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PREÇOS ELEVADOS DO PETRÓLEO PODEM AJUDAR A DESTRAVAR MAIS DE 2 MILHÕES DE BARRIS DE PETRÓLEO POR DIA NA AMÉRICA DO SUL

Os preços do petróleo subiram ainda mais na quinta-feira (23) e passaram do patamar de US$ 105 por barril Brent. A elevação no valor da commodity é uma resposta do mercado à indefinição quanto ao desenrolar da guerra no Oriente Médio. Qualquer previsão sobre os próximos passos do confronto e dos efeitos de médio e longo prazo no mercado de óleo e gás precisa ser revista dia após dia. Ainda assim, se esse preço US$ 100 por barril for mantido por bastante tempo, a América do Sul seria uma das regiões mais beneficiadas. É o que aponta uma nova análise da Rystad Energy, que prevê que a região poderia destravar até 2,1 milhões de barris por dia (bpd) de oferta adicional de petróleo bruto até meados da década de 2030 diante do atual cenário de preços.

O conflito no Oriente Médio fez mais do que elevar os preços do petróleo — ele expôs o quão perigosamente concentradas estão as cadeias globais de suprimento em torno do Estreito de Ormuz. A América do Sul agora está posicionada como a fonte mais relevante de oferta incremental no mundo. A região oferece escala, qualidade geológica e relativa estabilidade política exatamente no momento em que o mundo busca alternativas”, disse a vice-presidente sênior de Pesquisa em Óleo e Gás da Rystad Energy, Radhika Bansal.

FPSO da ExxonMobil na Guiana

Os desenvolvimentos offshore no Brasil, Guiana e Suriname representam a fonte mais imediata de potencial de crescimento. A aceleração de projetos nesses mercados poderia entregar mais de 1 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boepd) de produção adicional ao longo da próxima década, apoiada por aproximadamente US$ 33 bilhões em investimentos incrementais em novos projetos até 2035.

Na Guiana, a ExxonMobil mira até 300 mil bpd no projeto Yellowtail, que entrou em operação com produção média inicial de 250 mil bpd, e a Rystad avalia que medidas semelhantes de eliminação de gargalos poderiam liberar mais 80 mil a 90 mil bpd nos campos Errea Wittu, Jaguar e Hammerhead. No entanto, o maior potencial está em decisões finais de investimento (FID) antecipadas para novos projetos, e não na expansão de ativos existentes. Ainda assim, a capacidade limitada dos estaleiros para novas unidades flutuantes de produção, armazenamento e descarregamento (FPSOs) segue como principal restrição.

Fora desses três polos, a Venezuela voltou ao debate global sobre oferta após a captura, em janeiro, do presidente Nicolás Maduro e a redução da disponibilidade de petróleo ácido médio a pesado vindo do Oriente Médio. Em um cenário de US$ 100 por barril, a Rystad Energy estima que a Venezuela poderia adicionar 910 mil bpd até 2035, sendo 57% oriundos de campos existentes nas províncias Leste e Oeste, onde os custos operacionais de petróleo médio giram entre US$ 7 e US$ 8 por barril.

A ExxonMobil, cujo CEO classificou a Venezuela como “não investível” em janeiro, desde então enviou equipes técnicas para avaliar oportunidades. A Shell assinou acordos preliminares com a estatal venezuelana PDVSA no início de março, cobrindo gás offshore e exploração onshore. Todos os cronogramas, porém, continuam dependentes do alívio de sanções e de reformas fiscais. O potencial pode ser significativamente maior se mais empresas seguirem o mesmo caminho, à medida que a confiança dos investidores aumente, impulsionada pela presença de companhias como Chevron, Eni, Repsol e Shell. Maior participação em campos subdesenvolvidos, especialmente por meio de parcerias com a PDVSA, ampliaria ainda mais o potencial adicional de produção.

A formação de Vaca Muerta, na Argentina, é a principal história de crescimento dinâmico da região. A produção de petróleo deve alcançar 1 milhão de bpd até o fim da década, ante cerca de 600 mil bpd atualmente, e 1,5 milhão de bpd até 2035 no cenário padrão de preços. Em um cenário mais otimista, a produção poderia atingir 1,8 milhão de bpd, ponto em que o oleoduto Vaca Muerta Oil Sur (VMOS) se tornaria a principal limitação. A China tende a emergir como principal destino das exportações, com embarques regulares de petróleo a partir de 2027.

O ritmo de crescimento na América do Sul dependerá menos da disponibilidade de recursos ou da atratividade econômica e mais da capacidade de execução, das restrições da cadeia de suprimentos e do ambiente geral de investimentos. Países que oferecem estruturas fiscais e regulatórias claras estão melhor posicionados para acelerar aprovações de projetos e capturar os ganhos de preços mais altos. Aqueles que hesitarem ou demorarem a agir simplesmente verão o capital fluir para outros lugares”, acrescentou Radhika Bansal.

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