NAO DELETAR
HMFLOW

SEM O DINHEIRO E O PETRÓLEO VENEZUELANO, AGRAVA-SE A SITUAÇÃO DA ECONOMIA CUBANA E PAÍS VIVE UM AUMENTO DE TENSÃO

Com a proibição norte-americana de envio de dinheiro e petróleo da Venezuela para Havana, crescem as preocupações em Cuba sobre a sobrevivência do governo e da economia da ilha. Alguns profissionais americanos ligados ao Secretário Marco Rúbio, designados para acompanharem o desenvolvimento da situação econômica cubana, já alertaram para que a interrupção dos embarques do petróleo venezuelano pode levar à uma onda de agitação social e migração em massa. Muito antes da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, no dia 3 de janeiro, apagões severos já paralisavam a vida em Cuba, onde as pessoas enfrentavam longas filas em postos de gasolina e mercados locais, em meio à pior crise econômica da ilha desde a posse do ditador Fidel Castro, nos anos 50. A falta de petróleo venezuelano pode levar Cuba ao abismo definitivo.

Longas filas em Havana em busca de alimentos

Michael Galant(esquerda), pesquisador sênior e associado de divulgação do Centro de Pesquisa Econômica e Política em Washington, DC, disse que “Isso levará uma situação já crítica a novos extremos. É assim que se parece uma economia em colapso.”  Galant disse acreditar que esse é o objetivo do governo Trump: “causar indignação na população civil a ponto de instigar algum tipo de levante para a  mudança de regime. Esse tipo de cerco a Cuba é muito intencional. Será que vai funcionar do ponto de vista deles? Acho que o povo cubano sofre há muito tempo e o governo cubano sabe muito bem como lidar com essas situações”, disse Galant. “Acho muito difícil prever o que vai ou não desencadear uma instabilidade real no regime. Da perspectiva de Marco Rubio  é uma questão de esperar para ver o que acontece porque sempre há um ponto de ruptura.”

De 2020 a 2024, a população de Cuba diminuiu em 1,4 milhão de pessoas, o que os especialistas atribuem em grande parte à migração impulsionada pelo agravamento da crise. Juan Carlos Albizu-Campos (direita), economista cubano e especialista em demografia, observou que, embora os cubanos com recursos já tenham deixado o país, a migração continua. “O combustível é um fator que afeta tudo. As pessoas vão sentir que estão em condições piores, e aquelas que não haviam considerado sair da cidade sentirão a necessidade de fazê-lo.” 

O Apagão de todos os dias deixa as cidades cubanas às escuras

O Produto Interno Bruto (PIB) de Cuba caiu 15% nos últimos seis anos, e o presidente Miguel Diaz-Canel  observou que houve umaqueda de 4% somente em 2025. Embora a economia cubana   nunca tenha se recuperado totalmente após a queda da União Soviética na década de 1990, ela experimentou uma relativa prosperidade entre 2000 e 2019, impulsionada por um boom no turismo e nas exportações de serviços, níquel, rum e tabaco. Na  pandemia da COVID-19, que, juntamente com um aumento radical das sanções americanas durante o segundo mandato de Trump, o país ficou  sufocado em todos os setores, o  fez a crise em Cuba explodir com muita força.

Durante todo esse período, Cuba permaneceu dependente da Venezuela para o fornecimento de petróleo, recebendo cerca de 35.000 barris por dia do país sul-americano antes do ataque dos EUA, além de cerca de 5.500 barris diários do México  e aproximadamente 7.500 da Rússia, de acordo com o Instituto de Energia da Universidade do Texas,  em Austin, que monitora os carregamentos utilizando serviços de rastreamento de petróleo e tecnologia de satélite. Mesmo com todos esses carregamentos, os apagões persistiram.  Um desligamento por tempo indeterminado do sistema elétrico, que já não é tão impossível de imaginar, pode ser previsto sob uma suspensão total das exportações de petróleo da Venezuela, que parece ser a estratégia atual do governo americano.  Isso pode gerar a possibilidade de protestos em massa.

Andy Gómez (direita), reitor aposentado da Escola de Estudos Internacionais e pesquisador sênior em Estudos Cubanos na Universidade de Miami, afirmou que, mesmo que ocorram protestos, ele não prevê a queda de Cuba enquanto Raúl Castro estiver vivo e no comando das forças armadas. “Eles estão preocupados? Pode apostar que sim. Eles não estão bem armados.  O equipamento deles está ultrapassado.” Mas Gómez observou que os civis não estão armados e que é improvável que uma das três facções do exército cubano rompa com a elite governante. “No fim das contas, alguém vai ter que pagar o preço, e será Díaz-Canel ou o primeiro-ministro, Manuel Marrero Cruz, por não conseguirem resolver os problemas.” Com a incerteza persistindo, Gómez afirmou que Cuba só tem uma carta na manga contra os EUA: a imigração em massa. “Não creio que os cubanos vão provocar os Estados Unidos neste momento. As autoridades cubanas “têm total controle sobre isso. As forças militares cubanas estão em alerta máximo.”

Inscrever-se
Notificar de
guest
0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários