LÍDERES DE DOZE PAÍSES VÃO À REUNIÃO DOS ESCUDOS DAS AMÉRICAS PARA COMBATER O NARCOTRÁFICO, COM O BRASIL E COLÔMBIA DE FORA
O presidente Donald Trump recebeu doze líderes da América Latina e do Caribe para discutir questões que afetam toda região. Do crime organizado à imigração ilegal. A cúpula também visa fortalecer os interesses dos EUA na região, restringindo as forças potências estrangeiras, principalmente a China. O deputado republicano de Miami, Carlos Giménez, disse acreditar que o regime comunista de Cuba, sua terra natal, está perto do fim, depois de seis décadas de julgo castrista, assim como o presidente Trump: “Ele acredita que os dias estão contados. Eu acredito no presidente”, disse Giménez ao participar de uma recepção de boas-vindas para a Cúpula Escudo das Américas. “Se eu tivesse que apostar, diria que os dias deste regime estão contados, e não estou falando de anos, estou falando de dias.” Giménez afirmou que o regime cubano nunca esteve tão fragilizado quanto agora.
Além de ansiar por sua queda, ele espera que acusações sejam feitas nos EUA contra Raúl Castro e outros altos funcionários cubanos por uma série de crimes contra o
povo dos Estados Unidos, incluindo o abate de dois aviões da organização Irmãos ao Resgate em 1996. “Esses quatro americanos que foram abatidos pelo governo cubano sob as ordens de Raúl Castro merecem justiça”, disse o congressista, que nasceu em Cuba e imigrou para os Estados Unidos em 1960. “Sim, 30 anos depois; pode ser uma justiça tardia, mas eles merecem justiça.” Cuba não está entre as nações convidadas para a cúpula, assim como o Brasil, que foi apresentada pelo governo como uma reunião de “nossos aliados mais fortes e com ideias semelhantes em nosso hemisfério para promover a liberdade, a segurança e a prosperidade em nossa região“.
Enquanto os convidados se preparavam para se encontrar com Trump e o secretário de Estado Marco Rubio no resort de golfe do presidente em Doral, o futuro político de Cuba pairava sobre o encontro. “A sociedade cubana está à espera” de que o mundo a priorize, disse o presidente eleito da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira. “Isso acontecerá mais cedo do que se espera, e muito em breve.” Paz, juntamente com o presidente eleito do Chile e o ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, estavam entre os presentes na recepção e falaram à imprensa, assim como
Giménez, a também republicana de Miami, a deputada federal Maria Elvira Salazar, e a prefeita de Doral, sede do encontro, Christi Fraga. Paz afirmou que sua presença na cúpula reflete o que ele descreve como o “pragmatismo diplomático” da Bolívia, já que seu governo busca fortalecer as relações com os Estados Unidos e outros países da América Latina. “Há uma nova oportunidade para a Bolívia avançar”, disse ele. “E isso significa cooperação e crescimento.”
Os EUA pedem que aliados no hemisfério intensifiquem a luta contra os cartéis de drogas. O Ministro das Relações Exteriores da Costa Rica, Arnoldo André Tinoco, também saudou a oportunidade de se encontrar com Trump e discutir os desafios regionais, incluindo o narcotráfico e a instabilidade no Haiti, onde gangues armadas contribuíram para alimentar a violência e a pressão migratória em toda a região, e Cuba, cuja crise humanitária se agrava a cada dia. Ele observou que, em 2023, seu país foi inundado por migrantes que o utilizavam como passagem para os EUA, mas que hoje esse número caiu “a zero”. Mesmo assim, ele espera ter a oportunidade de discutir a questão da migração. Mas, dentro da sala de imprensa, a atenção se voltou repetidamente para Cuba. “É um momento glorioso para os Estados Unidos e para o Hemisfério Ocidental, que Cuba, considerada o berço do mal no Hemisfério Ocidental, esteja prestes a sucumbir”, disse Salazar, elogiando o encontro e o foco de Trump na região.
Salazar reconheceu as negociações em curso entre os EUA e Cuba. “Mas sabemos que a Casa Branca tomou a decisão de pôr fim a esse regime que está no
negócio do poder e não tem outro desejo senão o de se enriquecer e manter seus interesses no poder, em vez de alimentar a população, fornecer-lhe eletricidade, água, remédios ou roupas”, disse ela. Ao receber líderes no sábado na cidade conhecida como “Doralzuela” devido à sua grande população venezuelana, Trump disse aos presentes que estava pessoalmente envolvido nas negociações sobre o futuro de Cuba e reiterou sua iminente queda. “Cuba está no fim da linha, realmente no fim da linha. Terá uma nova vida brilhante, mas está vivendo seus últimos momentos da forma como está.” O desafio em Cuba persiste. Salazar afirmou que a recuperação em Cuba será desafiadora: “A grande questão é como podemos reconstruir essa ilha que foi destruída após 60 anos de comunismo? E esse é um desafio que o sul da Flórida enfrenta.” Uma dúzia de líderes foram convidados a participar da cúpula. Esse número foi menor do que o de participantes de uma conferência sobre narcotráfico realizada na quinta-feira na sede do Comando Sul dos EUA, também em Doral. Salazar disse que não sabia os detalhes da agenda, mas estava “grata” pela presença dos líderes no sul da Flórida. Acrescentou que a presença deles demonstra que “o presidente Trump está priorizando os Estados Unidos ao dialogar com nossos vizinhos, porque, como disse Marco Rubio, ‘qualquer coisa que aconteça no Hemisfério Ocidental chega até nós muito mais rápido devido à proximidade’”.
O presidente Donald Trump afirmou que Cuba está “em seus últimos momentos de vida“, revelou que está pessoalmente envolvido em negociações para implementar mudanças na ilha e defendeu a estreita parceria de seu governo com a líder venezuelana Delcy Rodríguez perante uma plateia de líderes latino-americanos e caribenhos. Ele disse que o foco desta administração neste momento é o Irã, mas brincou dizendo que o Secretário de Estado Marco Rubio “tirará uma hora de folga” e depois “finalizará um acordo com Cuba”. Autoridades americanas próximas a Marco Rubio se reuniram com o neto de Raúl Castro para discutir uma possível flexibilização das sanções americanas em troca de mudanças implementadas pelos líderes cubanos na ilha. O país caminha para uma crise humanitária sob um severo bloqueio petrolífero imposto pelos EUA após a prisão do ditador venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, cujo governo anteriormente fornecia petróleo a Cuba.

publicada em 8 de março de 2026 às 12:31 




