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TECNOGERA APOSTA NO MERCADO DE DATA CENTERS COM TECNOLOGIAS PARA GARANTIR SEGURANÇA ENERGÉTICA E SUSTENTABILIDADE

A Tecnogera, empresa nacional com quase 20 anos de atuação no fornecimento de energia temporária, vem olhando com cada vez mais interesse para o setor de data centers. Com uma frota de 700 megawatts distribuída pelo país, 21 filiais e 750 colaboradores, a companhia tem atuado principalmente na fase inicial de construção dos data centers, fornecendo pacotes de energia temporária e plataformas elevatórias, bem como na etapa de comissionamento, para atendimento de carga. Além disso, a empresa aposta em inovação e sustentabilidade: seus geradores a diesel já operam com biodiesel 100%, e soluções híbridas com solar e baterias também são exploradas para reduzir a pegada de carbono. Em entrevista ao Petronotícias, o diretor de novos negócios da Tecnogera, Jorge Moreno, afirma que, com a evolução dos data centers, a Tecnogera tende a se tornar cada vez mais atuante em soluções de segurança energética. O executivo também prevê uma trajetória de crescimento acelerado para acompanhar a demanda do mercado. “A empresa tem crescido em dois dígitos ano a ano, com forte investimento em ativos para ampliar nossa capacidade — hoje em 700 megawatts, mas que precisará ser ainda maior no próximo ano”, revelou.

Poderia fazer uma avaliação do mercado de data centers no momento atual?

Esse mercado ganhou muita representatividade nos últimos anos com o aumento do consumo de dados, impulsionado também pela inteligência artificial. Isso exigiu ampliar a escala de data centers no mundo e, consequentemente, o consumo de energia. Vejo o Brasil inserido nessa rota, com grandes empresas se expandindo em várias regiões e criando centros que impressionam pela capacidade de armazenamento e demanda energética.

O país é favorecido por sua capacidade de geração de energia elétrica — temos mais de 200 GW instalados para um consumo médio de cerca de 80 GW médios, sendo mais de 85% de fonte renovável. No entanto, há desafios. O consumo está concentrado em algumas regiões e não está capilarizado. Adicionalmente, o parque de geração solar e eólica está majoritariamente no Nordeste, enfrentando dificuldades de escoamento. É nesse ponto que surgem oportunidades para empresas como a Tecnogera.

Quais tipos de oportunidades?

A Tecnogera é uma empresa nacional com quase 20 anos de atuação no fornecimento de energia temporária. Hoje, contamos com uma frota de 700 megawatts distribuída pelo Brasil, 21 filiais e 750 colaboradores, o que nos dá capacidade para atender grandes centros de consumo, como São Paulo e o Sul. O data center é um grande consumidor de energia que não pode parar, e isso tem total sinergia com o nosso negócio. Atuamos justamente na criticidade — seja onde há falhas no fornecimento, em sistemas isolados que dependem de geração contínua ou em operações de backup que não podem falhar.

Como você enxerga o desenvolvimento desses projetos de data centers, tendo que suprir sua demanda energética e, ao mesmo tempo, lidar com os desafios de sustentabilidade?

É inevitável buscar segurança energética sem considerar a geração térmica, seja a diesel, biodiesel ou gás natural. O Brasil depende dessa fonte em parte do seu mix para preservar os reservatórios. A questão é como o data center, que é um grande consumidor, pode ter uma matriz minimamente sustentável para não ser um grande poluidor. Há soluções híbridas que oferecem segurança e reduzem o impacto ambiental.

Embora a segurança total não venha de uma fonte 100% renovável, é possível garantir que boa parte do consumo seja proveniente de energia hidráulica, solar ou eólica, adquirida no mercado livre. Nos casos em que a rede principal falha, o data center pode precisar recorrer a uma fonte térmica, como gás natural ou diesel. Para mitigar essa pegada de carbono, esses projetos podem adicionar soluções híbridas, como baterias, que já são amplamente usadas para armazenamento e podem atuar como backup por um determinado período.

E quais são algumas das soluções da Tecnogera para esse setor?

Em 2022, criamos uma vertical de negócios de plataformas elevatórias de acesso, que hoje é a segunda maior locadora do país nesse segmento. Optamos por equipamentos 100% elétricos, com baterias de lítio, enquanto o mercado tradicionalmente usava diesel. A decisão teve dois objetivos: promover a sustentabilidade e aproveitar, depois de certo tempo de uso, essas baterias em sistemas de armazenamento de energia. Assim, a Tecnogera vem construindo um portfólio de baterias de lítio para geração futura, oferecendo aos clientes alternativas que reduzem a dependência de fontes térmicas a diesel.

Como tem sido a atuação da empresa nesse segmento?

A Tecnogera tem atuado principalmente na fase inicial de construção dos data centers, fornecendo pacotes de energia temporária e plataformas elevatórias, que garantem produtividade e segurança em trabalhos em altura. Na etapa de comissionamento, utilizamos bancos de carga resistivos de 100 kW a 3 MW, que podem ser ligados em paralelo para simular o consumo real antes da operação. A empresa se especializou nesse tipo de comissionamento. Temos o know-how, a engenharia e os equipamentos necessários para esse processo, e o mercado tem gerado cada vez mais demanda por essas soluções. Já participamos de projetos com clientes como Microsoft e Scala Data Centers, entre outros.

A Tecnogera também tem trabalhado com soluções que combinam biodiesel e geração solar. Como essa vertente de inovação se conecta com a sustentabilidade?

O que temos feito na área de inovação é entender que, embora a geração térmica é necessária e essencial em muitas aplicações, ela pode ser 100% sustentável. Hoje, nossos geradores a diesel já operam com biodiesel 100%, proveniente de soja ou milho, substituindo o combustível fóssil por uma alternativa ecologicamente correta. O grande desafio ainda é a competitividade da molécula de biodiesel, para que possamos gerar a mesma energia através de uma fonte sustentável.

Além disso, quando o cliente dispõe de área livre, oferecemos soluções híbridas com solar e baterias, o que reduz emissões e a pegada de carbono, já que parte da geração passa a ser renovável.  

Para concluir, quais são as perspectivas e planos da Tecnogera?

Com a evolução dos data centers, a Tecnogera tende a se tornar cada vez mais atuante em soluções de segurança energética. Temos uma frota de 700 megawatts capilarizada pelo Brasil, pronta para atender qualquer necessidade emergencial com rapidez. Em termos de mobilização de potência em curto prazo, somos hoje a empresa mais ágil para transportar blocos de energia de forma emergencial.

O data center, por sua natureza crítica, precisa desse tipo de resposta. À medida que o consumo cresce e o sistema se torna mais intermitente, aumenta o risco de falhas — e é aí que entramos, garantindo que o cliente não pare. Podemos atuar tanto de forma remota, despachando blocos de energia, quanto com plantas instaladas, servindo como um segundo backup.

Estamos em uma trajetória de crescimento acelerado, acompanhando a demanda do mercado. A empresa tem crescido em dois dígitos ano a ano, com forte investimento em ativos para ampliar nossa capacidade — hoje em 700 megawatts, mas que precisará ser ainda maior no próximo ano. Também estamos abrindo novas verticais de negócio. Neste momento, entramos no segmento de compressores isentos de óleo para o mercado offshore, o que reforça nossa estratégia de diversificação e investimento contínuo.

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