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SANÇÕES AMERICANAS CONTRA O PETRÓLEO RUSSO ESBARRAM NA NECESSIDADE CHINESA E NOS DESCONTOS OFERECIDOS À ÍNDIA

A Rússia não parece estar sentindo o peso das sanções americanas ao seu petróleo e gás. O governo Trump impôs em outubro novas sanções às duas maiores petrolíferas russas, Rosneft e Lukoil, com o objetivo de levar Putin à mesa de negociações em sua guerra contra a Ucrânia. Mas, a extensão dos danos não está lá dando muito certo, porque neste xadrez político, tem uma peça mais valiosa do que a dama no tabuleiro: a China. Os chineses compraram  quase a metade do petróleo exportado pela Rússia em 2024, burlando as restrições já existentes impostas por Washington. E estas novas sanções, por si só, pouco farão para pressionar a China a reduzir significativamente suas compras.

E ainda para tornar as sanções americanas com menor poder de fogo, a Rússia está oferecendo às refinarias indianas o petróleo bruto Urals, seu carro-chefe, por um preço mais baixo em pelo menos dois anos. O preço caiu para um desconto de até US$ 7 por barril em relação ao Brent Dated, na base de entrega, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto. A oferta é para cargas embarcadas em dezembro e com chegada prevista para janeiro. A maioria das refinarias indianas deixou de encomendar o petróleo bruto russo após a entrada em vigor das sanções contra a Rosneft e a Lukoil, praticamente pondo fim a um comércio que prosperou  após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, quando a Índia se beneficiou de um fluxo constante de petróleo mais barato.

O governo indiano enfrenta a pressão das refinarias privadas. Nos últimos dias, o clima entre elas mudou devido aos preços mais baixos do petróleo Urals, com algumas processadoras abertas à compra de petróleo russo. Antes das sanções contra a Rosneft e a Lukoil. Desde as sanções americanas, que se somam a restrições semelhantes impostas à Gazprom Neft PJSC e à Surgutneftegas PJSC, as refinarias indianas têm comprado mais petróleo bruto de outras regiões, incluindo o Oriente Médio.

Os Estados Unidos têm, sim, o poder de alterar os cálculos de Pequim. Se autoridades americanas ameaçassem negar aos principais compradores de petróleo russo — e a seus prestadores de serviços, como bancos — o acesso ao sistema financeiro americano, a China poderia concluir que qualquer economia obtida com a compra de petróleo russo com desconto não compensaria os custos. Poderia então cessar as compras de petróleo russo e forçar Putin a negociar o fim da guerra na Ucrânia. Mas não há indícios de que Washington tomará tal medida.

Para que as sanções contra a Rússia sejam eficazes, os Estados Unidos precisam da cooperação da China, mas a Rússia desempenha um papel crucial fornecendo à China quase um quinto de cada barril de petróleo importado,  incluindo a maior parte das importações de petróleo por oleoduto. A resposta definitiva parece ter vindo do  Ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi:  “Se a China não importar petróleo e gás da Rússia, como poderá atender às suas demandas e garantir o abastecimento de mais de 1,4 bilhão de chineses?”

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