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A ENERGY WEEK TERMINA NESTA SEXTA-FEIRA DEPOIS DE DEBATES COM PETROLEIRAS SOBRE PRODUÇÃO MAIS LIMPA

A discussão em torno da produção mais limpa e eficiente de óleo e gás, com maior uso de tecnologias que favoreçam a descarbonização dos processos, foi destaque no painel Panorama Global de Energia, primeiro debate da Energy Week — evento promovido pelo Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que termina nesta sexta-feira (5). Empresas do setor, que apresentaram ações voltadas a esses objetivos e discutiram os impactos da transformação digital e da inteligência artificial (IA) nos processos produtivos, além do desafio da formação de profissionais qualificados para sustentar essas inovações no futuro. Entre os palestrantes, houve um consenso de que os combustíveis fósseis continuarão necessários nas próximas décadas para garantir a segurança energética em todo o mundo. “Até 2050, qualquer cenário aponta que mais ou menos 50% a 60% da fonte de energia primária ainda será de fonte hidrocarboneto no mundo“, comentou o gerente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Shell no Brasil, Olivier Wambersie. No entanto, sua produção deve incorporar processos mais limpos e eficientes, com foco na descarbonização das operações e na redução dos impactos ambientais.

De acordo com Andrea Achoa, da Equinor, a empresa vem apostando no aprimoramento da eficiência energética e no uso da eletrificação, visando uma meta de zerar as emissões de gases de efeito estufa até a metade do século: “A Equinor quer chegar no Net Zero em 2050, como um todo. E na produção de óleo e gás, a ambição é que tenhamos uma redução das emissões de 50% até 2030. Hoje, em 2025, a empresa já chegou a 34%, mesmo considerando um aumento da produção. Isso só foi possível com a eletrificação, principalmente, e a implementação de soluções que trazem eficiência energética“, comentou a gerente da empresa. Roberta Alves Mendes, gerente geral de P&D e inovação em exploração e produção da Petrobrás destacou que a estatal planeja investir R$ 13 bilhões em transição energética entre 2026 e 2030: “Esse é o valor previsto em nosso novo plano de negócios, recém-aprovado para o período. No plano anterior, ele era de R$ 16,3 bilhões, que correspondiam a 15% do CAPEX. Agora, equivale a 12% do CAPEX. Essa variação se deve às projeções de preço do petróleo Brent, que foi bastante afetado neste ano. Para os próximos anos, nada indica que vá ocorrer alguma mudança expressiva. Notem, portanto, que mantivemos a ordem de grandeza“.

Na linha do emprego de energias de baixo carbono, Mendes chamou a atenção para o uso da energia eólica onshore, que recebeu um aporte recente: “Começamos a operar o maior aerogerador onshore da América Latina, na Bahia, com 7 megawatts, em parceria com a WEG. Desenvolvemos esse aerogerador em conjunto, o que é um orgulho muito grande para nós.” Quanto aos parques eólicos flutuantes offshore, esta solução já é adotada pela Equinor para eletrificar plataformas marítimas. A Petrobrás, por sua vez, deseja ampliar seu uso: “Fizemos um ajuste de rota no uso da eólica offshore. Estamos pensando em hubs e mantivemos o plano-piloto de eólica do Rio de Janeiro, como uma opção para desenvolvermos essa tecnologia e fornecer a energia elétrica para o aumento do fator de recuperação dos campos do pré-sal“, explicou Roberta Mendes.

O impacto das tecnologias digitais e do uso da IA também foram lembrados como vitais nos rumos do setor. Para os palestrantes, as tecnologias deixaram de ser apenas uma ferramenta de suporte para se tornar o pilar central de eficiência e segurança no setor energético. “Há duas inteligências, a humana e a artificial. Não são contraditórias, não são opositoras, nem competidoras. A rápida evolução da Inteligência Artificial não deve substituir, mas sim integrar-se ao conhecimento humano“, comentou Wambersie. Diante da complexidade da transição energética, os palestrantes concordaram que as grandes operadoras estão abandonando a atuação isolada em favor de redes colaborativas mais amplas. O cenário, antes dominado apenas por gigantes do petróleo, agora depende de uma integração vital com laboratórios universitários e novos atores, como startups e spin-offs. Roberta Mendes resumiu a questão destacando que essa colaboração deve extrapolar os muros da indústria: “Mais do que stakeholders, agora não há mais aquele grupo pré-definido, que a gente já conhecia no passado do óleo e gás. São novos atores, e os atores são a sociedade. São relacionamentos que a gente ainda não tem e que vamos ter que construir.” Por fim, os painelistas ressaltaram que todo esse avanço tecnológico enfrenta um gargalo preocupante: a escassez de capital humano qualificado para liderar o futuro. O movimento já se reflete no Brasil, onde a formação de novos profissionais não cresce no mesmo ritmo das demandas da indústria de energia.

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