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PRESIDENTE DA ABDAN CELEBRA RETORNO DA NUCLEAR À ESTRATÉGIA DO BRASIL, MAS PEDE UMA POLÍTICA DE ESTADO PARA A FONTE

Otimismo, mas com os pés no chão. Essa foi a tônica do discurso de abertura do Nuclear Summit 2026, realizado nesta segunda-feira (23) e terça-feira (24), na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. Na abertura do encontro, o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), Celso Cunha, afirmou que o mercado começou a acreditar que a energia nuclear voltou ao centro da estratégia energética do Brasil. Contudo, ainda é necessário construir uma política perene e de Estado para sustentar o crescimento da fonte.

O dirigente lembrou que o novo Plano Nacional de Energia (PNE) 2055 elevou a projeção da energia nuclear de 8–10 GW para 14 GW. “No Brasil, algo importante está acontecendo. Ainda no papel, é verdade, mas com sinais claros de mudança”, disse o presidente da ABDAN. “Isso não é um ajuste marginal. É um reconhecimento explícito do papel estrutural da nuclear na matriz brasileira. Cada 1,4 GW nuclear representa cerca de US$ 5 bilhões em investimentos. Estamos falando de até US$ 50 bilhões em potencial até 2055”, acrescentou.

Cunha destacou ainda a entrada da Âmbar Energia, do grupo J&F, no setor nuclear brasileiro. A empresa assinou, em outubro do ano passado, um acordo para adquirir a totalidade da participação detida pela Axia Energia (antiga Eletrobras) na Eletronuclear. “A decisão de investir, assumir ativos estratégicos e olhar para tecnologias como os SMRs (Pequenos Reatores Modulares) envia um sinal claro: o mercado começou a acreditar que o nuclear voltou ao centro da estratégia energética do Brasil. E isso muda tudo”, afirmou.

Apesar de o setor nuclear ter visto com bons olhos a sinalização dada no PNE 2055, o planejamento sem execução não gera energia, empregos nem segurança energética. “Precisamos sair do papel e ir para a prática”, ponderou. O presidente da ABDAN também declarou que o avanço no setor nuclear só ocorrerá com regulação sólida, previsível e técnica. Além disso, defendeu a elaboração de uma política de Estado para a fonte: “Estamos diante de uma escolha clara: ou o Brasil assume o nuclear como política de Estado, integrada às renováveis e à indústria, ou continuará discutindo planejamento enquanto o mundo executa”, ponderou.

Cunha destacou que a Agência Internacional de Energia Atômica (IEA) projeta que, até 2030, renováveis e nuclear juntas responderão por cerca de 50% da geração elétrica mundial. Não por ideologia, mas por física, engenharia e economia do sistema. Além disso, países que abandonaram a energia nuclear estão revisando suas decisões, enquanto outros, que haviam desacelerado, voltaram a construir.

A Alemanha, que desligou seus reatores, hoje enfrenta uma das tarifas de energia mais altas da Europa. O Japão retomou seu parque nuclear. A China segue expandindo, com crescimento econômico e estabilidade nas emissões. A Polônia começa a substituir térmicas a carvão por nuclear”, apontou. “O mundo aprendeu, na prática, que não existe transição energética sem energia firme”, completou.

Por fim, o presidente da ABDAN frisou que milhares de gigawatts em projetos estão hoje parados em filas de conexão de rede no mundo. Segundo o dirigente, não falta geração, capital ou sistema. Falta base firme, previsível e despachável para sustentar esse crescimento. “É exatamente nesse ponto que o mundo voltou a olhar com seriedade para a energia nuclear”, concluiu.

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