UNICAMP VAI LIDERAR PROJETO DE R$ 15 MILHÕES PARA DESENVOLVER TECNOLOGIAS DE BAIXO CARBONO
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vai coordenar um dos maiores projetos de pesquisa em transição energética aprovados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Com investimento de aproximadamente R$ 15 milhões e ancorado institucionalmente no Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO), o projeto BioLoop reunirá uma rede de 31 laboratórios da universidade para desenvolver pesquisas integradas voltadas a tecnologias de baixo carbono.
A iniciativa, que conta com a participação estratégica do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (NIPE-Unicamp), abrange pesquisas sobre aproveitamento de biomassa e resíduos para geração de energia, além do desenvolvimento de biocombustíveis, biometano, hidrogênio, metanol verde, soluções de eletrificação, inteligência artificial aplicada ao setor energético e tecnologias para mobilidade sustentável.

Biocombustível
O BioLoop foi concebido para enfrentar um dos principais desafios da inovação no país: integrar pesquisas que hoje são desenvolvidas de forma independente e conectá-las em uma cadeia capaz de transformar conhecimento científico em soluções aplicáveis. A iniciativa reúne pesquisadores de diferentes unidades da Unicamp, como as faculdades de Engenharia Química, Engenharia Elétrica e de Computação, Engenharia Mecânica, Economia e Biologia, formando uma estrutura multidisciplinar dedicada ao avanço de tecnologias de baixo carbono.
“O principal objetivo é criar essa rede de pesquisa. O recurso funciona como uma semente para fortalecer essa integração e permitir que ela dê origem a projetos cada vez maiores. O grande diferencial é justamente conectar competências que normalmente trabalham separadas“, afirma o coordenador do projeto, o professor Gustavo Doubek, da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp.
PRÓXIMOS PASSOS
Embora tenha duração inicial de três anos, o BioLoop foi estruturado com uma perspectiva de longo prazo. Nesta primeira fase, os recursos da Finep serão destinados principalmente à consolidação da infraestrutura de pesquisa, adequação dos laboratórios, formação da rede de pesquisadores e fortalecimento das competências necessárias para o desenvolvimento de projetos tecnológicos de maior porte.
O programa está organizado em três grandes frentes tecnológicas integradas. A primeira reúne estudos sobre produção de biomassa, melhoramento genético de culturas energéticas, biotecnologia, biocombustíveis e etanol de segunda geração.
A segunda contempla pesquisas voltadas ao aproveitamento de resíduos urbanos e industriais, digestão anaeróbia, produção de biogás, biometano, metanol verde e desenvolvimento de biorrefinarias.
Já a terceira linha concentra trabalhos relacionados ao uso eficiente da energia, incluindo eletrificação, motores movidos a combustíveis renováveis, baterias, hidrogênio verde e tecnologias para seu armazenamento, gestão inteligente de energia, transporte sustentável e monitoramento de emissões.
Como elemento transversal, o BioLoop também incorporará ferramentas de Internet das Coisas (IoT) e inteligência artificial para otimizar processos, modelar sistemas energéticos e apoiar a tomada de decisões.

publicada em 9 de agosto de 2026 às 13:00 




