RYSTAD PREVÊ QUE IA E DIGITALIZAÇÃO PODEM GERAR US$ 500 BILHÕES EM VALOR PARA EMPRESAS DE EXPLORAÇÃO E PRODUÇÃO
A digitalização e a inteligência artificial (IA) devem gerar quase US$ 500 bilhões em valor acumulado para empresas de exploração e produção (E&P) entre 2026 e 2030, segundo novas estimativas divulgadas pela Rystad Energy. Esse valor virá da redução de custos por meio de operações mais eficientes, aumento da produção a partir de maior disponibilidade operacional e recuperação ampliada, além da aceleração nos cronogramas de desenvolvimento.
As reduções de custos e os ganhos de produção representam os principais vetores de geração de valor e devem contribuir de forma relativamente equilibrada até 2030. Segundo a consultoria, empresas de E&P que já investem em digitalização e IA devem capturar um valor adicional de US$ 80 bilhões por ano em 2030 em comparação a 2025.
Os retornos já começam a aparecer no setor. A ADNOC informou ter gerado US$ 500 milhões em valor impulsionado por IA já em 2023 e comprometeu US$ 1,5 bilhão em investimentos digitais com meta de criar US$ 1 bilhão em valor anual. Já a Equinor registrou cerca de US$ 200 milhões em economias relacionadas à IA entre 2021 e 2024, antes de reportar mais US$ 130 milhões apenas em 2025.
A Rystad ressalta que essa trajetória não é linear. A criação de valor digital segue uma curva de crescimento composta à medida que a adoção aumenta e as capacidades organizacionais amadurecem.
A oportunidade de geração de US$ 500 bilhões no upstream de petróleo e gás está distribuída em quatro principais categorias de trabalho. As duas primeiras — desenvolvimento de ativos e operações e manutenção — concentram atividades mais ligadas à superfície. Já exploração e desenvolvimento de reservatórios, além de perfuração, poços e produção, são áreas mais voltadas ao subsolo.
Cada segmento está em um estágio diferente de maturidade digital. Historicamente, operadoras implementaram diversas ferramentas digitais especialmente nas áreas de exploração e reservatórios. Entre as aplicações mais recentes, operações e manutenção vêm registrando adoção mais acelerada, principalmente com manutenção preditiva e operações remotas gerando reduções de custos de dois dígitos entre empresas líderes.
Segundo a consultoria, as atividades de subsuperfície concentram o maior potencial ainda não explorado, especialmente pela possibilidade de ampliar a recuperação de volumes e reduzir custos de perfuração. Algumas operadoras, por exemplo, reduziram o tempo de interpretação sísmica de meses para cerca de dez dias.
A Rystad destaca ainda que a IA não necessariamente eleva o teto de desempenho das melhores operadoras, mas aproxima o restante da indústria do nível já alcançado pelas líderes do setor.
Na perfuração, esse movimento já é visível, especialmente entre operadoras de shale nos Estados Unidos, que se aproximam de limites físicos de eficiência. Embora os melhores poços ainda possam melhorar, o principal ganho estaria em elevar o desempenho médio. A consultoria estima potencial médio de melhoria próximo de 10% no onshore norte-americano, enquanto poços offshore complexos podem registrar economias superiores a 50% em casos extremos, embora uma faixa entre 15% e 20% seja considerada mais representativa.
Para capturar esse valor, será necessário ampliar investimentos em ferramentas digitais, infraestrutura e integração. As empresas de E&P teriam gasto cerca de US$ 25 bilhões em soluções digitais e IA apenas no ano passado.
O mercado de fornecimento dessas tecnologias e serviços deve crescer mais de US$ 10 bilhões até 2030, superando US$ 35 bilhões anuais antes de se aproximar de US$ 50 bilhões em 2035.
Os primeiros adotantes dessas tecnologias normalmente tratam digitalização e IA como parte central da estratégia corporativa. Segundo relatos de agentes do setor ouvidos pela Rystad, a prontidão organizacional é o principal fator que determina a velocidade real de implementação.
Migração para nuvem pode levar anos, requisitos de cibersegurança adicionam meses aos projetos e a colaboração entre áreas exige mudanças culturais que não podem ser automatizadas apenas com software. Além da adoção de soluções prontas, algumas empresas desenvolvem ferramentas próprias internamente para buscar vantagem competitiva.
A consultoria destaca, porém, que a principal barreira para capturar esse valor não é a disponibilidade tecnológica, mas sim a implementação em escala. Empresas avançadas e também aquelas com menor capacidade interna vêm buscando parcerias com fornecedores e especialistas em tecnologia para reduzir complexidade e facilitar integração entre equipamentos, ativos e áreas corporativas.
Prestadoras tradicionais de serviços de petróleo, com conhecimento operacional, além de integradoras e grandes empresas de tecnologia, aparecem como parceiras importantes para transformar investimentos digitais em ganhos operacionais.
Embora ainda seja uma tecnologia emergente, a Rystad avalia que esse tipo de IA pode funcionar como uma camada contextual capaz de operar sobre diferentes tipos de dados sem necessidade de reconfiguração completa. A consultoria projeta um cenário em que a IA acelera ainda mais a criação de valor além do cenário-base, caso avanços tecnológicos simplifiquem integrações e reduzam o tempo de adoção em toda a indústria.
Nesse cenário mais otimista, a geração anual de valor com iniciativas digitais alcançaria US$ 150 bilhões já em 2030, podendo superar US$ 300 bilhões em 2035. No cenário-base, o valor projetado para 2035 é de US$ 178 bilhões. Esse cenário acelerado também exigiria maiores investimentos em soluções digitais, chegando a US$ 50 bilhões anuais em 2030 e perto de US$ 80 bilhões em 2035.
Segundo a Rystad, esse movimento acompanharia a tendência global de expansão dos investimentos em IA. A diferença de geração de valor entre empresas pioneiras e seguidores também pode aumentar em um ambiente de adoção mais rápida, à medida que dados e inteligência organizacional se acumulam.

publicada em 25 de maio de 2026 às 18:00 




