TARIFAÇO E INOPERÂNCIA DO GOVERNO REDUZEM QUASE A ZERO AS EXPORTAÇÕES DE ROCHAS ORNAMENTAIS DO ESPÍRITO SANTO
A cada dia, a economia e os empresários brasileiros atingidos pelo tarifaço americano vão sentindo na pele o descompromisso do governo Lula. A falsa “vitória” conseguida com a redução em 40% de sanção em alguns produtos se deu, como se sabe, não por eficiência nas negociações, mas por proteção da economia dos Estados Unidos. Lula parece refém do STF e não tem argumentos para convencer o governo dos Estados Unidos que os direitos humanos no Brasil estão sendo respeitados, que não há censura e que o STF se transformou num tribunal político. Por isso tudo, as tarifas se mantém. E agora, temos mais uma consequência grave, que já afeta a
economia do Espírito Santo. As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre rochas ornamentais já provocam uma redução relevante nas exportações pelo Espírito Santo, estado responsável por cerca de 82% das exportações brasileiras de rochas para o mercado norte-americano, segundo dados da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas). As exportações capixabas caíram quase a zero.
No Terminal Portuário de Vila Velha ( TVV), principal porta de saída das rochas capixabas, o impacto aparece tanto no
acumulado do ano quanto na média mensal após o anúncio das medidas. Com o objetivo de contornar os impactos da retração, o terminal tem acelerado a diversificação de cargas, com avanço de operações de carga geral, projetos especiais e granéis. Atualmente, o TVV conta com forte atuação em operações de rochas ornamentais, especialmente granito. Segundo dados do terminal, cerca de 48% de toda a exportação movimentada pelo terminal para o mercado norte americano é composta por rochas ornamentais, e mais de 95% do volume exportado desse tipo de carga pelo Espírito Santo passa pelo TVV. Essa concentração explica por que os efeitos do tarifaço se propagam com rapidez no estado, que concentra beneficiamento e acabamento de rochas antes do envio ao exterior.
De acordo com Gustavo Paixão, Diretor de Terminais da Log-in Logística Integrada, o recuo do granito ficou nítido na comparação anual e se intensificou no segundo
semestre. “Se analisarmos o acumulado até setembro, estamos 22% abaixo na movimentação de rochas. Mas entre os meses de agosto e setembro, depois do tarifaço, a média mensal passou a 40% abaixo do que vínhamos fazendo no mesmo período do ano anterior“, afirma. Paixão acrescenta, ainda, que o terminal registrou meses melhores no início de 2025, mas a retração ganhou força após a mudança tarifária, alterando a curva histórica de embarques. Além do efeito direto das tarifas, o terminal aponta que a classificação de parte das cargas ampliou o impacto
inicial. Produtos como quartzito ficariam fora da tarifação formal, mas acabaram atingidos por serem registrados como granito. “Houve uma distorção importante pois nem tudo é granito e nem tudo está sujeito à mesma tarifa. O setor começou um esforço de reclassificação e isso não é rápido, mas já vemos sinais de ajuste“, diz Paixão.
Apesar de o governo norte-americano ter revisto parte das medidas e incluído o café na lista de redução das tarifas, o efeito sobre o Espírito Santo é residual do ponto de vista portuário. Segundo Paixão, o café representa uma parcela pequena da exportação movimentada pelo terminal e não figura entre as principais cargas com destino aos EUA. “O café tem peso pequeno aqui no terminal e aparece mais distribuído em outros mercados. A dinâmica atual do TVV está muito mais ligada às rochas”, explica.
O Porto vai buscando alternativas. Mesmo com perda na principal carga de margem, a queda liberou capacidade operacional e abriu espaço para novos negócios. Paixão
afirma que o terminal aproveitou a janela para fortalecer carga geral e projetos especiais, segmentos que haviam perdido presença em 2024. “Com menos contêiner cheio, conseguimos abrir pátio e berço para outras operações. Voltamos a operar fortemente a carga geral e isso tem superado o que estava previsto inicialmente.” A diversificação também inclui granéis e a possibilidade de operar navios sem guindaste de bordo, que passaram a ser atendidos com regularidade nos berços públicos da Autoridade Portuária, após os recentes investimentos em novos equipamentos. Segundo Paixão, esse movimento reforça a estratégia de ampliar o portfólio de operações e aprimorar o perfil multipropósito do terminal e do Complexo Portuário de Vitória. No comércio internacional, a avaliação do executivo é de que não há previsibilidade de reversão rápida do tarifaço.

publicada em 9 de dezembro de 2025 às 12:00 




