Houthis, de ilhas estratégicas perto de Bab el-Mandeb, é um divisor de águas: “Isso altera o equilíbrio de poder e lhes confere uma influência geopolítica e geoeconômica muito maior sobre a Arábia Saudita, o Golfo, os Estados Unidos e o comércio global.” Desde
que a guerra fechou efetivamente o Estreito no lado oposto da Península Arábica, Riade redirecionou grande parte do seu petróleo bruto para os portos do Mar Vermelho, mas na sexta-feira (11) fechou o oleoduto que transportava o petróleo após este ter sido atacado. A recusa alegada de Trump em atender a um pedido da Arábia Saudita para que os EUA atacassem os houthis, combinada com os crescentes custos econômicos, está reforçando a visão em algumas capitais do Golfo de que as negociações com Teerã não são mais uma opção, mas uma necessidade para a autopreservação.
A reunião entre ministros das Relações Exteriores dos países árabes do Golfo e seu homólogo iraniano, Abbas Araqchi, marcada para discutir nesta segunda-feira um possível acordo sobre o Estreito de Ormuz, foi adiada devido a divergências
sobre os termos das negociações, disse uma fonte do Golfo. O encontro fez parte de uma iniciativa conjunta de Omã e Irã para garantir uma estrutura temporária para a gestão da navegação na hidrovia, uma artéria crucial para as exportações globais de petróleo. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi(direita), disse que a reunião regional agendada para segunda-feira em Salalah foi adiada “em prol do consenso”. “Continuamos empenhados em promover o diálogo que apoia a estabilidade e a cooperação duradoura em nossa região”, escreveu ele no X sem dar detalhes sobre os motivos do atraso.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian(direita), afirmou no domingo que teve boas conversas com o príncipe herdeiro dos
Emirados Árabes Unidos, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan(esquerda), em Nova Déli, à margem da cúpula dos líderes do BRICS. “Concordamos em deixar o passado de lado e olhar para o futuro, e para como podemos construir um futuro juntos“, disse ele. O dilema para os estados do Golfo é que a geografia é imutável. Décadas de confrontos não conseguiram alterar uma realidade simples: a posição do Irã junto às principais vias de energia e
comércio da região o torna um ator incontornável em qualquer equação de segurança do Golfo Independentemente do que os líderes do Golfo pensem da República Islâmica, ela continua sendo uma realidade que não podem ignorar ou simplesmente desejar que desapareça, e o conflito desencadeado pelos ataques dos EUA e de Israel contra o Irã destruiu décadas de esforços diplomáticos para contê-lo. Questionado no domingo se estava preocupado com o encontro dos países do Golfo com o Irã, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que isso dependia deles.
Alex Vatanka(direita), do Middle East Institute, afirmou que a questão para os Estados do Golfo pode ser cada vez menos se eles
confiam no Irã e mais como proteger seus interesses e sobreviver às hostilidades que Washington não pode encerrar rapidamente. Isso poderia impulsioná-los em direção a uma diplomacia paralela com Teerã e, com o tempo, a uma estratégia de segurança mais ampla e menos dependente apenas dos Estados Unidos.“Os estados do Golfo estão considerando a realidade fundamental de que talvez tenham que fechar um acordo com os iranianos por conta própria, independentemente de ferirem ou não os sentimentos dos americanos, porque os Estados Unidos não conseguem tirá-los desse atoleiro“, disse ele.
ARÁBIA SAUDITA X HOUTHIS
O Príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, se reuniu com o chefe do CENTCOM em busca de ajuda dos EUA em meio à escalada dos ataques dos terroristas Houthi, apoiados e financiados pelo Irã. Os terroristas do Iêmem, que faz fronteira ao sul da Arábia Saudita, têm realizado ataques e conquistado território em toda a região, o que gera séria preocupação entre as nações do Golfo. Bin Salman discutiu nesta segunda-feira (14) os desenvolvimentos regionais com o chefe do comando, almirante Brad Cooper, em Jeddah, em meio à escalada das hostilidades com os houthis. O encontro ocorreu dias depois de três fontes familiarizadas com o assunto terem dito que o príncipe herdeiro solicitou assistência militar ao Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para ajudar a combater os houthis. Trump não concordou com
ataques dos EUA contra o grupo, mas Washington disse a Riad que forneceria compartilhamento de informações e assistência na definição de alvos, acrescentaram as fontes.
Os houthis intensificaram os ataques contra cidades sauditas e infraestrutura energética, enquanto avançam ao longo da costa Mar Vermelho, no Iêmem, em direção ao Estreito de Bab al-Mandab, uma importante rota marítima. A escalada abriu um segundo palco no conflito regional mais amplo e aumentou as preocupações com as exportações do petróleo saudita e o
transporte marítimo global. A Defesa Civil saudita emitiu um alerta hoje, após avisos de possível perigo em quatro cidades do sul do país, em meio a um aumento nos ataques dos houthis.
A Defesa Civil Saudita havia emitido alertas para as cidades de Najran, Khamis Mushait, Jazan e Abha. Posteriormente, emitiu alertas para Khamis Mushait e Abha pela segunda vez, antes de os suspender novamente. Os houthis, que controlam as áreas mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país, vêm lançando ataques contra a Arábia Saudita desde que declararam um bloqueio naval contra Riad em julho, com ataques direcionados a navios sauditas no Mar Vermelho, entretanto, a Arábia Saudita solicitou o adiamento de uma reunião entre Teerã e as potências do Golfo que deveria ocorrer hoje, em Omã.
ISRAEL X ARÁBIA SAUDITA
Para Brandon Friedman, diretor de pesquisa do Centro Moshe Dayan para Estudos do Oriente Médio e da África da Universidade de Tel Aviv e pesquisador sobre
reforma política na Arábia Saudita, Israel dificilmente melhorará as relações com a Arábia Saudita, apesar da ameaça dos terroristas houthis. “Se houvesse uma nova coligação governamental que demonstrasse maior compromisso com a discrição, talvez surgisse uma abertura para uma maior cooperação”, sugeriu. É improvável que Israel encontre uma oportunidade para melhorar as relações com a Arábia Saudita, apesar dos esforços de Riad para expandir o compartilhamento de informações e a assistência militar em sua luta contra os Houthis.
Embora Friedman tenha afirmado que seria lógico que a atual situação de segurança criasse uma oportunidade para Israel colaborar com a Arábia Saudita, dado o inimigo comum no eixo iraniano, ele sustentou que isso seria “bastante improvável no cenário atual”, visto que “todas as questões de política externa hoje estão sendo analisadas sob a ótica das eleições israelenses“. Qualquer apoio
que Riade recebesse de Israel teria que acontecer “discretamente”, devido às suas “próprias necessidades políticas internas”, disse Friedman. Embora Riade tenha afirmado que não normalizará as relações com Israel até que um Estado palestino seja estabelecido, Jerusalém e Washington há muito tempo buscam incluir a Arábia Saudita nos Acordos de Abraão.
Embora a Arábia Saudita tenha ficado em 25º lugar entre 145 países no Índice Global de Poder de Fogo de 2026, Friedman argumentou que Riad se tornou cada vez mais dependente de Washington nos últimos 15 anos e agora tem “muito pouco poder militar próprio”, o que a deixa com ferramentas limitadas à sua disposição, “razão pela qual sua guerra no Iêmen, desde basicamente 2015, tem sido um fracasso”. Embora Riade pudesse recorrer a Israel e aos Emirados Árabes Unidos em busca de apoio, Friedman sugeriu que isso seria improvável, visto que “os sauditas estão em conflito” com ambos os países há um ano. Apesar de Israel ter sinalizado disposição para compartilhar informações de inteligência, Friedman afirmou que isso era “bastante improvável, dada a atual conjuntura política”.

publicada em 14 de setembro de 2026 às 12:00 





